Depois da Fictor no Palmeiras, a EQR Capital estampa a camisa do Santos sem pagar investidores
Veja a análise de Jorge Calazans sobre o contrato do Santos com a EQR Capital
📋 Em resumo ▾
- Patrocínio sob Investigação: A EQR Capital firmou contrato de R$ 5 milhões com o Santos FC prometendo 30% de rentabilidade anual, mas seus controladores são alvo de investigações por estelionato (Polícia Civil) e crimes contra o sistema financeiro (MPF).
- Padrão Histórico: O episódio repete um erro de 2000, quando o próprio Santos estampou a marca do Alpha Club (pirâmide financeira) em sua camisa mesmo sob investigação do Ministério Público.
- Alertas de Fraude: A estrutura da EQR reprova em filtros básicos: captação fora da regulação da CVM (mútuos e debêntures), salto do capital social de R$ 40 mil para R$ 100 milhões e transferência de controle para uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas.
- Garantias Inexistentes:
- Investidores relatam recebimento de rendimentos iniciais, mas impossibilidade de resgatar o principal, com as supostas garantias imobiliárias inexistentes nos cartórios.
- Por que isso importa: A omissão dos clubes em realizar due diligence transforma a confiança do torcedor em moeda de troca para validar operações financeiras questionáveis, ampliando o dano social das fraudes.
A EQR Capital fechou contrato de patrocínio master com o Santos Futebol Clube prometendo aos investidores rentabilidade de até 30% ao ano. A garantia, segundo seus próprios diretores, seria única no mercado: imóveis reais por trás de cada aplicação.
O acordo, firmado por R$ 5 milhões, colocou o nome da empresa na camisa de um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro justamente quando as primeiras reclamações de investidores começavam a ganhar visibilidade. Hoje, os controladores da EQR são alvo de duas investigações distintas: uma conduzida pela Polícia Civil por suspeita de estelionato e outra na esfera federal, aberta a pedido do Ministério Público Federal, para apurar possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional.
O episódio está longe de ser uma novidade no futebol brasileiro. Antes da EQR, a Fictor ocupou espaço semelhante ao estampar a camisa do Palmeiras enquanto oferecia investimentos com promessas de elevada rentabilidade por meio de Sociedades em Conta de Participação, modelo que não se submete à regulação da Comissão de Valores Mobiliários. O resultado é conhecido. A empresa acumula atualmente mais de R$ 4 bilhões em dívidas e cerca de 13 mil credores, depois de utilizar a credibilidade associada à marca do clube para transmitir uma sensação de segurança que os fatos posteriores demonstraram inexistente.
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