Ex-presidente do BC, Campos Netto sabia, mas preferiu não intervir no caso Banco Master
Relatórios ao TCU e apurações do Estadão mostram como a crise de liquidez do Banco Master se agravou e quais foram os papéis da gestão anterior do Banco Central

Relatórios oficiais e apurações jornalísticas lançam luz sobre a atuação do Banco Central do Brasil (BC) durante a crise de liquidez enfrentada pelo Banco Master S.A., instituição controlada por Daniel Vorcaro, que passou por forte crescimento entre 2019 e 2024 antes de ser liquidada em novembro do ano passado.
Segundo reportagem do Estadão, o então presidente do BC, Roberto Campos Neto — ex-presidente do Banco Central —, tinha conhecimento dos problemas de liquidez do Master durante sua gestão, mas evitou adotar medidas mais severas, como intervenção ou liquidação imediata. À época, havia a expectativa dentro da autoridade monetária de que o banco possuísse ativos que pudessem ser revendidos ao mercado, dentro da lógica de separação entre “good bank” (parte saudável da instituição) e “bad bank” (ativos problemáticos), o que reduziria os custos para o sistema financeiro e para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Fiscalização e relatórios ao TCU
De acordo com documentos enviados pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União (TCU), em processo sob relatoria do ministro Jhonatan de Jesus, o acompanhamento sobre o Master foi intensificado no primeiro semestre de 2024.
“No primeiro semestre de 2024, o Banco Central passou a fazer ‘acompanhamento contínuo da gestão de risco de liquidez’ do Master”, afirma o relatório. O BC justificou a medida citando um cronograma elevado de desembolsos e, ao mesmo tempo, um “baixo estoque de ativos líquidos” no balanço da instituição.
O documento relata ainda que o BC exigiu providências para assegurar níveis adequados de liquidez e a apresentação de um plano de contingência atualizado. No segundo semestre de 2024, a situação teria se agravado após a frustração do plano de captação de recursos institucionais de longo prazo. A meta era levantar R$ 15 bilhões, mas apenas R$ 2 bilhões teriam sido efetivamente captados, segundo o próprio BC.
“Ainda assim, a instituição financeira manteve a contratação de operações estruturadas de longo prazo e reduzida liquidez, sem gerar fluxos financeiros relevantes. O gerenciamento inadequado do risco de crédito contribuiu para o agravamento da crise de liquidez do conglomerado”, diz o documento oficial.
Irregularidades apontadas
No relatório encaminhado ao TCU, o BC afirma ter detectado uma série de irregularidades, incluindo:
Insuficiência de capital, após ajustes decorrentes de informações consideradas incorretas prestadas à autarquia;
Inexistência de ativos líquidos no fundo que amparava operações estruturadas de longo prazo;
Descumprimento de normas de gerenciamento de risco de crédito, com dependência de informações fornecidas por terceiros.
Esses apontamentos reforçaram a avaliação interna de que a situação do banco representava risco à sua continuidade operacional.
Norma sobre precatórios e reação do mercado
O Estadão também destacou que, em outubro de 2023, o BC editou uma norma alterando a contabilização de precatórios — dívidas judiciais — como ativos de risco nos balanços bancários. Segundo a reportagem, a regra teria permitido ao Master manter bilhões desses ativos sem a necessidade imediata de novos aportes de capital ou venda de ativos.
No mercado, sinais de desconfiança surgiram antes do agravamento da crise. Em agosto de 2023, a Warren Investimentos divulgou relatório a clientes recomendando não adquirir CDBs do Banco Master, citando preocupações com o crescimento acelerado da instituição.
“Cartão amarelo” e compulsórios
A partir de novembro de 2024, conforme o BC relatou ao TCU, o Master passou a enfrentar dificuldades para rolar dívidas por meio de plataformas de investimento. Também teria ocorrido o não recolhimento integral dos depósitos compulsórios — recursos que os bancos são obrigados a manter junto ao BC para garantir a estabilidade do sistema financeiro.
“Seus dirigentes foram cientificados pelo Banco Central de que essa situação poderia dar azo à aplicação de medidas prudenciais preventivas previstas na Resolução CMN nº 4.019, de 29 de setembro de 2011”, diz o documento, referindo-se às normas do Conselho Monetário Nacional (CMN) que autorizam exigência de aportes, venda de ativos e restrições à distribuição de lucros.
Mudança de comando e decisão final
Campos Neto deixou o comando do BC no fim de 2024. A decisão pela liquidação do Master foi executada já sob a gestão de Gabriel Galípolo — atual presidente do Banco Central — em novembro do ano passado.
Procurado pela reportagem do Estadão, Campos Neto não se pronunciou oficialmente. A interlocutores, segundo o jornal, ele tem afirmado que as decisões no BC são colegiadas e passam pela Diretoria de Fiscalização e pelo colegiado da instituição, e que, durante sua gestão, não houve proposta formal de voto para intervenção ou liquidação do Master.
Crescimento acelerado
Dados do próprio Banco Central mostram que o Master — anteriormente chamado de banco Máxima — saiu de R$ 3,7 bilhões em ativos no fim de 2019 para cerca de R$ 82 bilhões ao final de 2024, em valores nominais. Relatório da Moody’s apontou crescimento médio de 40% ao ano em 2019, chegando a 100% em 2024.
“Em menos de quatro anos, o Master se tornou a 25ª maior instituição financeira do Brasil, em junho de 2024, quando era a 77ª em 2021”, afirmou a agência de classificação de risco.
Investigações e desdobramentos
Os problemas que culminaram na prisão de Daniel Vorcaro teriam começado em janeiro de 2025, segundo a Polícia Federal, envolvendo a venda de carteiras falsas ao Banco de Brasília (BRB). As apurações integram a chamada Operação Compliance Zero.
O caso reacende o debate sobre o equilíbrio entre estímulo à concorrência no sistema financeiro — agenda defendida por Campos Neto durante sua gestão — e o rigor da fiscalização sobre bancos de pequeno e médio porte.
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