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Eleição em Israel termina sem maioria e abre semanas de negociação

Bloco de Netanyahu ficou com 53 cadeiras, oposição de Eisenkot com 48 e partidos árabes bateram recorde com 19 — nenhum lado chega às 61 necessárias para governar Israel

Eleição em Israel termina sem maioria e abre semanas de negociação
📷 Maya Levin e Jewel Samad/AFP
📋 Em resumo ▾
  • Israel elegeu, em 27 de outubro, os 120 membros da 26ª Knesset, a primeira eleição desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023
  • O bloco do premiê Binyamin Netanyahu ficou com 53 cadeiras; a oposição liderada por Gadi Eisenkot, com 48; os partidos árabes somaram recorde de 19
  • Nenhum dos dois blocos principais chega às 61 cadeiras necessárias para formar governo sozinho
  • Netanyahu já sinaliza buscar um governo de unidade com Eisenkot, que publicamente descarta servir sob o premiê, inclusive em esquema de rodízio
  • O resultado final oficial está previsto para 4 de novembro; o Comitê Eleitoral já rejeitou alegações de fraude feitas por aliados de Netanyahu
  • Por que isso importa: sem maioria de nenhum dos lados, Israel entra em semanas de negociação que podem terminar em governo de unidade, coalizão minoritária apoiada por partidos árabes ou um novo impasse — com Netanyahu, o premiê mais longevo do país, tentando se manter no poder.
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Israel foi às urnas em 27 de outubro para eleger os 120 membros da 26ª Knesset — a primeira eleição no país desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Segundo o Comitê Central Eleitoral, com a apuração praticamente concluída, o bloco do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu ficou com 53 cadeiras, a oposição liderada pelo ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot (partido Yashar) obteve 48, e os partidos árabes — Lista Conjunta e Ra’am — somaram um recorde de 19 cadeiras. O comparecimento às urnas foi de 77,97%, o maior salto de participação em relação à eleição anterior. Nenhum dos dois blocos principais chega às 61 cadeiras necessárias para formar maioria sozinho. O resultado final oficial deve ser publicado em 4 de novembro, podendo haver pequenos ajustes até lá.

Como ficou o Parlamento

O Likud, partido de Netanyahu, segue como a maior legenda isolada, com 27 cadeiras — uma queda em relação à eleição anterior. Completam o bloco governista o Otzma Yehudit, de Itamar Ben-Gvir; o Sionismo Religioso, de Bezalel Smotrich; e os partidos ultraortodoxos Shas, de Arye Deri, e Judaísmo Unido da Torá. Do lado da oposição, além do Yashar de Eisenkot, estão os Democratas, de Yair Golan, e o Yisrael Beytenu, de Avigdor Liberman.

O impasse da formação de governo

Com nenhum bloco perto da maioria, o cenário político israelense entrou em semanas de negociação. Segundo reportagens da imprensa local, Netanyahu já estaria buscando viabilizar um governo de unidade com Eisenkot — possivelmente deixando os partidos ultraortodoxos fora do gabinete, o que facilitaria aprovar uma lei sobre o alistamento militar de jovens ultraortodoxos. O próprio Otzma Yehudit, de Ben-Gvir, chegou a acusar publicamente Netanyahu de preparar essa aproximação com Eisenkot. O problema é que Eisenkot já descartou publicamente servir sob Netanyahu, inclusive em um eventual acordo de rodízio no cargo de premiê.

Outro caminho discutido é uma coalizão entre Eisenkot e os partidos árabes, que juntos somariam 67 cadeiras — mas tanto o campo de Eisenkot quanto boa parte das lideranças judaicas tradicionais resistem à ideia de depender formalmente dos partidos árabes para governar. Uma alternativa mais tímida seria um governo minoritário de Eisenkot, sustentado de fora pelos parlamentares árabes sem integrar formalmente a coalizão. Enquanto isso, Liberman, do Yisrael Beytenu, teria cortado contato com figuras-chave do bloco antiNetanyahu, segundo o site indiano Organiser, complicando ainda mais a aritmética da oposição.

As acusações de fraude

Netanyahu e aliados chegaram a alegar interferência no processo eleitoral e pediram investigação sobre uma suposta influência do Catar na eleição. O Comitê Eleitoral de Israel, porém, afirmou que o pleito transcorreu dentro da lei e que não há base para alegações de interferência sistemática na integridade da votação.

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O que está em jogo além dos números

Por trás da aritmética parlamentar, a disputa também é sobre o papel do Judiciário israelense — Netanyahu e seus aliados de direita defendem retomar os esforços para limitar o poder dos tribunais, enquanto Eisenkot defende uma Justiça forte e independente — e sobre o serviço militar obrigatório para jovens ultraortodoxos, pauta que Netanyahu historicamente evitou enfrentar por depender dos partidos religiosos. Nenhum dos dois principais líderes, por ora, defende a criação de um Estado palestino em um horizonte próximo; as diferenças mais profundas entre eles estão nas instituições democráticas do país, na Cisjordânia ocupada e nas alianças externas de Israel.

Se o impasse persistir, a Knesset pode até tentar eleger um novo presidente da Casa antes mesmo de um governo estar formado — um movimento que daria à oposição controle da pauta parlamentar enquanto as negociações continuam. Por ora, Netanyahu segue no comando como premiê em exercício, mas sem a maioria que o acompanhava desde 2022.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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