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Economia da Argentina caminha para recessão técnica no 3º trimestre

Dados mostram recuperação insuficiente em setores-chave, pressionando o governo ultraliberal às vésperas do ano eleitoral e reduzindo projeções de crescimento

Economia da Argentina caminha para recessão técnica no 3º trimestre
📷 Getty Images
📋 Em resumo ▾
  • A economia argentina apresenta sinais de desaceleração no terceiro trimestre, com risco iminente de recessão técnica.
  • Setores de construção e indústria tiveram recuperação pontual em agosto, insuficiente para reverter quedas anteriores.
  • A aprovação do presidente Javier Milei cai para 38%, com 70% da população classificando o mercado de trabalho como ruim.
  • Por que isso importa: O desempenho econômico é o principal termômetro político para o governo ultraliberal, que busca consolidar a estabilização fiscal antes das eleições de 2027.
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A economia da Argentina perde força no terceiro trimestre e caminha para registrar uma recessão técnica, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (7). A recuperação insuficiente em setores-chave pressiona o governo do presidente Javier Milei às vésperas do ano eleitoral, desafiando a narrativa oficial de estabilização econômica.

Indicadores apontam desaceleração estrutural

Dados governamentais mostram que a recuperação de agosto não compensou as quedas registradas em julho. A construção avançou 0,4% no mês, após recuar 4,4% no período anterior. A indústria, por sua vez, cresceu 1,9%, revertendo uma retração de 5,1%.

Esses dois setores são os principais empregadores formais do país e funcionam como termômetros críticos da atividade econômica real.

Revisão drástica nas projeções de crescimento

Analistas consultados pelo Banco Central argentino estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha recuado cerca de 1% no terceiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores. Seria a segunda queda trimestral consecutiva, configurando tecnicamente uma recessão. O dado oficial será divulgado em dezembro.

A deterioração do cenário levou economistas a reduzir expressivamente a previsão de crescimento para 2026. A estimativa média caiu de 3,5%, projetada no fim do ano passado, para 1,5%.

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"Os resultados de indústria e construção mostram alguma recuperação, mas não suficiente para afastar o risco de recessão", avalia Jimena Zúñiga, economista da Bloomberg Economics.

O desafio político de Milei

Desde que assumiu a Presidência, no fim de 2023, o ultraliberal Javier Milei conseguiu reduzir a inflação, que havia atingido níveis extremos. No entanto, ele enfrenta dificuldades para transformar a estabilização dos preços em crescimento consistente e melhora do mercado de trabalho.

Milei minimizou recentemente os sinais de enfraquecimento da atividade. "O crescimento anual da economia me deixa tranquilo em relação à disputa presidencial de 2027", afirmou em entrevista à Bloomberg.

A percepção da população, contudo, diverge da narrativa oficial. Pesquisa da AtlasIntel para a Bloomberg mostrou que a aprovação do presidente estava em 38% em agosto, próxima do menor nível de seu mandato. Cerca de 70% dos argentinos classificaram a situação do mercado de trabalho como ruim.

O laboratório macroeconômico regional

O caso argentino serve como um laboratório macroeconômico para a América Latina. O governo aposta que a recuperação ganhará força à medida que os efeitos das medidas de estabilização fiscal e monetária se consolidarem.

No entanto, os dados mais recentes indicam que o caminho entre a queda da inflação e uma retomada sustentada da atividade pode ser mais longo e doloroso do que o previsto, afetando diretamente a balança comercial e as relações regionais.

A narrativa de sucesso do ajuste fiscal esbarra na realidade do bolso do cidadão comum. Enquanto o governo celebra a queda da inflação, a recessão técnica ameaça corroer o capital político necessário para a reeleição.

O teste final para o modelo ultraliberal não será apenas manter as contas no azul, mas provar que a austeridade macroeconômica consegue, eventualmente, gerar emprego e renda. Caso contrário, o ano eleitoral de 2027 poderá cobrar um preço político altíssimo pela conta que a população insiste em não pagar.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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