Fami Capital, gigante da XP, mira aquisição do Julius Baer no Brasil
Maior escritório de assessoria de investimentos da XP entra na disputa pelo banco suíço, que pode valer R$ 800 milhões

O mercado financeiro brasileiro está em polvorosa com a notícia de que a Fami Capital, o maior escritório de assessoria de investimentos ligado à XP Investimentos, está de olho na operação brasileira do banco suíço Julius Baer. Com R$ 70 bilhões em ativos sob custódia, a Fami Capital surge como uma forte concorrente na disputa pelo controle da operação do banco suíço no país.
Segundo informou a coluna Capital, do jornal O Globo, o Julius Baer, que já chegou a administrar mais de R$ 80 bilhões em ativos no Brasil, contratou o Goldman Sachs para auxiliar na venda de sua operação local. Atualmente, o banco suíço gerencia cerca de R$ 50 bilhões em ativos no país, após uma redução significativa tanto em sua equipe quanto no volume de recursos administrados.
Fontes próximas à Fami Capital revelaram que, embora o escritório ainda não tenha iniciado conversas formais, há um forte interesse em participar do grupo de potenciais compradores. A eventual transação seria realizada por meio da Faros, braço de gestão de fortunas da Fami, que nasceu da fusão entre a própria Faros e a Messem no final do ano passado.
A disputa promete ser acirrada, com a Fami enfrentando gigantes do setor bancário como Bradesco, BTG Pactual e Itaú. Entre os interessados, o Bradesco parece ser o mais empenhado em adquirir o ativo, segundo informações obtidas pela coluna.
Um dos trunfos da Fami nesta corrida é sua parceria com a XP Investimentos, que detém 36% de participação no escritório. Além disso, o Julius Baer já havia mantido conversas anteriores com a Faros sobre uma possível aquisição de participação, embora as negociações não tenham avançado na época.
No entanto, a concretização do negócio enfrenta desafios significativos. O principal obstáculo é o preço pedido pelo Julius Baer, que estaria na casa dos R$ 800 milhões - valor considerado excessivo por especialistas do setor. Outro fator complicador é a possível perda de ativos sob gestão nos próximos meses, uma vez que clientes de alta renda tendem a buscar novas opções quando há mudança de controle em instituições financeiras.
Estimativas do mercado sugerem que o comprador final pode herdar um negócio com aproximadamente R$ 35 bilhões em carteira, uma redução considerável em relação aos atuais R$ 50 bilhões.
A Fami Capital negou a existência de qualquer negociação em andamento. No entanto, o joral mantém sua apuração, reafirmando o interesse da empresa no ativo do Julius Baer.
O desfecho desta negociação promete agitar o mercado de gestão de fortunas no Brasil, com potencial para redesenhar o cenário competitivo neste segmento altamente disputado do setor financeiro.
