EDITORIAL - O Brasil na encruzilhada: polarização, juros altos e a crise silenciosa do trabalho que ninguém quer ver
Com a Selic em 15%, mais de 60% das empresas sem mão de obra e a polarização antecipando a disputa de 2026, o Brasil enfrenta uma tempestade de múltiplas frentes — e sem um plano coletivo à vista

Há momentos na história de um país em que as crises não chegam uma a uma — elas chegam em bloco, se retroalimentam e constroem um labirinto do qual a saída exige mais do que boa vontade política. O Brasil de 2025 e 2026 é um desses momentos. Polarização política corrosiva, juros no maior patamar em quase duas décadas, um mercado de trabalho paradoxal e decisões institucionais que colocam em xeque o equilíbrio entre os três poderes: o cenário, visto em conjunto, é de uma nação em profunda reconfiguração — mas sem consenso sobre para onde ir.
O paradoxo do emprego pleno sem trabalhadores
Nenhum dado ilustra melhor a complexidade do momento do que este: o Brasil encerrou 2025 com a menor taxa de desemprego desde 2012 — 5,2% no trimestre encerrado em novembro, segundo a Pnad Contínua do IBGE — e, ao mesmo tempo, vive uma das maiores crises de escassez de mão de obra de sua história recente. Mais de 62% das empresas relatam problemas para preencher vagas ou manter funcionários, percentual superior ao observado no ano anterior, segundo pesquisa da FGV.
Esse paradoxo não é acidental. Ele é o resultado de pelo menos três forças simultâneas: a mudança no comportamento das novas gerações de trabalhadores, a expansão dos programas de transferência de renda e o desalinhamento estrutural entre as habilidades disponíveis e as demandadas pelo mercado.
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