Eleições 2026

Erro em texto da Exame invertia 2º lugar no agregador em Rondônia

Dados do painel interativo do agregador Inteligov/Exame mostram Adailton Fúria em 2º, com 25,6% — o dobro de Hildon Chaves, em 3º

Erro em texto da Exame invertia 2º lugar no agregador em Rondônia
📷 Reprodução
📋 Em resumo ▾
  • O painel interativo do agregador Inteligov/Exame mostra Adailton Fúria (PSD) em 2º lugar na disputa pelo governo de Rondônia, com 25,6%
  • Hildon Chaves (União) aparece em 3º, com 12,3% — menos da metade do percentual de Fúria
  • Marcos Rogério (PL) lidera com 30,9%, distância de 5,3 pontos para o 2º colocado
  • Por que isso importa: o texto original da Exame invertia essas posições; o TRE-RO apontou a divergência e determinou correção, ainda não feita pela fonte original
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O agregador de pesquisas Inteligov, divulgado em parceria com a revista Exame, coloca Adailton Fúria (PSD) em segundo lugar na disputa pelo governo de Rondônia, com 25,6% das intenções de voto, segundo o painel interativo da atualização mais recente, de 25 de setembro. Marcos Rogério (PL) lidera com 30,9%, e a distância entre os dois é de 5,3 pontos percentuais. Hildon Chaves (União) aparece em terceiro, com 12,3%, menos da metade do percentual de Fúria.

O retrato da disputa no agregador

Segundo o painel da Exame, Marcos Rogério recuou de 35,13% — patamar em que se manteve entre 22 de julho e 2 de setembro — para 30,90% na atualização mais recente. Adailton Fúria subiu de 21,20% para 26,38% no mesmo período, hoje em 25,60%. Hildon Chaves oscilou entre 8,50% e 12,96%, fixando-se em 12,34%. Na parte de baixo da tabela, Expedito Netto (PT) aparece com 5,55%, Samuel Costa (PSB) com 1,81%, e Pedro Abib (MDB) com 0,99%.

Informação insuficiente para verificar: a variação percentual por quinzena (indicador de "tendência") de cada candidato individualmente — o texto original da Exame atribuía quedas de 0,25 e 0,21 ponto a Hildon e Fúria, respectivamente, mas como a mesma matéria já invertia os dois candidatos na classificação principal, o Painel não confirma essa atribuição sem checagem adicional junto à fonte.

Como funciona um agregador

Um agregador não faz entrevistas. Ele reúne as pesquisas já divulgadas e calcula um resultado combinado. A lógica é a mesma de uma previsão do tempo feita com vários modelos: uma pesquisa isolada pode errar por causa da amostra, do método ou do dia em que foi feita; a combinação de várias tende a reduzir esses erros.

O agregador da Inteligov só considera pesquisas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Usa uma média móvel ponderada, com dois critérios: pesquisas presenciais recebem peso integral, enquanto levantamentos por telefone (URA) ou internet têm peso reduzido entre 30% e 45%; e pesquisas mais recentes pesam mais que as antigas.

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O resultado "não corresponde a uma média aritmética simples das pesquisas", segundo a Exame.

Por que a matéria original trocou os dois candidatos

O Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia apontou a divergência em decisão proferida em 28 de setembro, no processo nº 0601285-50.2026.6.22.0000, movido pela coligação que apoia Marcos Rogério contra a Exame e sete perfis de redes sociais que reproduziram a matéria. Segundo a decisão, o texto publicado pela Exame atribuía a Hildon Chaves o 2º lugar e a Fúria o 3º — exatamente o oposto do que o painel gráfico anexado à mesma matéria mostrava. O juiz determinou que a Exame corrigisse a classificação ou inserisse esclarecimento visível sobre a divergência, em até duas horas. Até a publicação desta correção, o texto da Exame permanecia inalterado.

Agregador com números corrigidos

Nota do Painel Político aos leitores

A versão original desta reportagem (com nota de atualização), publicada em 28 de setembro, seguiu o texto redacional divulgado pela revista Exame no domingo (27), que permaneceu no ar, sem alteração, até esta terça-feira (29). Os números então publicados — Hildon Chaves em 2º com 25,60% e Adailton Fúria em 3º com 12,34% — foram checados junto à própria matéria da Exame, fonte oficial do agregador Inteligov/Exame e parceira reconhecida em cobertura eleitoral. Não houve, portanto, falha de apuração da parte do Painel: o dado usado era o texto oficialmente publicado pela fonte primária do agregador, disponível ao público nesse formato por três dias seguidos.

O painel interativo do mesmo agregador, no entanto, sempre trouxe uma classificação diferente da que constava no texto — divergência que só veio à tona publicamente com a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia, no processo nº 0601285-50.2026.6.22.0000. Diante disso, o Painel Político checou diretamente a ferramenta interativa da Exame, confirmou a divergência e atualiza esta matéria para refletir os números do painel, com correção datada e visível, como manda nosso compromisso editorial com os leitores: quando um dado publicado se mostra equivocado, o Painel corrige — sempre de forma explícita, nunca de forma silenciosa. Até o momento, o Painel Político não foi notificado oficialmente pelo TRE-RO, mas, diante do recebimento, por terceiros, da decisão judicial, e em nome da transparência e do compromisso com os leitores, optamos por fazer esta correção espontaneamente..

Análise do Painel: Fúria ganha fôlego, corrida pelo 2º turno segue em aberto

Na avaliação do Painel Político, os dados corrigidos do agregador indicam uma disputa pela vaga do segundo turno mais acirrada do que o texto original da Exame sugeria — só que com Fúria, não Hildon, na posição de desafiante mais próximo de Rogério. Dois fatores sustentam essa leitura: a distância de 5,3 pontos entre Fúria e o líder é maior que a apontada inicialmente (4,9), mas ainda dentro de faixa competitiva a uma semana da eleição; e a trajetória política de Fúria, ex-prefeito de Cacoal, dá a ele uma base eleitoral consolidada em um dos principais colégios eleitorais do interior do estado. Hildon Chaves, por sua vez, aparece com menos da metade do percentual de Fúria segundo esses dados — cenário mais desafiador do que o retratado na versão anterior desta matéria.

O que está em jogo no dia 4

O primeiro turno será no domingo, 4 de outubro. Se nenhum candidato alcançar mais da metade dos votos válidos, os dois mais votados disputam o segundo turno. Com a correção dos dados, a disputa pela segunda posição — e não apenas a liderança de Rogério — se torna o ponto em aberto da reta final de campanha.

Metodologia: O agregador apresenta uma consolidação de dados que agrega todas as pesquisas eleitorais disponíveis. A análise utiliza uma Média Móvel Ponderada, que atribui pesos distintos aos resultados conforme a qualidade dos modos de abordagem: pesquisas presenciais domiciliares têm peso total, enquanto métodos como IVR/Telefone e Online sofrem reduções de 30% a 45% na sua influência estatística. A atualidade das pesquisas é crucial: o cálculo reduz em 25% o peso dos resultados a cada quinzena de caducidade. As análises aqui apresentadas têm caráter exclusivamente indicativo e não devem ser interpretadas como previsões determinísticas de resultado eleitoral. Responsável técnico: Leandro Terra Adriano, analista de risco político e doutor em Ciência Política pela Universidade de Minas Gerais (UFMG).

Versão em áudio disponível no topo do post.

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