Hackers roubam US$ 6,3 bilhões da Binance, maior ataque da história cripto
Os criminosos esvaziaram carteiras em 10 blockchains em cerca de 20 minutos. A Binance diz que vai cobrir as perdas e que o dinheiro dos clientes está seguro. Saques estão suspensos
📋 Em resumo ▾
- Hackers roubaram cerca de US$ 6,3 bilhões (R$ 34 bilhões) da Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo. É considerado o maior ataque hacker da história das criptomoedas.
- Empresas de análise de blockchain, TRM Labs e Chainalysis, atribuem o ataque a hackers da Coreia do Norte.
- Cerca de US$ 3 bilhões já foram localizados e congelados. O destino dos outros US$ 3,3 bilhões ainda não foi esclarecido.
- A Binance suspendeu saques e depósitos e diz que vai cobrir todas as perdas dos clientes.
- Por que isso importa: a Binance tem milhões de clientes, inclusive no Brasil. O ataque reacende o debate sobre o risco de deixar criptomoedas guardadas em corretoras.
Hackers roubaram cerca de US$ 6,3 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 34 bilhões, da Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo. A empresa anunciou o incidente na noite de quinta-feira (29/10). Analistas consideram o caso o maior ataque hacker da história das criptomoedas, cerca de quatro vezes maior que o roubo de US$ 1,5 bilhão à corretora Bybit, em fevereiro de 2025.
Como foi o ataque
Segundo a investigação inicial da Binance, citada pela revista Forbes:
- o ataque começou com o notebook de um engenheiro da área de infraestrutura da empresa, que foi comprometido;
- com esse acesso, os criminosos chegaram a um sistema interno e conseguiram autorizar saques sem permissão;
- segundo a Binance, não houve vazamento das chaves privadas das carteiras, que são as “senhas” que dão controle sobre as criptomoedas.
Segundo a empresa de análise TRM Labs, os atacantes esvaziaram carteiras da Binance em 10 blockchains diferentes e transferiram a maior parte do dinheiro em cerca de 20 minutos.
Quem está por trás
As empresas americanas TRM Labs e Chainalysis, que rastreiam movimentações em blockchain, atribuem o ataque a hackers da Coreia do Norte. A TRM Labs aponta o grupo TraderTraitor, que descreve como “a unidade de elite de hackers da Coreia do Norte”.
Segundo a Chainalysis, parte do dinheiro roubado foi misturada com valores de outro ataque, contra a corretora Bitget, em setembro. A Chainalysis calcula o roubo em US$ 5,9 bilhões, um pouco abaixo da estimativa da Binance.
O que é fato e o que é análise: a autoria norte-coreana é uma conclusão de empresas privadas de análise. Nenhum governo confirmou oficialmente até agora. A Coreia do Norte não se manifestou. Hackers ligados ao país já foram responsabilizados por outros grandes roubos de criptomoedas, como o da Bybit.
Onde está o dinheiro
- Cerca de US$ 3 bilhões foram localizados e congelados, segundo a Binance;
- a Tether, emissora da criptomoeda estável USDT, congelou cerca de US$ 1,57 bilhão;
- a Circle, emissora da USDC, congelou mais de US$ 800 milhões;
- a Ripple congelou cerca de US$ 200 milhões;
- segundo um analista da empresa CryptoQuant, cerca de US$ 2,9 bilhões continuam em carteiras controladas pelos atacantes.
Por que parte do dinheiro pode ser congelada: as criptomoedas estáveis (stablecoins), como USDT e USDC, são emitidas por empresas que podem bloquear carteiras. Já o bitcoin não tem um emissor central e não pode ser congelado dessa forma, por isso é mais difícil de recuperar.
O que diz a Binance
O cofundador da Binance, Yi He, disse que a corretora vai cobrir “todas as perdas decorrentes do ataque hacker”. Segundo a Forbes, a empresa vai usar o SAFU, um fundo de emergência criado para proteger clientes em casos como este, além de recursos próprios.
A Binance afirma que “os fundos dos usuários continuam seguros”. Mesmo assim, todos os depósitos e saques estão temporariamente suspensos enquanto a empresa faz verificações de segurança. A previsão é que os saques voltem em até 48 horas.
Reação do mercado
- o bitcoin caiu mais de 3%, para cerca de US$ 76,4 mil, o menor nível em seis semanas;
- o ether caiu mais de 3%, para o menor nível em dois meses;
- o BNB, criptomoeda da própria Binance, recuou cerca de 5% em 24 horas.
E os clientes brasileiros?
A Binance é uma das corretoras de criptomoedas mais usadas no Brasil. Os clientes brasileiros também estão com saques e depósitos suspensos. A empresa promete cobrir as perdas, mas não detalhou como isso vai funcionar na prática.
O que o investidor pode fazer agora:
- não cair em golpes: criminosos costumam se aproveitar desses momentos com mensagens falsas de “recuperação de fundos”. A Binance não pede senhas nem códigos por mensagem;
- acompanhar só os canais oficiais da empresa;
- guardar comprovantes do saldo antes do ataque.
O ataque mostra o paradoxo das corretoras de criptomoedas. Elas tornam o investimento mais fácil, mas concentram bilhões num só lugar, o que as transforma em alvo. Desta vez, o ponto fraco não foi a tecnologia do blockchain, mas o computador de um funcionário. A promessa de cobrir as perdas tranquiliza no curto prazo, mas a pergunta que o mercado vai fazer nos próximos dias é outra: se a maior corretora do mundo pode perder R$ 34 bilhões em 20 minutos, quão seguro é deixar criptomoedas guardadas numa corretora?
🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.