Hildon Chaves aposta na RO-370 como cartão de infraestrutura em Rondônia
Ex-prefeito de Porto Velho e candidato ao governo de Rondônia pela Federação União Progressista, Hildon Chaves traça paralelo entre pavimentação na capital e projeto de concluir a Rodovia do Boi, enquanto evita promessas sobre pedágios na BR-364
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- Hildon Chaves (União Brasil), ex-prefeito de Porto Velho, é candidato ao governo de Rondônia e coloca a conclusão da RO-370 (Rodovia do Boi) como prioridade absoluta de infraestrutura
- A RO-370 tem 180 km de extensão e liga Corumbiara a Parecis; cerca de 84 km já foram asfaltados até o Trevo da Pedra, e o trecho restante é considerado estratégico para o escoamento do agronegócio do Cone Sul
- Chaves promete replicar na gestão estadual o modelo de pavimentação urbana aplicado em Porto Velho, onde afirma ter entregue mais de 800 km de vias públicas
- O candidato adota postura juridicamente cautelosa sobre a BR-364, cujo pedágio eletrônico foi suspenso por liminar da Justiça Federal em janeiro de 2026, evitando promessas de cancelamento de tarifas
- Por que isso importa: A disputa pelo voto do agronegócio em Rondônia passa pelo asfalto — e Chaves tenta converter sua experiência de gestor em credencial para conquistar o interior produtivo do estado
O candidato ao governo de Rondônia Hildon Chaves (União Brasil), ex-prefeito de Porto Velho e ex-promotor de Justiça, colocou a conclusão da RO-370 — a Rodovia do Boi — no centro de sua estratégia de infraestrutura. Em campanha pela Federação União Progressista e Cirone Deiró (União Brasil) como vice, Chaves traça um paralelo direto entre o legado de pavimentação que diz ter deixado na capital e o projeto de transformar a rodovia estadual em corredor logístico para o agronegócio do Cone Sul.
"Estrada boa é renda, escola, saúde e segurança"
A aposta retórica de Chaves é clara: o asfalto como ponto de partida para a dignidade social e o crescimento econômico. "Estrada boa é renda, escola, saúde e segurança. Por isso estrada tem que ser prioridade", afirma o candidato, segundo relato de sua campanha. A tese repete, em escala estadual, o discurso que sustentou seus oito anos de gestão em Porto Velho (2016-2024), onde a campanha credita a entrega de mais de 800 quilômetros de vias públicas pavimentadas.
A expertise adquirida na capital, argumenta Chaves, confere a segurança necessária para assumir o compromisso de concluir grandes obras logísticas no interior de Rondônia. O plano de governo protocolado pelo candidato — documento de 138 páginas, 14 eixos e 252 propostas — dedica 16 propostas ao eixo de infraestrutura, com destaque para investimentos rodoviários, hidroviários, aeroportuários e energéticos que reduzam o custo logístico e escoem a produção do estado.
"O governo do estado, por falta de gestão, colocou a gigante Rondônia praticamente de joelhos", afirmou Chaves no lançamento de sua candidatura, em 3 de agosto, em Porto Velho.
O que falta na Rodovia do Boi
A RO-370, conhecida como Rodovia do Boi ou TransRondônia, tem 180 quilômetros de extensão e liga o município de Corumbiara, no Cone Sul, a Parecis, na Zona da Mata. É por onde passa grande parte da produção agropecuária de Rondônia — soja, milho e carne — e sua pavimentação era demanda antiga da região.
O governo estadual atual concluiu cerca de 84 quilômetros de asfalto entre Corumbiara e o Trevo da Pedra, em Chupinguaia, em obra que teve investimento de R$ 193 milhões e foi entregue em 2025. O trecho restante, entre o Trevo da Pedra e Parecis, ainda carece de pavimentação — e é exatamente esse gargalo que Chaves promete eliminar.
A consolidação asfáltica da RO-370 beneficiaria diretamente sete municípios da região: Corumbiara, Colorado do Oeste, Chupinguaia, Cerejeiras, Cabixi, Pimenteiras do Oeste e Vilhena. O impacto econômico, segundo a campanha, seria a otimização do escoamento de grãos e carnes produzidos no Cone Sul, uma das regiões mais dinâmicas do agronegócio amazônico.
A cautela com a BR-364 e o pedágio suspenso
Enquanto aposta alto na RO-370, Chaves trata com cautela o debate sobre as concessões na BR-364, principal corredor federal de integração de Rondônia. O candidato evita promessas populistas de cancelamento de tarifas — posição juridicamente segura, já que a gestão de rodovias federais não compete ao estado.
A cautela é politicamente inteligente. Em janeiro de 2026, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) autorizou o início da cobrança de pedágio eletrônico em sistema free flow na BR-364, concedida à Nova 364, com sete pontos de cobrança e tarifas que chegam a R$ 37,00 em trechos como Cujubim.
Dias depois, porém, a Justiça Federal concedeu liminar suspendendo a cobrança após identificar falhas na execução do contrato: a concessionária teria cumprido obras obrigatórias em apenas dois meses, sem comprovação técnica suficiente, e a fiscalização da ANTT teria avaliado apenas 2% dos mais de 680 quilômetros da rodovia.
Em vez de explorar o tema tarifário, o plano de governo de Chaves foca na solução prática: a pavimentação da Rodovia do Boi serviria expressamente como rota estadual alternativa às praças de pedágio da BR-364, oferecendo aos produtores uma opção de escoamento sem passar pelos pórticos federais.
O cenário eleitoral e a disputa pelo interior
Hildon Chaves chega à campanha estadual numa posição desafiadora. Nas convenções de agosto, o PL oficializou o senador Marcos Rogério como candidato ao governo, apontado como favorito nas pesquisas. Chaves e Adailton Fúria (PSD) disputam a vaga do eventual segundo turno. Uma pesquisa do Instituto Phoenix divulgada em julho posicionou Rogério na liderança, Fúria em segundo e Chaves em terceiro — embora levantamentos anteriores tenham registrado crescimento acelerado do ex-prefeito na pré-campanha.
A aposta na RO-380 e na pauta rodoviária não é casual. Rondônia consolidou-se como referência nacional em carne, leite, café, grãos e cacau, e o custo logístico é um dos gargalos mais sentidos pelo produtor rural. Ao prometer concluir uma obra já parcialmente entregue pelo governo adversário, Chaves tenta converter a experiência de gestor em credencial técnica sem assumir o ônus de obras inacabadas.
Um plano de governo é um documento de intenções, não de garantias — e vale menos pelo que promete do que pelo que revela sobre quem o assina.
O que falta para o eleitor avaliar
A pergunta que o eleitor deveria guardar é de execução: como se financia a conclusão de uma rodovia de 180 quilômetros num estado que o próprio candidato classifica em "crise financeira"? O plano de governo de Chaves reconhece que Rondônia reúne condições econômicas favoráveis, mas que "os próximos anos exigirão uma gestão capaz de transformar potencial em resultado, preservando o equilíbrio fiscal".
A promessa de replicar o modelo de Porto Velho no estado inteiro soa convincente na retórica, mas enfrenta a realidade de uma máquina pública estadual com orçamento, obrigações e gargalos distintos dos de um município — por maior que seja a capital. Se a RO-370 é, de fato, prioridade absoluta, qual é o cronograma, o valor estimado e a fonte de financiamento? O plano de 138 páginas ainda precisa ser traduzido em respostas concretas para quem vive do outro lado do Trevo da Pedra.
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