Datafolha: Lula tem 39% e Flávio Bolsonaro, 33% no 1º turno
Levantamento mostra empate técnico no 2º turno e revela que 72% dos eleitores já definiram seu candidato, enquanto 27% permanecem indecisos
📋 Em resumo ▾
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 39% das intenções de voto no 1º turno, à frente de Flávio Bolsonaro (PL), com 33%.
- Em cenário de 2º turno, os dois candidatos empatam tecnicamente, com 47% para o petista e 43% para o senador, dentro da margem de erro.
- O Datafolha indica que 72% dos eleitores já estão totalmente decididos sobre seu voto para a Presidência.
- A margem de indecisão é maior entre os eleitores de Flávio (22% podem mudar) do que entre os de Lula (18%).
- Por que isso importa: O acirramento técnico e o percentual de indecisos definem o campo de batalha eleitoral e a estratégia de persuasão para os próximos meses
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança na intenção de voto para o primeiro turno das eleições de 2026, com 39%, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 33%, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (21). O levantamento, encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo, revela ainda um empate técnico em um eventual segundo turno e um eleitorado majoritariamente decidido, mas com uma fatia crucial que ainda pode mudar de opinião.
A matemática do primeiro turno e o empate técnico
No cenário estimulado para o primeiro turno, o petista abre seis pontos de vantagem sobre seu principal adversário. Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 5%, seguido por Renan Santos com 4%, Romeu Zema com 3% e Augusto Cury com 2%.
A projeção para um eventual segundo turno, no entanto, aponta para um cenário de extrema polarização e disputa acirrada. Lula somaria 47% das intenções de voto, contra 43% de Flávio Bolsonaro. Dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois candidatos estão tecnicamente empatados.
O peso dos indecisos na balança eleitoral
Um dos dados mais estratégicos do levantamento reside na decisão do voto. O Datafolha indica que 72% dos eleitores ouvidos afirmam estar totalmente decididos sobre a escolha para a Presidência. Por outro lado, 27% do total admitem que ainda podem mudar de escolha.
Essa parcela, embora minoritária em porcentagem, representa um volume absoluto de votos capaz de alterar o destino de uma eleição com margens tão estreitas. A disputa não se dará pela conversão do eleitorado convicto do adversário, mas pela conquista metodológica dessa fatia volátil que ainda não fechou seu veredito.
A solidez das bases e o desafio da persuasão
A análise detalhada por candidato revela nuances importantes sobre a solidez de suas bases. Entre os eleitores que pretendem votar em Lula, 82% afirmam estar decididos, demonstrando uma base mais blindada e menos propensa a oscilações.
Já entre os que optam por Flávio Bolsonaro, 78% estão decididos, o que significa que 22% de seu eleitorado atual ainda flutua e pode ser capturado por outras candidaturas do primeiro turno ou pela abstenção. Essa assimetria impõe desafios distintos: a campanha do planalto precisa evitar a erosão natural de um governo em fim de mandato, enquanto a oposição precisa transformar a insatisfação difusa em uma alternativa palatável e coerente.
Contexto metodológico e cenário político
A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 20 de agosto de 2026, ouvindo 2.058 pessoas de 16 anos ou mais em todos os estados e no Distrito Federal. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confere validade estatística aos números, que refletem um momento de transição na campanha.
A presença de nomes como Caiado e Zema no primeiro turno fragmenta parte do eleitorado de centro e de direita, mas o segundo turno cristaliza a polarização histórica que tem definido a política brasileira na última década.
O relógio da persuasão e o custo do voto
O cenário desenhado pelo Datafolha impõe uma pergunta estratégica às duas campanhas: como mobilizar os 27% que ainda não fecharam seu veredito sem alienar a base já conquistada?
A eleição de 2026 não será decidida nos extremos ideológicos, mas no centro gravitacional daqueles que ainda seguram o lápis sobre a urna. A capacidade de narrar um futuro convincente para esse grupo específico será o verdadeiro termômetro de quem ocupará o Palácio do Planalto.
Versão em áudio disponível no topo do post.