Desembargadora pede vista e suspende julgamento sobre cassação de Moro; com placar de 1 a 1
Moro e os suplentes respondem por abuso de poder econômico na pré-campanha eleitoral de 2022

O segundo dia de julgamento das duas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs) que pedem a cassação do mandato do senador Sergio Moro (União Brasil) terminou com um empate após o desembargador eleitoral José Rodrigo Sade votar pela perda do mandato e pela inelegibilidade.
O julgamento será retomado na próxima segunda-feira (8).
No voto, o desembargador eleitoral José Rodrigo Sade considerou como parcialmente procedente os processos para cassar o mandato de Moro e os suplentes, declarar a ilegibilidade por 8 anos a contar a partir de 2022 e a realização de novas eleições, após trânsito em julgado dos processos que confirmem a cassação.
O desembargador chamou o julgamento no TRE-PR de "VAR das eleições", fazendo referência ao Árbitro Assistente de Vídeo usado em partidas de futebol, e o classificou como um "caso difícil".
Ele apresentou premissas que embasaram o voto dele. Entre elas, Sade reforçou o uso das redes sociais na pré-campanha de Moro. Para ele, não se pode falar em limites geográficos quando se trata de internet.
Por conta da amplitude causada pelas redes sociais, o desembargador considerou que a campanha de Moro à presidência, feita em outros estados, teve impacto no Paraná.
O desembargador citou ainda a cassação do mandato da senadora Selma Arruda, no Mato Grosso. A Justiça Eleitoral considerou que Selma não registrou gastos de R$ 1,2 milhão na contabilidade da campanha.
Sade comparou a situação de Moro com a da parlamentar cassada. No primeiro dia do julgamento, o caso dela foi citado tanto pelos advogados dos partidos que pedem a cassação – que compararam a situação –, quanto pela defesa de Moro – que reforçou serem situações diferentes.
A fala de Sade fez um aceno a fala do desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, relator do processo.
O relator afirmou no voto, ainda no primeiro dia, que os casos não guardavam "nenhuma relação".
