Painel Rondônia

Dez anos depois, PF reabre investigação sobre execuções no campo em RO

Federalização pelo STJ permite avanço em casos de lideranças rurais assassinadas entre 2009 e 2016; operação busca provas em três municípios e aponta possível envolvimento de agentes públicos

Dez anos depois, PF reabre investigação sobre execuções no campo em RO
📋 Em resumo
  • Em resumo
  • Polícia Federal e MPF cumprem nove mandados de busca e apreensão em Porto Velho, Candeias do Jamari e Ji-Paraná para apurar oito homicídios ligados a conflitos agrários.
  • Vítimas eram lideranças camponesas que denunciavam grilagem e crimes ambientais; casos permaneciam sem solução há mais de dez anos.
  • STJ federalizou as investigações após PGR apontar incapacidade do estado em responsabilizar mandantes e possível envolvimento de agentes de segurança.
  • Por que isso importa: a operação sinaliza mudança de patamar no combate à impunidade em conflitos fundiários na Amazônia, com repercussão direta para políticas de segurança pública e regularização de terras.
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A Polícia Federal (PF), em ação conjunta com o Ministério Público Federal (MPF), deflagrou nesta terça-feira (14) operação para investigar a morte de oito trabalhadores rurais e lideranças camponesas em Rondônia, vítimas de homicídios praticados entre 2009 e 2016 em contexto de conflito agrário. Com nove mandados de busca e apreensão cumpridos em Porto Velho, Candeias do Jamari e Ji-Paraná, a ação busca reunir provas, identificar autores e esclarecer circunstâncias de crimes que permaneciam sem solução há mais de uma década.

Federalização: por que a PF assumiu casos estaduais

A investigação passou para a competência da Polícia Federal por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) que apontou "incapacidade" do estado em responsabilizar os mandantes dos assassinatos e dificuldades em obter informações atualizadas dos inquéritos estaduais. A procuradoria destacou ainda que agentes da segurança pública são suspeitos de envolvimento nas mortes de militantes sociais no período, o que teria contribuído para a estagnação das apurações."A federalização não é apenas mudança de competência: é reconhecimento de que estruturas locais podem estar comprometidas com a impunidade em conflitos que envolvem terra, madeira e poder", analisa fonte do MPF ouvida pelo Painel Político com base em documentos públicos.A medida permite acesso a recursos federais, integração com bases nacionais de inteligência e maior blindagem contra interferências locais — fatores considerados essenciais para avançar em casos complexos como estes.

Perfil das vítimas e contexto dos crimes

As oito vítimas investigadas são: Renato Nathan Gonçalves, Gilson Gonçalves, Élcio Machado, Dinhana Nink, Gilberto Tiago Brandão, Isaque Dias Ferreira, Edilene Mateus Porto e Daniel Roberto Stivanin. Todas estavam envolvidas em denúncias relacionadas à ocupação ilegal de terras e a atividades ambientais criminosas, além de integrarem movimentos de defesa de trabalhadores rurais no campo rondoniense.Os crimes ocorreram nos municípios de Buritis, Nova Mamoré, Porto Velho, Machadinho D'Oeste, Alto Paraíso e Ariquemes — região marcada por disputas fundiárias históricas, pressão do agronegócio e expansão de atividades ilegais como extração de madeira e grilagem.

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