Dois suspeitos são presos por morte de advogado em Xique-Xique (BA)
Gabriel da Silva Alves, 31 anos, foi encontrado morto após uma semana de buscas; Polícia Civil confirma prisões, mas mantém autoria e motivação em sigilo.
📋 Em resumo ▾
- Duas pessoas foram presas suspeitas de participar da morte do advogado Gabriel da Silva Alves, 31 anos, em Xique-Xique, no oeste da Bahia.
- Gabriel foi visto vivo por última vez em 22 de agosto, ao sair de moto de um bar; o corpo só foi localizado sete dias depois, em área de mata de difícil acesso.
- A Polícia Civil confirmou as prisões à TV Oeste, mas não revelou quando ocorreram nem detalhou autoria ou motivação do crime.
- O caso é o segundo assassinato de advogado no interior da Bahia em menos de um mês, após a morte de Diego Fraga de Castro em Jeremoabo.
- Por que isso importa: a sequência de crimes contra advogados no interior baiano reabre o debate sobre segurança da advocacia fora dos grandes centros e sobre a transparência das investigações policiais.
A Polícia Civil da Bahia prendeu duas pessoas suspeitas de participar da morte do advogado Gabriel da Silva Alves, de 31 anos, em Xique-Xique, no oeste do estado. Duas pessoas foram presas suspeitas de participação na morte do advogado Gabriel da Silva Alves, em Xique-Xique, no oeste da Bahia. O corpo dele havia sido encontrado no fim de semana anterior, após sete dias de buscas mobilizarem família, amigos e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
As prisões foram confirmadas à TV Oeste, afiliada da TV Bahia, por uma fonte da Polícia Civil, mas não há detalhes de quando os suspeitos foram detidos. À reportagem do Bahia Notícias, a corporação informou apenas que "as diligências seguem em andamento, para esclarecimento dos fatos" e que "demais detalhes não serão fornecidos para não atrapalhar o curso das investigações".
Confraternização, ligação cortada e desaparecimento
Gabriel foi visto vivo pela última vez na noite de sábado, 22 de agosto, quando participava de uma confraternização com amigos em um bar de Xique-Xique. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ele deixou o estabelecimento, localizado nas proximidades do bairro BNH Velho, e, segundo familiares, o advogado saiu do local pilotando a própria motocicleta. Antes de desaparecer, ele tentou falar ao telefone com um amigo. Pouco antes de desaparecer, tentou contato telefônico com um amigo, mas a ligação apresentava forte interferência e o interlocutor não conseguiu compreender o que ele falava. Depois desse contato, Gabriel não foi mais visto. A família registrou o desaparecimento e passou a organizar buscas próprias pela região. Familiares e amigos percorreram áreas de caatinga, utilizaram uma canoa para fazer buscas no rio e foram até casas ribeirinhas em busca de informações. Em depoimento à imprensa local, o pai do advogado, Ildemar Belarmino Alves, resumiu o esforço:"Fomos e moto, de bicicleta, dentro da caatinga e ninguém encontra. Colocaram uma canoa no rio para procurá-lo, foram nas casas ribeirinhas e ninguém tem notícias. Olhamos câmeras da cidade" (Ildemar Belarmino Alves, pai da vítima, à TV Oeste).A família chegou a oferecer recompensa em dinheiro por informações sobre o paradeiro do advogado. A família também chegou a oferecer uma recompensa de R$ 5 mil para quem fornecesse informações que ajudassem a localizar o advogado.
Moto encontrada dentro de buraco, cinco dias depois
Na quinta-feira, 27 de agosto, cinco dias após o desaparecimento, as buscas tiveram o primeiro avanço concreto. A motocicleta utilizada pelo advogado foi encontrada dentro de um buraco em uma área de mata, na zona rural de Xique-Xique, e, próximo ao veículo, também foram localizados um par de óculos e sandálias que pertenciam a Gabriel. Ainda não havia sinal do advogado.Prisões um dia antes do corpo ser achado
O avanço mais decisivo veio na sexta-feira, 28 de agosto, ainda antes de o corpo ser localizado. A polícia prendeu suspeitos de envolvimento no desaparecimento do advogado durante o avanço das investigações sobre o paradeiro do profissional, após realizar diligências em imóveis ligados a pessoas relacionadas aos investigados. Segundo apuração local, a polícia também seguia realizando buscas para tentar localizar outras pessoas que pudessem ter participação no caso, incluindo uma mulher, e a atuação de cada um dos detidos ainda seria esclarecida ao longo da investigação. O corpo foi encontrado na manhã do sábado seguinte, 29 de agosto, em uma área de difícil acesso conhecida como Caé, após uma mobilização que reuniu cerca de 80 pessoas entre familiares, amigos e equipes de segurança. O cadáver estava em avançado estado de decomposição. Próximo ao local, equipes localizaram documentos pessoais e o celular da vítima, que estava danificado. Segundo apurado por veículos locais, valores da conta bancária do advogado teriam sido sacados após o desaparecimento — uma possível ligação com o crime que ainda depende de confirmação da polícia.OAB confirma homicídio e cobra investigação
A confirmação oficial da morte partiu da própria entidade de classe. A OAB da Bahia confirmou a morte e informou que ele foi vítima de homicídio. Em nota, a seccional lamentou a perda e cobrou rigor na apuração:"Seguiremos cobrando empenho das autoridades nas investigações para identificar a motivação e os responsáveis por este crime absurdo" (OAB-BA e Subseção de Irecê).Gabriel era advogado há três anos e já havia sido secretário-geral da Comissão de Prerrogativas e Fiscalização do Exercício Profissional da Subseção de Irecê da OAB. O velório ocorreu no domingo, 30 de agosto, e o corpo foi sepultado sob forte comoção no cemitério do bairro BNH Novo, em Xique-Xique. A Prefeitura e a Câmara Municipal também divulgaram notas de pesar.
Segundo advogado morto na Bahia em menos de um mês
O crime em Xique-Xique não é isolado no calendário recente do estado. A morte de Gabriel ocorre no mesmo mês em que outro advogado, Diego Fraga de Castro, de 41 anos, foi encontrado morto dentro de um veículo na zona rural de Jeremoabo, no dia 4 de agosto, com ferimentos compatíveis com disparos de arma de fogo. Na ocasião, a OAB-BA também cobrou investigação rápida sobre autoria e motivação. A repetição de casos no interior baiano em um intervalo de menos de um mês reforça a preocupação da entidade de classe com a segurança de advogados que atuam fora da capital, onde a exposição pessoal em cidades pequenas e o acesso mais restrito a recursos periciais podem dificultar tanto a proteção preventiva quanto a rapidez da resposta policial.O que ainda falta esclarecer
Até a publicação desta reportagem, a Polícia Civil não informou os nomes dos dois detidos, o vínculo deles com a vítima nem a motivação do crime. A corporação não divulgou informações sobre autoria ou motivação do crime, e ao g1 informou que detalhes não seriam revelados para não atrapalhar as investigações. Também não há confirmação oficial sobre a busca por uma terceira pessoa, mencionada em apurações preliminares, nem sobre a suspeita de movimentação na conta bancária do advogado. O inquérito segue sob sigilo, e a expectativa da OAB e da família é que a Justiça baiana avance rapidamente para indiciamento e denúncia formal — etapa que, até agora, não teve prazo divulgado pelas autoridades.Versão em áudio disponível no topo do post.
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