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Documentos revelam que advogado de Flávio Bolsonaro lucrou R$ 67 milhões com empresa de bets

Repasse de lucros da Embrasis confirma que o advogado Willer Tomaz é dono da RioPag, que teve o monopólio de intermediação de pagamentos a bets no Rio sob o governo Cláudio Castro

Documentos revelam que advogado de Flávio Bolsonaro lucrou R$ 67 milhões com empresa de bets
📷 Reprodução
📋 Em resumo ▾
  • A Embrasis distribuiu R$ 67,79 milhões em lucros a Willer Tomaz em 2024, segundo documentos obtidos pelo ICL e confirmados pela coluna de Demétrio Vecchioli, no Metrópoles
  • O repasse contradiz declaração anterior do advogado, que dizia receber "dividendos irrisórios" de um fundo com participação indireta na RioPag
  • A RioPag teve o monopólio de intermediação de pagamentos a bets no Rio de Janeiro até sumir com R$ 20 milhões da Loterj, o que levou à rescisão do contrato
  • Por que isso importa: o caso envolve concessão pública, documentos protegidos por sigilo fiscal e bancário, e uma representação criminal já protocolada pelo próprio Willer Tomaz contra os jornalistas responsáveis pela reportagem
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A Empresa Brasileira de Sistemas de Computação (Embrasis) distribuiu R$ 67,79 milhões em lucros, em 2024, ao advogado Willer Tomaz, um de seus sócios — valor que, segundo a coluna de Demétrio Vecchioli no Metrópoles, representou sua principal fonte de renda naquele ano. A informação, segundo a coluna, confirma que Willer é dono da RioPag, empresa que teve o monopólio para intermediar pagamentos entre apostadores e casas de apostas no Rio de Janeiro.

O monopólio e a ligação com o governo Castro

Esse monopólio foi garantido pela gestão do governador Cláudio Castro (PL) e só foi rompido neste mês, depois que a RioPag — segundo revelou a mesma coluna em julho — sumiu com R$ 20 milhões pertencentes à Loteria do Estado do Rio (Loterj). A reportagem descreve que a Embrasis controla outra sociedade anônima, a Capital Pretium, única dona da RioPag — uma cadeia societária que, segundo a coluna, demonstra que Willer se beneficiava financeiramente como dono ou um dos donos da RioPag, ao contrário do que ele próprio afirmara publicamente em julho, quando disse à reportagem ser apenas acionista de um fundo com participação indireta e minoritária.

É importante marcar a diferença entre o que é apurado e o que é interpretação da coluna: a distribuição de R$ 67,79 milhões é um dado documental, segundo a reportagem; já a conclusão de que isso faz de Willer "dono" da RioPag é uma leitura da coluna sobre esse dado — ainda que apoiada na estrutura societária descrita.

Segundo a reportagem, a RioPag venceu a concorrência para o serviço depois que a proposta mais vantajosa, da empresa Idea Maker, foi desclassificada por ter apresentado sua oferta com dois dígitos decimais em vez dos três exigidos no edital — fato já noticiado pela Folha de S.Paulo em 2024. A coluna acrescenta que o governador Castro era, à época, defendido por Eugênio Aragão, sócio de Willer em um escritório de advocacia, e que Willer atuou em causas ao lado de Hazenclever Cançado, então presidente da Loterj — informações que a coluna apresenta como indícios de proximidade, não como prova de irregularidade no processo de licitação em si.

Apostas bilionárias e possível conflito de interesse

Em reportagem publicada um dia antes pelo mesmo veículo, Willer Tomaz teria movimentado R$ 10 bilhões em apostas em 2025 na casa de apostas Blaze, com o total chegando a R$ 13 bilhões até junho de 2026, segundo a coluna — e perdido R$ 144 milhões no período, valor que ele tenta reaver judicialmente alegando ludopatia (transtorno de jogo compulsivo). A coluna também relata que diálogos entre Willer e um "concierge" da Blaze, juntados aos autos pelo próprio advogado, mostram a casa de apostas sugerindo o uso de criptomoedas — prática vedada pela legislação federal — e dispensando Willer do reconhecimento facial obrigatório nas movimentações.

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A coluna chama atenção para o fato de a Embrasis, empresa da qual Willer é apontado como dono, vender serviços de reconhecimento facial para jogos on-line — ao mesmo tempo em que ele, como pessoa física, teria driblado essa mesma exigência ao apostar na Blaze. Essa é uma contradição apontada pela reportagem a partir de documentos judiciais citados; não há, até aqui, decisão judicial confirmando irregularidade.

A resposta de Willer Tomaz

Procurado pela coluna, Willer Tomaz respondeu por nota:

"O advogado Willer Tomaz informa que não comentará informações obtidas a partir de documentos protegidos por sigilo fiscal e bancário. A divulgação indevida de dados dessa natureza é crime."

Na mesma nota, ele informou ter protocolado representação criminal no Ministério Público Federal contra os jornalistas responsáveis pela reportagem original, do ICL, para apurar a origem e o acesso aos documentos sigilosos. Essa representação é uma medida anunciada por ele, ainda sem desfecho conhecido — não uma constatação de que houve crime na obtenção dos documentos.

Contexto e antecedentes

O caso se soma a outras reportagens da coluna de Demétrio Vecchioli sobre a atuação de Willer Tomaz à frente da RioPag e sua relação com a Blaze, incluindo a rescisão do contrato da empresa com a Loterj após o desaparecimento de recursos públicos.

Enquanto Willer Tomaz nega comentar os documentos e mira os jornalistas que os divulgaram, a pergunta que resta em aberto é a mesma que motivou a reportagem: se ele próprio diz ter recebido "dividendos irrisórios" da estrutura ligada à RioPag, por que a Embrasis lhe distribuiu R$ 67,79 milhões em um único ano?

Versão em áudio disponível no topo do post.

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