Grupo Dia perde R$ 143 milhões em CDBs do Banco Master e coloca recuperação judicial em xeque
Da euforia com rendimentos de até 140% do CDI à espera angustiante por precatórios: a saga do caixa do Grupo Dia após a intervenção no conglomerado de Daniel Vorcaro

A rede de supermercados Dia, controlada pelo empresário Nelson Tanure, vive seu momento mais crítico desde o pedido de recuperação judicial em março de 2024. Dos R$ 163,3 milhões que mantinha aplicados em CDBs do Letsbank – banco digital do grupo Master –, a companhia conseguiu resgatar apenas R$ 20 milhões à vista (12%) em um acordo firmado em 22 de outubro de 2025, menos de um mês antes da decretação da liquidação extrajudicial do conglomerado pelo Banco Central do Brasil. O caso ganhou contornos dramáticos com a Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que culminou na prisão preventiva do controlador do Master, Daniel Vorcaro, e na intervenção que pode custar até R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) – o maior rombo da história do fundo.
Cronologia do desastre financeiro
2024 – O Grupo Dia vende a operação brasileira para o próprio grupo Master por apenas 39 milhões de euros (R$ 227 milhões na cotação da época) e passa a concentrar atividades na Argentina.
2025 – Com caixa apertado, a tesouraria da companhia migra aplicações para o Letsbank atraída por taxas que chegavam a 140% do CDI (contra média de mercado de 100-105% do CDI para bancos médios).
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