Poder e Bastidores

Governo estuda zerar imposto sobre querosene de aviação

Ministério dos Portos e Aeroportos propõe isenção tributária e crédito emergencial após Petrobras elevar preço do combustível em mais de 50%.

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Em resumo

  • Governo federal avalia zerar PIS/Cofins sobre querosene de aviação para conter alta das passagens

  • Pacote inclui linha de crédito de R$ 400 milhões e postergação de tarifas à Força Aérea Brasileira

  • Petrobras anunciou reajuste de mais de cinquenta por cento no combustível, impactando custos operacionais

  • Abear alerta para “consequências severas”; decisão final deve sair em reunião nesta terça-feira

  • Por que isso importa: medida pode definir o preço da sua próxima viagem e o fôlego financeiro das companhias aéreas brasileiras


O Ministério dos Portos e Aeroportos estuda zerar a cobrança de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação como parte de um pacote emergencial para conter a alta das passagens aéreas. A confirmação foi dada pelo ministro Tomé França à GloboNews, após a Petrobras anunciar reajuste de mais de cinquenta por cento no preço do combustível às distribuidoras.

O que está em jogo: os números por trás da crise

Especialistas projetam que os preços das passagens podem subir até vinte por cento com a valorização do querosene de aviação, conhecido no setor pela sigla QAV. O combustível representa entre vinte e trinta por cento dos custos operacionais das companhias aéreas, segundo dados do setor.

“O reajuste no preço do querosene de aviação pode gerar consequências severas para o setor”, afirma a Associação Brasileira das Empresas Aéreas, em nota divulgada nesta quarta-feira.

A Petrobras justificou o aumento pela elevação do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela escalada de tensões no Oriente Médio, que envolve Estados Unidos e Israel em confronto com o Irã. Para suavizar o impacto, a estatal anunciou um mecanismo de parcelamento dos pagamentos das distribuidoras — medida que, no entanto, não elimina o repasse final ao consumidor.

As três frentes do pacote governamental

O Ministério dos Portos e Aeroportos apresentou ao Ministério da Fazenda um conjunto de três propostas emergenciais:

  1. Criação de linhas de crédito para empresas aéreas com recursos do Tesouro, operadas pelo Banco do Brasil, com acesso de até R$ 400 milhões e prazo de pagamento até o final do ano;

  2. Isenção total de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação, um dos principais insumos de custo das companhias;

  3. Postergação do pagamento das tarifas de navegação aérea à Força Aérea Brasileira, medida tratada diretamente entre a FAB e a Fazenda.

A tarifa de navegação aérea é uma taxa cobrada pelo uso de serviços, auxílios e comunicações do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro. Sua postergação visa aliviar o caixa das empresas no curto prazo, sem reduzir a receita final do governo.

Representantes dos ministérios devem se reunir na terça-feira, dia 7, para definir quais medidas serão efetivamente adotadas.

O contexto internacional que pressiona os preços

A volatilidade do petróleo no mercado global reflete diretamente nos custos da aviação civil brasileira. Com a cotação do barril em alta, a Petrobras ajustou seus preços internos — prática alinhada à política de paridade de importação, que vincula os valores domésticos às referências internacionais.

Leia também: Como a guerra no Oriente Médio impacta a economia brasileira

Apesar do parcelamento anunciado pela estatal, analistas avaliam que o repasse aos preços finais é quase inevitável. A questão central agora é medir a intensidade desse repasse e se as medidas governamentais conseguirão amortecer o impacto sobre o passageiro.

Reação do setor e próximos passos

A Abear evitou mencionar aumentos diretos nas passagens, mas o alerta sobre “consequências severas” sinaliza preocupação com a sustentabilidade operacional das companhias. Em um setor de margens apertadas e alta concorrência, qualquer elevação de custo fixo pode desencadear reajustes tarifários ou redução de oferta em rotas menos rentáveis.

A decisão final sobre o pacote deve sair ainda esta semana. Se aprovada, a isenção de PIS/Cofins sobre o QAV representaria uma renúncia fiscal que precisa ser compensada em outras áreas do Orçamento — um ponto sensível em um momento de ajuste fiscal.

A medida em análise no governo federal vai além de uma resposta técnica a um choque de custos: é um teste de coordenação entre diferentes pastas em um cenário de pressão inflacionária. Se o pacote for aprovado, pode conter temporariamente a alta das passagens — mas não resolve a questão estrutural da dependência do preço internacional do petróleo. A pergunta que fica: até que ponto o Estado deve subsidiar custos operacionais de um setor privado em um contexto de restrição fiscal?

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