Crise no volante: Brasil perde 1,2 milhão de motoristas e logística enfrenta gargalo histórico
Com frota crescendo e demanda aquecida, falta de profissionais qualificados pressiona custos, atrasa entregas e exige estratégia nacional de formação e valorização
O setor de transporte e logística brasileiro vive um paradoxo crítico: enquanto a demanda por serviços de carga cresce impulsionada pelo comércio eletrônico e pela integração das cadeias globais, a força de trabalho essencial para mover o país encolhe. Dados da consultoria Ilos indicam que, na última década, o Brasil registrou uma redução de aproximadamente 22% no contingente de motoristas de caminhão habilitados. Entre 2015 e 2025, o país perdeu cerca de 1,2 milhão de profissionais, caindo de 5,6 milhões para aproximadamente 4,4 milhões hoje.
Este cenário de escassez colide frontalmente com a realidade da matriz de transportes nacional, onde cerca de 65% de toda a carga movimentada depende do modal rodoviário. A discrepância entre a oferta de mão de obra e a necessidade operacional gera um gargalo estrutural que começa a cobrar seu preço na economia real.
O envelhecimento da categoria e o apagão geracional
Um dos fatores mais alarmantes apontados por relatórios do setor é o perfil etário da força de trabalho. Uma proporção significativa dos motoristas ativos possui mais de 55 anos, o que projeta uma onda de aposentadorias para os próximos cinco anos. Estima-se que, sem uma reposição adequada, até 3,4 milhões de motoristas possam deixar a atividade nesse período, agravando exponencialmente a falta de profissionais.
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