Eleições 2026

Eleições já afetam decisões de 87,5% dos empresários ouvidos, aponta pesquisa

Levantamento da Resenha Company com cem executivos aponta clima de "cautela tática" para o fim do ano, com Reforma Tributária e juros altos no topo das preocupações

Eleições já afetam decisões de 87,5% dos empresários ouvidos, aponta pesquisa
📷 Painel Político
📋 Em resumo
  • Pesquisa da Resenha Company, com cem empresários e executivos de sua comunidade, aponta que 87,5% já sentem algum efeito das eleições de outubro sobre o planejamento.
  • O clima predominante é de "cautela tática": preservação de caixa e estabilidade em vez de movimentos arriscados.
  • A adaptação à Reforma Tributária lidera as preocupações (64,1%), seguida por juros altos e custo do crédito (53,1%).
  • Para 34,4%, o maior "avanço" esperado até o fim do ano é nenhum — a meta é manter a estabilidade.
  • Por que isso importa: o levantamento retrata como a indefinição eleitoral, somada a juros e Reforma Tributária, trava investimentos e contratações
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O empresariado ouvido por um novo levantamento entra no último quadrimestre de 2026 em compasso de espera. Segundo pesquisa da Resenha Company — ecossistema que reúne empresários e executivos C-level —, 87,5% dos respondentes afirmam já sentir algum efeito das eleições de outubro sobre o planejamento de suas empresas, seja por decisões próprias adiadas ou antecipadas, seja pelo comportamento mais cauteloso de clientes e fornecedores.

Antes dos números, um esclarecimento sobre o alcance do dado: o levantamento foi feito entre 10 e 17 de agosto com cem empresários e executivos da própria comunidade Resenha — não se trata, portanto, de uma amostra representativa de todo o empresariado brasileiro, mas de um retrato qualificado de um grupo específico de líderes de negócios. Com essa ressalva, os resultados oferecem um termômetro relevante do humor de um setor influente.

Como as eleições entram na conta

O cenário eleitoral aparece como fator determinante para o planejamento. Entre os respondentes, 39,1% dizem já ter sentido impacto indireto, com clientes ou fornecedores adiando decisões; 28,1% afirmam estar adiando as próprias decisões até o resultado do pleito; e 20,3% preferem antecipar decisões e investimentos antes do período eleitoral. Somadas, essas respostas formam os 87,5% que percebem, de alguma forma, a influência das eleições sobre o negócio.

Otimismo moderado, cautela no comando

Sobre as expectativas para o período de setembro a dezembro, 42,2% se declaram neutros quanto ao fechamento do ano, enquanto 37,5% se dizem otimistas ou muito otimistas. Na outra ponta, 20,3% manifestam visão pessimista ou muito pessimista.

Essa postura se confirma no tema do crescimento: para 34,4%, o maior avanço esperado até o fim do ano é "nenhum" — a prioridade é manter a estabilidade ou administrar uma eventual retração. Faturamento vem em seguida (28,1%), e a expansão do quadro de colaboradores fica em último lugar, citada por apenas 3,1% — sinal de que a contenção de custos fixos segue no radar.

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Para 34,4% dos ouvidos, o maior "avanço" esperado até dezembro é nenhum — a meta é apenas manter a estabilidade.

Reforma Tributária no topo das preocupações

Entre as maiores preocupações do momento — questão em que cada participante podia marcar até três opções —, a adaptação às mudanças da Reforma Tributária foi a mais citada, presente em 64,1% das respostas. Na sequência, aparecem os juros altos e o custo do crédito (53,1%) e o repasse de preços diante da nova estrutura tributária (43,8%). Custo de insumos e câmbio (32,8%) e escassez de mão de obra qualificada (23,4%) completam o quadro.

Para Vinicius Chechinato, fundador e CEO da Resenha Company, os dados retratam um empresário "mais maduro e estratégico diante da incerteza". "Ele não está paralisado, mas fazendo escolhas mais calculadas num cenário que combina Reforma Tributária, juros elevados e eleições no mesmo semestre. É a cautela de quem já atravessou ciclos difíceis e sabe preservar caixa", avalia. Para ele, momentos de volatilidade tornam a troca de experiências entre líderes "ainda mais estratégica para a tomada de decisão".

O pano de fundo

O retrato desenhado pela pesquisa converge com um quadro macroeconômico que o noticiário vem registrando: juros elevados pressionando o crédito, a transição da Reforma Tributária exigindo adaptação das empresas, e a tradicional cautela que antecede qualquer definição eleitoral. A combinação dos três fatores no mesmo semestre — algo que o levantamento chama de "cautela tática" — ajuda a explicar por que a contratação e a expansão ficam em segundo plano diante da preservação de caixa.

Resta a pergunta que só o calendário responde: passada a definição das urnas em outubro, a cautela dá lugar ao investimento represado, ou a adaptação à Reforma Tributária e o custo do crédito mantêm o freio puxado para 2027?


Versão em áudio disponível no topo do post.

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