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DNA liga Ted Bundy a assassinato de adolescente de 17 anos em 1974

Melissa Ann Smith, filha de um chefe de polícia, foi morta em 1974. O anúncio saiu exatamente 52 anos depois de o corpo dela ser encontrado

DNA liga Ted Bundy a assassinato de adolescente de 17 anos em 1974
📷 Bettmann Archive/Getty Images
📋 Em resumo ▾
  • Autoridades de Utah, nos EUA, anunciaram nesta terça (27/10) que o assassino em série Ted Bundy foi o responsável pela morte de Melissa Ann Smith, de 17 anos, em 1974.
  • A conclusão veio de exame de DNA feito com uma tecnologia nova, que consegue montar perfis genéticos a partir de amostras antigas e degradadas.
  • O anúncio foi feito exatamente 52 anos depois de o corpo da jovem ser encontrado, em 27 de outubro de 1974.
  • É o segundo caso antigo ligado a Bundy e encerrado em Utah em 2026.
  • Por que isso importa: a ciência forense está conseguindo resolver crimes de mais de 50 anos. Ainda há pelo menos três mortes em Utah que as autoridades suspeitam ter ligação com Bundy.
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Autoridades do estado de Utah, nos Estados Unidos, anunciaram nesta terça-feira (27/10) que o assassino em série Ted Bundy foi o responsável pela morte de Melissa Ann Smith, de 17 anos, em 1974. A conclusão foi apresentada em entrevista coletiva em Park City e se baseia em novos exames de DNA. As informações são da agência Associated Press (AP) e do jornal The Salt Lake Tribune.

O anúncio foi feito no mesmo dia em que, 52 anos antes, um caçador encontrou o corpo da jovem numa área de mata em Summit Park, perto de Park City.

Quem era Melissa Ann Smith

Melissa morava em Midvale, cidade da região de Salt Lake City. Ela era filha do chefe de polícia da cidade, Louis S. Smith.

  1. Ela desapareceu em 18 de outubro de 1974, depois de se despedir de uma amiga numa pizzaria em Midvale. Ainda foi vista num restaurante em Murray, cidade vizinha.
  2. O corpo foi encontrado nove dias depois, em 27 de outubro de 1974.
  3. Ninguém foi apontado como suspeito, e o caso nunca foi oficialmente encerrado.


O pai de Melissa morreu em 1985, a mãe em 2024 e a irmã em 2014. Segundo o xerife do condado, os familiares que restam foram avisados da conclusão, mas preferiram não ir à coletiva nem falar com a imprensa.

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Como o DNA ligou o caso a Bundy

Em 2023, o laboratório criminal de Utah passou a usar uma nova tecnologia de genotipagem. Ela consegue montar perfis completos de DNA a partir de amostras pequenas, degradadas ou misturadas, como as de casos com décadas.

O caminho foi este:

  1. Os investigadores compararam o DNA encontrado no corpo de Melissa com o de Laura Ann Aime, outra adolescente morta em Utah em 1974. O caso dela foi atribuído a Bundy em abril de 2026.
  2. Em 14 de julho, houve correspondência entre as amostras.
  3. O DNA também foi comparado com o perfil genético completo de Bundy, guardado na Flórida, onde ele foi condenado e executado.


A procuradora do condado de Summit, Margaret Olson, afirmou que a conclusão não se baseou só no DNA:

“Essa evidência de DNA, considerada junto com as evidências relacionadas a padrão, motivo, meios e oportunidade”, levou os investigadores a concluir que Bundy foi o assassino.
— Margaret Olson, procuradora do condado de Summit (tradução livre)

Segundo o Salt Lake Tribune, a polícia já investigava uma possível ligação entre a morte de Melissa e Bundy desde 1976.

“Não fecha o livro de Ted Bundy”

Outras autoridades de Utah também falaram na coletiva:

  1. Rosie Rivera, xerife do condado de Salt Lake, disse que o caso “demonstra a importância de preservar as evidências”.
  2. Mike Reynolds, sargento do condado de Utah, disse: “A cada caso encerrado, que a gente apague a memória de Ted Bundy”.
  3. O detetive Ben Pender avisou que solucionar o caso de Melissa “não fecha o livro de Ted Bundy”.


As autoridades ainda investigam outras mortes em Utah que podem ter ligação com ele, entre elas as de Nancy Wilcox, de 16 anos, considerada a primeira vítima de Bundy no estado, Susan Curtis, de 15 anos, e Deborah Smith.

Quem foi Ted Bundy

Theodore “Ted” Bundy é um dos assassinos em série mais conhecidos da história dos EUA:

  1. ele matou pelo menos 30 mulheres e meninas na década de 1970, em estados como Washington, Utah, Colorado, Idaho e Flórida;
  2. foi preso na Flórida em fevereiro de 1978 e condenado por três assassinatos no estado;
  3. foi executado na cadeira elétrica em 24 de janeiro de 1989;
  4. nos últimos dias de vida, confessou vários crimes, alguns desconhecidos da polícia. Nem todas as confissões foram confirmadas.

Em Utah, as autoridades acreditam que ele matou pelo menos cinco, e talvez até oito, jovens.

Mais de meio século depois, a família de Melissa Ann Smith tem uma resposta que o pai dela, chefe de polícia, não viveu para ouvir. O caso mostra como a preservação de provas e o avanço da genética forense estão reabrindo crimes que pareciam sem solução. Ele também mostra quanto a história de Bundy ainda está incompleta: cada novo caso fechado lembra que podem existir vítimas que nunca foram contadas.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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