CSN recebe ofertas vinculantes e entra na fase decisiva da venda da CSN Cimentos
Siderúrgica recebe propostas finais por braço de cimento em operação que pode injetar até R$ 16,2 bi; Fitch reduziu nota para CCC+ e dívida líquida deve atingir R$ 44 bi no 2º tri
📋 Em resumo ▾
- A CSN entrou na fase decisiva da venda integral da CSN Cimentos após receber ofertas vinculantes de investidores interessados
- O plano de desalavancagem prevê arrecadar entre R$ 15 bi e R$ 18 bi em 2026; a venda do braço de cimento + 25% de infraestrutura pode injetar R$ 16,2 bi
- A Fitch reduziu a nota da CSN de B para CCC+, mantendo avaliação sob observação negativa devido a endividamento elevado e fraca capacidade de caixa
- A dívida líquida do grupo deve atingir R$ 44 bi no 2º tri de 2026, ante R$ 40,5 bi no 1º tri e R$ 35,8 bi no mesmo período de 2025
- O balanço do 2º trimestre será divulgado no dia 12 de agosto
- Por que isso importa: A transação é a última chance da CSN de evitar uma reestruturação de dívida forçada; sem ela, a siderúrgica pode enfrentar default
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou nesta segunda-feira (10) que entrou na fase decisiva do processo de alienação integral da CSN Cimentos, após receber ofertas vinculantes de investidores interessados. A etapa de análise das propostas pela diretoria cumpre as fases previstas desde o lançamento do projeto, em janeiro de 2026, embora a empresa não tenha divulgado os participantes, as quantias envolvidas ou a data limite para a assinatura do contrato final.
A venda que pode salvar a CSN da insolvência
A transação ocorre em um cenário de deterioração severa do perfil de crédito do grupo siderúrgico. A agência de classificação de risco Fitch reduziu a nota da companhia de B para CCC+, mantendo a avaliação sob observação negativa. A justificativa: elevado endividamento, custos financeiros expressivos e fraca capacidade de caixa. Os analistas da Fitch apontam que a reestruturação das obrigações financeiras da empresa depende diretamente do êxito de seu plano de desalavancagem.
O plano estratégico da CSN prevê arrecadar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões em 2026 por meio da venda de ativos, o que inclui a divisão de cimento e fatias em infraestrutura. Estimativas do mercado indicam que a venda total do braço de cimentos, somada à comercialização de 25% do segmento de infraestrutura, pode injetar aproximadamente R$ 16,2 bilhões no caixa do grupo.
Esses valores, contudo, ainda não foram incorporados às notas de risco da empresa por falta de conclusão formal dos acordos.
A dívida que não para de crescer
Os compromissos financeiros do grupo mantiveram trajetória de alta ao longo dos últimos trimestres. Após fechar o primeiro trimestre de 2026 com dívida líquida de R$ 40,5 bilhões — valor superior aos R$ 35,8 bilhões apurados no mesmo período de 2025, porém levemente abaixo dos R$ 41,2 bilhões do fim de 2025 —, projeções preliminares indicam que a dívida líquida ajustada atingirá R$ 44 bilhões no encerramento da primeira metade do ano.
O balanço oficial do segundo trimestre será divulgado ao mercado no dia 12 de agosto.
Quem pode comprar a CSN Cimentos
A CSN Cimentos é um dos maiores players do setor no Brasil, com capacidade instalada significativa e presença em várias regiões do país. O braço de cimento foi colocado à venda como parte do plano de desalavancagem do grupo controlado por Benjamin Steinbruch.
Os potenciais compradores incluem grandes grupos do setor de construção e materiais de construção, tanto nacionais quanto internacionais. Entre os nomes ventilados pelo mercado estão a Votorantim Cimentos, a InterCement e fundos de private equity com apetite por ativos de infraestrutura no Brasil. A ausência de divulgação dos participantes pela CSN, contudo, mantém o mercado em especulação.
O que está em jogo
A venda da CSN Cimentos não é apenas uma operação de desinvestimento. É, para a CSN, a última linha de defesa contra uma reestruturação de dívida forçada — ou até mesmo um default. Com nota CCC+, a empresa está a um degrau do que as agências de rating consideram "alto risco de default" (CC e C).
O mercado financeiro acompanha de perto o desfecho da operação. Se a venda for concluída nos próximos meses e os recursos forem efetivamente aplicados na redução da dívida, a CSN pode ganhar fôlego para renegociar seus compromissos. Se a operação fracassar — ou se os valores arrecadados forem inferiores ao necessário —, a siderúrgica pode enfrentar uma das maiores crises de sua história.
A pergunta que a fase decisiva da venda deixa no ar é: se a CSN Cimentos vale R$ 16 bilhões, por que a CSN esperou até a nota cair para CCC+ para vendê-la? E se o comprador souber que a vendedora está desesperada, quanto de desconto exigirá — e quanto de valor os acionistas da CSN estarão dispostos a perder para sobreviver?
Versão em áudio disponível no topo do post.