Eleições 2026

Flávio Bolsonaro atuou na defesa de PM acusado de matar menina de 5 anos

Documentos mostram que o senador e candidato à Presidência assinou recurso ao STJ na defesa do policial militar acusado de matar Ana Clara Machado, em Niterói, em 2021

Flávio Bolsonaro atuou na defesa de PM acusado de matar menina de 5 anos
📷 Reprodução
📋 Em resumo ▾
  • O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) integrou a banca de defesa do policial militar Bruno Dias Delarolli, acusado de matar a menina Ana Clara Machado, de 5 anos, em Niterói (RJ), em 2021
  • Flávio assinou um recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2024, tentando reverter a decisão que levaria o caso a júri popular; o recurso foi negado
  • O policial responde ao processo em liberdade, sob medidas cautelares, e ainda aguarda julgamento — não há condenação até o momento
  • Por que isso importa: o caso voltou ao debate público nesta semana, a poucos dias do primeiro turno, após reportagens e um episódio de série documental relembrarem a atuação do candidato na defesa
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O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) integrou a banca de defesa do policial militar Bruno Dias Delarolli, acusado de matar a menina Ana Clara Machado, de 5 anos, atingida por um disparo de fuzil em frente à própria casa, em Niterói (RJ), em 2 de fevereiro de 2021. A informação, divulgada originalmente pela jornalista Alice Maciel, do ICL Notícias, e confirmada por outros veículos, mostra que Flávio assinou, em 2024, um recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) tentando reverter a decisão da Justiça fluminense de submeter o caso a júri popular. O recurso foi negado, e o caso já não cabe mais recurso nessa fase — Delarolli aguarda julgamento.

O que aconteceu com Ana Clara Machado

Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), Ana Clara brincava com o irmão de 2 anos na porta de casa, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói, quando foi atingida por um disparo de fuzil efetuado por Delarolli, então cabo da Polícia Militar, durante um patrolamento na região. A menina foi socorrida, mas não resistiu. Segundo a defesa do policial, ele teria reagido a um confronto ocorrido na região — uma versão que ainda será discutida no julgamento, e que esta matéria não confirma nem descarta.

É fundamental registrar: Bruno Dias Delarolli é réu no processo, mas não foi condenado até o momento. A Justiça do Rio determinou que ele fosse submetido a júri popular, decisão que a defesa tentou reverter sem sucesso — o mérito da acusação, porém, ainda não foi julgado.

A atuação de Flávio Bolsonaro na defesa

Flávio Bolsonaro é advogado inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, com inscrição suplementar na seccional do Distrito Federal (OAB-DF), e não há impedimento legal para que um senador exerça a advocacia em paralelo ao mandato. Ele aparece nos autos do recurso ao lado dos advogados Paulo Klein, Isabela Klein, Felipe Azeredo e Bruno Giusto, do escritório Giusto e Klein Advocacia, responsável pela defesa de Delarolli. O escritório e o senador não retornaram aos contatos do ICL Notícias para comentar o caso, segundo a reportagem original.

Reportagens também apontam que Flávio Bolsonaro atuou, ao lado da mesma banca, na defesa de quatro outros policiais militares acusados de matar quatro homens durante uma emboscada no Morro do Vidigal, na Zona Sul do Rio, em 16 de janeiro de 2020 — caso em que a defesa também tentou, sem sucesso, reverter a decisão que levou os réus a júri popular.

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Por que o caso voltou à tona agora

O episódio ganhou nova atenção pública nesta semana, a poucos dias do primeiro turno da eleição presidencial, após reportagens recentes e um episódio da série documental "Revelando" relembrarem a atuação de Flávio na defesa. Segundo a produção, a família de Ana Clara aguardava havia cinco anos que o caso fosse julgado quando Flávio passou a integrar a defesa do policial — já no exercício do mandato de senador. A série inclui entrevista com uma familiar da menina, cujo conteúdo específico esta matéria não reproduz por não ter tido acesso direto ao material.

O ex-deputado Marcelo Freixo também comentou publicamente o caso nesta semana, questionando a motivação de um senador para atuar na defesa específica desse processo e cobrando explicações do candidato. É importante registrar que Freixo levantou a pergunta sobre motivação sem apresentar elementos conclusivos sobre esse ponto — a manifestação dele é uma cobrança política, não uma prova de irregularidade.

O que isso significa — e o que não significa

Advogar em defesa de um réu, mesmo em um caso de grande comoção pública, é uma função legal e necessária ao funcionamento do sistema de Justiça — todo acusado tem direito constitucional à ampla defesa, e isso não deve ser confundido com endosso pessoal do advogado aos atos do cliente. Não há, nas informações disponíveis, qualquer indício de irregularidade na atuação jurídica de Flávio Bolsonaro neste processo. O ponto que gerou debate público é de natureza política, não jurídica: o fato de um senador — hoje candidato à Presidência, com a segurança pública como um dos temas centrais de sua campanha — ter optado por atuar pessoalmente na defesa de policiais acusados de matar civis, incluindo uma criança, é informação que eleitores podem legitimamente considerar relevante para avaliar sua trajetória e suas posições sobre o tema.

Versão em áudio disponível no topo do post.

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