Poder e Bastidores

Esposa de Ramagem tem celulares e computadores apreendidos em embarque tenso para os EUA

Procuradora de Roraima relata pânico com filhas durante cumprimento de mandado do STF, em meio ao contexto da fuga do marido, condenado por trama golpista

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Em um episódio que reacende debates sobre as ramificações das investigações da trama golpista de 2022, a procuradora do Estado de Roraima Rebeca Ramagem, esposa do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), foi surpreendida por um mandado de busca e apreensão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O cumprimento ocorreu em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, enquanto ela e suas duas filhas menores embarcavam para uma viagem aos Estados Unidos – destino que coincide com o refúgio atual do marido, considerado foragido pela Justiça brasileira.

De acordo com relato publicado por Rebeca em suas redes sociais, os agentes federais abordaram a família na entrada da aeronave, revistaram as malas e apreenderam itens pessoais, incluindo o celular dela, o de uma filha de 7 anos e computadores. “Ao embarcar no aeroporto do Galeão com minhas filhas, fui surpreendida na entrada da aeronave por um mandado de busca pessoal expedido pelo ministro Alexandre de Moraes. Durante o procedimento, tivemos todas as nossas malas retiradas do voo e revistadas, além de apreenderem meu celular, computadores e outros itens”, descreveu ela em vídeo no Instagram, destacando o momento de “pânico” vivido pelas crianças.

Rebeca, que atua como procuradora há 22 anos em Roraima, enfatizou que não é alvo de qualquer processo ou investigação criminal, questionando o único motivo apontado para a medida: sua relação conjugal com o deputado.

O mandado faz parte de uma série de ações judiciais ligadas ao processo da tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, no qual Alexandre Ramagem foi condenado pela Primeira Turma do STF a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado. A sentença, proferida em setembro de 2025 por 4 votos a 1 – com o ministro Luiz Fux recomendando a absolvição –, imputou ao ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) os crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Ramagem, que dirigiu a Abin entre 2019 e 2022 durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), integrou o chamado “núcleo crucial” da trama, segundo o relator do caso, o próprio ministro Alexandre de Moraes.

Após o julgamento, Ramagem solicitou licença da Câmara dos Deputados por motivos de saúde, válida de setembro a dezembro de 2025. No entanto, em vez de retornar, o parlamentar optou por se exilar nos Estados Unidos, onde reside em um condomínio de luxo em Miami, na Flórida. Em 25 de novembro de 2025, o STF decretou o trânsito em julgado da condenação, determinou o início imediato do cumprimento da pena, incluiu Ramagem no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP) como foragido e ordenou a perda de seu mandato parlamentar, além da cassação de seu cargo como delegado da Polícia Federal. Moraes também cancelou o passaporte do deputado e proibiu sua saída do país, medidas que não impediram a fuga.

Em entrevista recente ao blogueiro bolsonarista Allan dos Santostambém foragido nos EUA e condenado por crimes como calúnia, injúria e difamação no inquérito das fake news –, Ramagem admitiu que a decisão de deixar o Brasil foi “consciente”, motivada pela crença em sua inocência e pelo desejo de proteger as filhas de vê-lo preso. “Eu estou seguro aqui com a anuência e o conhecimento do governo americano. Essa perseguição contra mim, grave, a gente vai acabando por ter ciência, consciência disso, desvendando os porquês ao longo do tempo”, declarou o deputado no programa “Conversa Timeline”, no YouTube, transmitido em 23 de novembro de 2025.

Especialistas apontam dificuldades para a extradição de Ramagem, devido a discrepâncias entre os crimes previstos na legislação brasileira e no tratado bilateral com os EUA.

O caso de Rebeca Ramagem ilustra como as investigações do STF sobre a trama golpista se estendem a familiares dos envolvidos, gerando questionamentos sobre proporcionalidade e impactos em viagens internacionais. Apesar das apreensões, a procuradora prosseguiu com a viagem para reencontrar o marido, mas sem os itens confiscados. O episódio ocorre em um momento de tensão política, com o STF também determinando o início da pena para outros condenados, como o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres.

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