Coluna Painel Político - Éramos mais felizes antes das redes sociais, como disse Moraes?
E ainda, a PEC do Quinquenio. Confira a coluna deste fim de semana

Abrindo
O ministro Alexandre de Moraes, em discurso essa semana no Congresso, afirmou que "na virada do século, não existiam redes sociais, nós éramos felizes e não sabíamos. Há necessidade dessa regulamentação do tratamento da responsabilidade, do tratamento de novas formas obrigacionais. Então, a comissão fez exatamente isso", disse durante a entrega do anteprojeto do Novo Código Civil. Eu concordo com o ministro, e explico. Acompanhe meu raciocínio, e fique livre para discordar, e se quiser, deixe seu comentário ao fim da coluna para ampliarmos o debate.
Nascimento das redes
O pai das chamadas 'redes sociais’ é o turco Orkut Büyükkökten, ex-engenheiro do Google que lançou o Orkut em criada em 24 de janeiro de 2004. E logo se transformou em uma febre. Era uma rede com imenso potencial, surgiram comunidades e era usada para aproximar pessoas. Paralelo ao Orkut, surgia nos Estados Unidos o Facebook, que rapidamente viralizou entre a comunidade universitária americana, e logo ganhou o mundo. Com visual mais moderno que o Orkut, ganhou o mundo e se transformou no gigante com quase 2 bilhões de usuários. E junto, trouxe uma nova tendência, agregar notícias e unir pessoas com ideologias em comum. Ao mesmo tempo, nos EUA, surgia um novo ‘queridinho’ das celebridades, o Twitter, que permitia postagens com apenas 140 caracteres. Vamos parar por aqui…
Com o crescimento
Vieram os problemas. O Facebook rapidamente se popularizou e o Orkut chegou ao fim. Em 2010 acontece a Primavera Árabe, um movimento de contestação nos países muçulmanos iniciado na Tunísia que envolveu ainda Egito, Líbia, Iêmen, Argélia, Síria, Marrocos, Omã, Bahrein, Jordânia, Sudão, Iraque. O principal combustível do movimento foi o Facebook, que facilitou a comunicação de pessoas e grupos. O mesmo voltaria a acontecer em 2013 no Brasil, no movimento que ficou conhecido como ‘jornadas de junho’, ou ‘a rebelião fantasma’. Toda a articulação foi feita através do Facebook, tratava-se de uma insatisfação generalizada, orquestrada por grupos de oposição visando enfraquecer o governo que iria para a reeleição. Mas isso é outra história, vamos seguir com as redes.
O problema
Em 2015, durante uma solenidade em que recebeu o título de honores causa na Universidade de Turim, na Itália, o escritor Umberto Eco afirmou que as redes sociais dão o direito à palavra a uma "legião de imbecis" que antes falavam apenas "em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade". A questão é que as redes uniram essa legião, conectou-os com legiões de outros países, fomentando o ódio, a construção de falsas notícias, a difamação e outras correntes. Para variar, quem deveria adotar medidas de regulação antes de permitir a entrada de empresas de mídia estrangeira, o Congresso, deixou a coisa rolar solta. E as redes criaram os algoritmos que direcionam usuários a temas que às vezes sequer são de seu interesse, mas geram cliques. Um dos primeiros a usar foi o Youtube, que passou a ‘indicar’ bizarrices, como o terraplanismo.
Ficou pior
Os algoritmos tomaram conta de toda a internet. Ainda durante a pandemia chamei a atenção do então deputado federal Léo Moraes para que ele apresentasse um projeto de lei obrigando as redes a dar transparência sobre o uso de algoritmos, coisa que a União Europeia vinha debatendo na época. Léo, como bom político, preferiu não mexer no vespeiro, “o congresso não quer nem saber disso”, me disse na ocasião. Hoje eles querem, mas agora pode ser tarde demais.
Não se trata de censurar
Mas de responsabilizar. Com as redes a desinformação cresceu absurdamente. Difícil crer no que é ‘verdade’, afinal não existe uma responsabilização direta sobre quem produz ou divulga. E cabe as redes essa responsabilidade, afinal, elas tem o controle sobre os algoritmos. O Facebook foi acusado de liberar acesso a empresa Cambridge Analytica, que desenvolveu um algoritmo que permitia a ela traçar o perfil de uma população inteira com base nas curtidas e postagens. O sistema é capaz de revelar as tendências do eleitorado e dizia que ‘analisando 10 curtidas, ele era capaz de traçar um perfil básico. Ao analisar 50, ele te conhecia melhor que você mesmo’. O algoritmo foi usado por Trump em sua primeira campanha e permitia ao candidato, falar. exatamente o que cada população de cada região queria ouvir. Por isso ele era tão contraditório em seus discursos.
Empresa de comunicação
As redes sociais são empresas de. comunicação, portanto, em tese, deveriam seguir a legislação brasileira sobre o tema, como por exemplo, o fato de que estrangeiros não podem ser donos de meios de comunicação no Brasil. Mas elas se passaram por meras bigtechs, inocentes, alheias a legislação. A principal; alegação é que elas não produzem conteúdo, apenas o espaço. É necessário que sejam reguladas já que elas são uma espécie de ‘editor-chefe’ do que circula em seus domínios, portanto, a responsabilidade é apenas delas no que diz respeito a notícias falsas e mensagens de ódio.
Oriente Médio e seu bolso
Publicamos nesta sexta um artigo do consultor financeiro Felipe Pessoa onde aborda o impacto dos conflitos do Oriente Médio nas carteiras de investimento. Vale a pena conferir, se seu dinheiro está na bolsa.
Bom senso
Randolfe Rodrigues, líder do governo no Senado, comentando sobre a PEC do Quinquenio, disse que há duas questões a serem analisadas: uma de justiça e, a outra, de cuidado com a questão fiscal. O governo vai apelar para o bom senso. Há uma greve de servidores públicos que reivindicam progressão de carreira, plano de cargos e salários, realinhamento salarial. Não me parece muito adequado o Congresso sinalizar para uma matéria para o topo da carreira do funcionalismo público, enquanto não tem uma proposta para todos os servidores. Estamos num momento sensível das contas públicas, acho que todos devem estar acompanhando detalhadamente. O governo tem feito um esforço fiscal em diferentes áreas. Vamos dialogar e pedir o bom senso e a reflexão do Congresso — expôs o líder do governo.
Alzheimer: estudo desvenda como um composto menos conhecido da Cannabis pode proteger o cérebro
Um novo trabalho conduzido por pesquisadores do Instituto Salk para Pesquisas Biológicas, nos Estados Unidos, aponta que um terceiro canabinoide, menos conhecido, tem despertado o interesse da comunidade científica e pode ter um potencial maior para os diagnósticos neurológicos: o canabinol (CBN). Publicado na revista científica Redox Biology, o trabalho identificou propriedades protetoras do cérebro do CBN em laboratório e criou quatro moléculas aprimoradas derivadas do canabinol para avaliá-las em animais e células humanas. Todas elas tiveram uma melhor performance neuroprotetora do que o próprio CBN, o que para os pesquisadores indica o potencial terapêutico do desenvolvimento de medicamentos à base de canabinol. Uma delas foi “altamente eficaz” para tratar lesões cerebrais traumáticas em moscas de frutas, afirmam.
