Com Marina Silva e Sonia Guajajara, invasores e desmatadores terão vida difícil em Rondônia
Via Painel Político

O presidente Lula definiu nesta quinta-feira, 29, o primeiro escalão de seu governo e anunciou dois nomes que devem dificultar, e muito, a vida de desmatadores e invasores de terras indígenas.
“A gente precisa trabalhar fortemente para retirar os invasores das nossas terras, porque a presença desses invasores, seja por garimpo ilegal, seja por extração ilegal de madeira, grilagem, eles acabam afetando diretamente a nossa vida, a vida dos nossos povos”, disse Sônia Guajajara, que assume o Ministério dos Povos Originários.
Em Rondônia, várias regiões sofrem com garimpo ilegal e extração de madeira em terras indígenas. Até mesmo a área ocupada pelo ‘índio do Buraco’, situada entre os municípios de Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste, que em 1998 foi classificada como restrição de uso, vinha sendo cobiçada desde sua morte, em 23 de agosto desse ano.
A Terra Indígena Tanaru tem 8.070 hectares, e chegou a ter parte invadida por posseiros.
“Precisamos da retomada da demarcação dos nossos territórios, que foram totalmente paralisados durante esse governo Bolsonaro. Nós precisamos retomar urgente a demarcação dos territórios”, anunciou a ministra.
Marina Silva, que assume o Meio Ambiente, é velha conhecida dos rondonienses. Quando foi ministra de Lula no primeiro governo, ela se colocou como principal empecilho para o início das obras de construção das usinas do Madeira, o que provocou forte reação da classe política e empresarial de Rondônia, que defendia a empreitada como forma de desenvolver a região.
O tempo mostrou que Marina tinha razão. Até hoje os efeitos provocados pela degradação ambiental gerado pelas construções não foram totalmente contabilizados. As obras afetaram todo o ecossistema do Rio Madeira, e principalmente as populações ribeirinhas. Em 2014, uma enchente alagou parte da área central de Porto Velho provocando milhões em prejuízos. As usinas colocaram a culpa na ‘natureza’.
Nos últimos quatro anos, Rondônia passou a ocupar o posto de segundo estado que mais perdeu área protegida entre os nove que formam a Amazônia Legal, atrás apenas do Pará. O desmatamento em Rondônia aumentou em 15% nos últimos quatro anos, segundo levantamento do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) com base em dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). De 2019 a 2021, mais de 4.000 km² de floresta foram engolidos no estado.
Marcos Rocha (União Brasil), que foi reeleito em outubro, enviou à Assembleia Legislativa em 2021 um projeto de lei que reduzia a área protegida de diversas reservas ambientais.
Deputados estaduais, por sua vez, incluíram emendas que geraram críticas do próprio governador, que julgou a lei “o maior retrocesso ambiental de Rondônia”. Mesmo assim, horas depois, ele decidiu sancionar a lei aprovada na Assembleia, que retirava a proteção de quase 200 mil hectares.
A decisão, entre outros impactos, praticamente extinguia a Reserva Extrativista Jaci-Panará, que perderia 88% de seu território. O próprio governo estima que há mais de 120 mil cabeças de gado nessa terra pública, o que revela uma ocupação de grandes pecuaristas.
O Parque Estadual Guarajá-Mirim, onde há presença de indígenas isolados, também seria afetado pela nova lei, que acabou sendo derrubada meses depois por decisão judicial que a considerou inconstitucional.
Mesmo assim, grileiros e madeireiros seguiram avançando por esses territórios, segundo ambientalistas e indígenas, por confiarem na falta de fiscalização nessas áreas.
Mas, tudo isso vai mudar, e Marina Silva deve dar início a uma série de ações coordenadas contra os invasores, o que certamente vai gerar uma onda de protestos no Estado, considerado o ‘mais bolsonarista’ do país.
Certamente o Ibama será um dos órgãos mais fortalecidos na nova gestão de Marina Silva. Lula assumiu compromissos de desmatamento zero com vários países que financiam a preservação das florestas e dinheiro para as operações não vai faltar.
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