Painel Econômico

Espirito Santo Express segue em chamas e à deriva no Atlântico

Mais de dez dias após o início do incêndio, o porta-contêineres continua abandonado no Atlântico Sul, e importadores ainda não sabem a situação das mercadorias

Espirito Santo Express segue em chamas e à deriva no Atlântico
📷 Marcelo Vieira
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  • O porta-contêineres Espirito Santo Express segue em chamas e à deriva no Atlântico Sul, mais de dez dias após o início do incêndio, em 15 de outubro, enquanto navegava de Singapura para o Porto de Santos.
  • Os 28 tripulantes abandonaram a embarcação e sobreviveram; a operação de resgate teve uma vítima — o imediato do graneleiro Aeolian Arrow, que não fazia parte da tripulação do navio incendiado.
  • A causa do incêndio ainda não foi determinada pela Seaspan, responsável pela gestão do navio; não há confirmação oficial de uma explosão anterior ao fogo, mencionada por fontes especializadas.
  • Por que isso importa: importadores brasileiros e de outros países da América do Sul ainda não sabem quais contêineres foram danificados, e podem ter que pagar uma garantia de salvamento (Salvage Security) antes de receber suas cargas — mesmo as que não sofreram dano direto.
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O porta-contêineres Espirito Santo Express continua em chamas e à deriva no Atlântico Sul, mais de dez dias após o início de um incêndio que obrigou seus 28 tripulantes a abandonar a embarcação. O navio seguia de Singapura para o Porto de Santos quando o fogo começou, em 15 de outubro. Equipes especializadas tentam controlar a ocorrência e estabilizar a embarcação, enquanto importadores aguardam informações sobre as cargas destinadas ao Brasil e a outros países da América do Sul.

Navio é classificado como “embarcação abandonada”

O aviso internacional de navegação HYDROLANT 2109/26, atualizado no sábado (25/10) e válido para domingo (26/10), mantém o Espirito Santo Express como um perigo à navegação. O documento classifica o navio como derelict vessel — termo usado para uma embarcação abandonada — e registra que ele permanece “on fire and adrift” (em chamas e à deriva), na posição 29°37.05′ S e 25°38.17′ W. O aviso é disponibilizado aos navegadores pelo SeaLagom.

Origem do incêndio ainda não foi determinada

Segundo a Seaspan, empresa responsável pela gestão da embarcação, a tripulação identificou inicialmente fumaça e, depois, fogo, em uma carga localizada na área do porão, à frente do bloco de acomodações. A empresa afirmou que ainda não determinou a causa do incêndio e que vai investigar em cooperação com as autoridades competentes. Fontes especializadas relataram que uma explosão teria ocorrido antes do início do fogo, mas essa sequência não foi confirmada pela comunicação oficial da Seaspan.

Tripulação sobreviveu; resgate teve uma vítima

Os 28 tripulantes do Espirito Santo Express deixaram a embarcação e sobreviveram ao incidente, com participação do graneleiro Aeolian Arrow, de bandeira portuguesa, no resgate. Segundo o site especializado TradeWinds, a operação terminou com uma vítima: o imediato do Aeolian Arrow caiu no mar durante os trabalhos de salvamento. Essa pessoa não integrava a tripulação do navio incendiado — ou seja, não houve morte entre os 28 tripulantes que abandonaram o Espirito Santo Express.

O site The Maritime Executive informou que equipes de salvamento já atuam no local, mas destacou as dificuldades para combater um incêndio de grandes proporções em uma região distante da costa. Ainda não há confirmação sobre quando o fogo será totalmente extinto, nem qual será o destino final da embarcação.

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Cargas para o Brasil continuam sem previsão

Importadores com mercadorias a bordo ainda não sabem quais contêineres sofreram danos, e não há informações individualizadas sobre a situação das cargas. A Hapag-Lloyd, que mantém o navio afretado, informou que as equipes continuam combatendo o incêndio e trabalhando para estabilizar a embarcação, mas ainda avalia a extensão do incidente e não estabeleceu data para divulgar informações detalhadas sobre eventuais danos. A Ocean Network Express (ONE) também atualizou clientes no Brasil, afirmando não ter ainda detalhes confirmados sobre contêineres afetados, danos às cargas ou um plano de contingência; o navio segue sem nova previsão de chegada (ETA).

O Espirito Santo Express tem capacidade para cerca de 11,8 mil TEUs, opera desde 2018 e navega sob bandeira de Singapura, atendendo serviços entre a Ásia e a costa leste da América do Sul. Segundo a Kuehne+Nagel, o navio está relacionado aos serviços SX1 (Ocean Network Express), Ipanema (MSC) e AS2 (Hapag-Lloyd).

Salvamento pode gerar custos adicionais aos importadores

Além dos possíveis danos às mercadorias, os importadores precisam acompanhar os custos relacionados ao salvamento marítimo. Segundo a W.E. Cox Claims Group, a empresa SMIT assumiu os trabalhos como salvadora profissional, com as partes adotando os termos do Lloyd’s Open Form (LOF), modelo internacional de contrato usado em operações de salvamento.

De acordo com a W.E. Cox, os interesses das cargas deverão fornecer uma Salvage Security (garantia de salvamento) antes do encaminhamento ou da liberação das mercadorias no destino — mecanismo que garante o pagamento das despesas de salvamento atribuídas aos bens beneficiados pela operação. Por isso, mesmo cargas sem dano direto podem enfrentar procedimentos adicionais antes da liberação.

A WK Webster, também especializada em sinistros marítimos, apontou que o incidente pode gerar reivindicações relacionadas ao salvamento e à avaria grossa — regra marítima pela qual perdas ou despesas para salvar um navio e sua carga em perigo comum são divididas entre todos os beneficiados. Até o momento, porém, nenhuma fonte pública confirmou uma declaração formal de avaria grossa.

Para os importadores, quatro questões continuam em aberto: as condições dos contêineres, o destino do navio, os custos do salvamento e o prazo para liberação das cargas recuperadas.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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