Poder e Bastidores

Garimpeiros liberam rodovia interditada em Humaitá; festividades do aniversário da cidade foram canceladas

Grupo interditou trecho da rodovia BR-230, a Transamazônica, por cerca de 17 horas

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Chegou ao fim a manifestação de garimpeiros no município de Humaitá, interior do Amazonas, nesta quarta-feira (15). O grupo interditou trecho da rodovia BR-230, a Transamazônica, por cerca de 17 horas, em represália a uma operação da Polícia Federal que destruiu 50 balsas utilizadas na dragagem de ouro na região.

O protesto teve início ainda na terça-feira (14), quando a operação foi deflagrada. Inicialmente, o grupo ocupou a orla da cidade cobrando a legalização da atividade e afirmaram que não permitiriam que a festa em comemoração aos 155 anos do município, que iniciaria nesta quarta, fosse realizada.

Após a Prefeitura de Humaitá cancelar os festejos em solidariedade ao grupo, os garimpeiros se dirigiram até um trecho da BR-230. No local, pneus e pedaços de madeira foram incendiados para impedir a passagem de veículos.

Segundo o comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) no município, major Anderson Saifer, as tratativas ocorreram de maneira pacífica.

"Desde os primeiros momentos, a gente sempre manteve o diálogo com essas pessoas. Tentamos negociar, tentamos que tudo acontecesse de forma pacífica. Demorou, mas aconteceu”, explicou.

Por volta das 10h, a rodovia estava totalmente liberada e o fluxo de veículos ocorria sem maiores transtornos.

A autoridade também ressaltou que durante o período da manifestação, não foi registrada nenhuma ocorrência de grande vulto.

‘Carta marcada’

O prefeito de Humaitá (AM), Dedei Lobo (União Brasil), acusou a Polícia Federal de realizar uma operação contra garimpeiros com ‘carta marcada’. Na terça-feira (14), primeiro dia de festividades pelos 155 anos da cidade, a PF destruiu cerca de 50 balsas de garimpo.

O evento foi cancelado pelo prefeito após ameaças de tumulto e ataques a prédios públicos. O município é o mesmo onde garimpeiros incendiaram prédios do Ibama e ICMBio, em 2017.

“Mais uma vez as operações da Polícia Federal parecem ser carta marcada, ocorrendo sempre nos dias festivos do município. Por exemplo, a Semana da Pátria, em setembro de 2023, foi cancelada devido a uma operação contra o extrativismo mineral. Em dezembro de 2023, sofremos outra operação na festa da padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição. Agora, no aniversário, fomos surpreendidos com outra operação truculenta”, disse o gestor, que é pré-candidato à reeleição.

De acordo com o prefeito, as festividades pelo aniversário da cidade foram canceladas, causando um prejuízo estimado em R$ 1 milhão. “Cerca de R$ 500 mil foi o dinheiro da prefeitura e o restante era o que se esperava para o comércio local”, afirmou Dedei Lobo. 

A festa aconteceria nos dias 14 e 15 de maio, com a cantora roraimense Marília Tavares como atração principal. Havia também previsão do lançamento de obras literárias por autores de Humaitá, exposições, premiação dos jogos escolares, apresentação do projeto Princesa do Madeira e shows com bandas locais.

“A operação da PF resultou numa manifestação, colocando a segurança da nossa população em risco, por isso, tivemos que cancelar todos os eventos de imediato. Essas operações em datas festivas têm causado, ao município, enormes prejuízos, trazendo grande risco à vida das pessoas, causando prejuízo incalculável à economia local, prejuízos político e moral”, afirma o prefeito.

Dedei Lobo aparece em alguns vídeos cercado por policiais militares enquanto tenta conversar com os garimpeiros, que o criticam e pressionam por alguma atitude contra as operações. “Estou cancelando todas as festividades, porque tenho responsabilidade com a minha população. Discordo dessa operação, porque parece carta marcada”, disse ele aos manifestantes.

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50 dragas

Uma ação conjunta da Polícia Federal (PF) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), foi realizada nesta terça-feira (14), na comunidade de Pacoval, próxima a Humaitá, no estado do Amazonas, e resultou na destruição de várias dragas e balsas, desencadeando revolta entre os garimpeiros locais.

O episódio reflete um embate contínuo entre interesses ambientais e econômicos na região amazônica, onde a proteção dos recursos naturais muitas vezes entra em conflito direto com a necessidade de subsistência das comunidades locais.

A ação conjunta da PF e do Ibama visa combater atividades ilegais de mineração e garimpagem que causam danos irreparáveis ao meio ambiente na região amazônica. O uso de dragas e balsas para a extração de minérios provoca sérios impactos nos ecossistemas aquáticos e terrestres, comprometendo a biodiversidade e os recursos hídricos da área.