Força Aérea nega ter imposto sigilo a voos de jato ligado a Vorcaro
A Força Aérea Brasileira contestou reportagem do Metrópoles que associava a instituição a um suposto sigilo sobre passageiros de jato ligado a Daniel Vorcaro — erro que o portal AEROIN já havia apontado antes da nota oficial
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- A Força Aérea Brasileira (FAB) divulgou nota, nesta quinta-feira (15/10), contestando reportagem do Metrópoles que, segundo a instituição, associou a FAB à imposição de sigilo sobre listas de passageiros de aeronaves.
- Segundo a FAB, o controle das relações nominais de passageiros é responsabilidade exclusiva dos operadores das aeronaves — não da instituição militar —, e os planos de voo recebidos pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) não trazem nomes de passageiros, apenas o número total de ocupantes (sigla POB, de persons on board).
- A reportagem do Metrópoles tratava de um pedido via Lei de Acesso à Informação (LAI) sobre o plano de voo de um jato Dassault Falcon 7X (matrícula PS-FST), ligado ao empresário Daniel Vorcaro, entre 10 e 20 de novembro de 2025.
- O portal especializado em aviação AEROIN já havia apontado a mesma inconsistência antes da nota da FAB, e afirma que o Metrópoles tem histórico de publicar informações incorretas sobre o setor de aviação.
- Por que isso importa: a nota da FAB derruba uma premissa central da reportagem do Metrópoles — a de que a Aeronáutica teria restringido acesso a dados que, segundo a própria instituição, nunca esteve em sua posse.
A Força Aérea Brasileira (FAB) divulgou, nesta quinta-feira (15 de outubro), nota de esclarecimento para contestar informações publicadas pelo Metrópoles sobre um suposto sigilo imposto pela instituição a listas de passageiros de aeronaves. A reportagem, assinada por Tércio Lohan, tratava de um pedido feito via Lei de Acesso à Informação (LAI) sobre o plano de voo de um jato Dassault Falcon 7X, de matrícula PS-FST, associado ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entre 10 e 20 de novembro de 2025. Segundo o Metrópoles, a resposta do Comando da Aeronáutica invocou proteção à privacidade para restringir informações sobre os deslocamentos da aeronave.
O que diz a FAB
De acordo com a nota da FAB, a responsabilidade pelo controle das relações nominais de passageiros pertence exclusivamente aos operadores das respectivas aeronaves — não cabe à instituição militar determinar restrições de acesso a esses documentos. A Força Aérea afirma que sequer tem conhecimento das listas nominais mencionadas na reportagem.
A instituição explicou que o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) recebe e processa informações ligadas aos planos de voo, mas usa esses dados exclusivamente para fins operacionais. Entre os elementos registrados nesses documentos estão a identificação da aeronave, os horários previstos de decolagem e a quantidade de pessoas a bordo — a sigla POB, do inglês persons on board. Segundo a FAB, porém, os planos de voo não trazem nomes ou identificação individual dos passageiros, limitando-se a informar o número total de ocupantes.
Em sua manifestação, a FAB classificou como equivocada e desarrazoada qualquer suposição de que tenha restringido o acesso a relações de passageiros das quais não possui conhecimento:
"A FAB pauta-se pelo compromisso inarredável com a transparência em quaisquer de seus atos, não aceitando narrativas que comprometam a verdade dos fatos."
O alerta do AEROIN, antes da nota oficial
O AEROIN, portal especializado em aviação que se descreve como líder na América Latina no segmento, já havia apontado a mesma inconsistência na reportagem do Metrópoles antes da própria FAB se manifestar — em texto que classifica o Metrópoles como veículo com recorrência na publicação de informações falsas sobre o setor de aviação, citando como outro exemplo uma reportagem anterior sobre o acidente da Voepass.
Segundo o AEROIN, a nota da FAB veio logo depois da publicação de uma reportagem própria do portal que apontava, mais uma vez, essa desinformação — e o texto do AEROIN atribui a origem do erro ao fato de o Metrópoles ser um veículo que recebeu recursos de Daniel Vorcaro, dono da aeronave citada na reportagem original.
O pano de fundo: os pagamentos do Master ao Metrópoles
A afirmação do AEROIN sobre repasses financeiros de Vorcaro ao Metrópoles não é isolada. Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro, reveladas pelo UOL em reportagem de 15 de outubro, indicam que o Metrópoles submetia reportagens ao próprio Vorcaro antes de publicá-las: segundo o levantamento do UOL, ao menos 14 matérias teriam sido enviadas previamente, e 11 delas teriam sido alteradas depois de pedidos dele — entre os temas citados, coberturas sobre o Banco Central e sobre a venda do Master ao BRB. As mesmas mensagens citam contratos publicitários do Master com o Metrópoles somando R$ 20 milhões, valor que se soma a cerca de R$ 27 milhões em repasses já identificados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
A CEO do Metrópoles, Lilian Tahan, nega qualquer relação entre a publicidade contratada e a cobertura jornalística do veículo, segundo a mesma reportagem do UOL: ela afirma que submeter conteúdo à checagem de fontes antes da publicação é prática adotada com diversas personalidades, não um tratamento específico dado a Vorcaro. O Metrópoles não se manifestou, nas fontes consultadas por esta reportagem, sobre a nota da FAB nem sobre o apontamento do AEROIN até a publicação deste texto.
A nota da FAB, portanto, derruba uma premissa central da reportagem contestada: a de que a Aeronáutica teria determinado sigilo sobre documentos que, segundo a própria instituição, não estão sob seu controle — e cujas informações nominais não integram os planos de voo recebidos pelo DECEA.
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