Eleições 2026

Pesquisa CNT: Lula lidera a eleição em primeiro e segundo turnos

Levantamento CNT/MDA mantém o presidente à frente no 1º e no 2º turno, mas mostra sua gestão pior avaliada que a de Bolsonaro e FHC no mesmo ponto do mandato

Pesquisa CNT: Lula lidera a eleição em primeiro e segundo turnos
📷 Marcelo Camargo/Agência Brasil
📋 Em resumo
  • A 170ª pesquisa CNT/MDA, divulgada em setembro, mantém Lula líder da corrida presidencial de 2026, à frente de Flávio Bolsonaro no 1º e no 2º turno.
  • No cenário decisivo, Lula tem 47,3% contra 40,0% de Flávio — mas a vantagem caiu de 9 para 7 pontos desde agosto.
  • A avaliação do governo é negativa: 39,4% consideram a gestão ruim ou péssima, contra 33,8% de ótimo/bom.
  • Um dado exclusivo da CNT: comparada ao mesmo momento dos mandatos anteriores, a gestão Lula tem a segunda pior avaliação positiva em mais de duas décadas — atrás só de Temer.
  • Por que isso importa: Lula lidera a eleição carregando uma avaliação historicamente fraca, num quadro que os institutos mostram em aperto.
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A pesquisa CNT de Opinião, realizada pelo instituto MDA, é uma das mais tradicionais do país e traz, em sua 170ª rodada, divulgada em setembro, um retrato que resume o paradoxo da corrida presidencial de 2026: o presidente Lula lidera todos os cenários, mas comanda um governo mais reprovado do que aprovado — e cuja avaliação, quando comparada à dos antecessores no mesmo ponto do ciclo, está entre as mais fracas das últimas duas décadas. É esse contraste, mais do que o placar, que dá densidade ao levantamento.

O quadro eleitoral: Lula na frente, mas com a distância diminuindo

No primeiro turno estimulado, Lula aparece com 40,5% das intenções de voto, à frente de Flávio Bolsonaro, com 30,4%. Atrás dos dois, num pelotão distante, vêm o escritor Augusto Cury (6%), Ronaldo Caiado (3%), Renan Santos (2,7%), Pablo Marçal (1,8%) e Romeu Zema (1%). Brancos e nulos somam 6%, e os indecisos, 7,5%.

No segundo turno, o cenário mais competitivo — e o mais provável — coloca Lula contra Flávio. Aqui o petista faz 47,3% contra 40,0%. A liderança é confortável, mas a tendência merece atenção: a diferença entre os dois caiu de 9 para 7 pontos em relação ao levantamento de agosto, sinal de que o senador vinha reduzindo a distância. Contra os demais adversários, a vantagem de Lula é maior — 45,3% a 38,4% diante de Cury, por exemplo.

No 2º turno contra Flávio, a vantagem de Lula caiu de 9 para 7 pontos em um mês — o quadro segue favorável ao presidente, mas em movimento.

A avaliação do governo: mais reprovação que aprovação

É no retrato da gestão que aparece a fragilidade. Somadas as respostas, 39,4% avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo, contra 33,8% de ótimo ou bom — uma diferença que, embora dentro da margem de erro de 2,2 pontos, confirma a predominância negativa. Outros 25,4% consideram a gestão regular. A própria CNT registra que houve nova oscilação negativa tanto na avaliação do governo quanto na aprovação pessoal do presidente.

Some-se a isso um dado que ajuda a entender por que a eleição segue competitiva mesmo com Lula na frente: as duas candidaturas mais fortes são também as mais rejeitadas. No potencial de voto, Lula tem 46% de rejeição, e Flávio, 54%. E o fator medo é simétrico — a volta de Flávio é temida por 45% dos entrevistados, e a continuidade de Lula, por 44%. É uma eleição em que os dois favoritos assustam quase o mesmo número de eleitores.

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O dado que só a CNT oferece: Lula comparado a seus antecessores

Aqui está o diferencial deste levantamento, e a razão de ele ser especialmente valioso para ler o momento. A CNT compara a avaliação de cada presidente no mesmo ponto do mandato — cerca de três anos e nove meses após o início da gestão, às vésperas da eleição seguinte. O resultado coloca o desempenho atual de Lula em perspectiva histórica:

A leitura é reveladora. O Lula de hoje está muito longe do Lula de 2010, que fechou o segundo mandato com estratosféricos 78% de avaliação positiva, e também abaixo do de 2006, quando se reelegeu. Sua gestão atual (34% positiva) supera apenas as de Temer, FHC no segundo mandato e Bolsonaro — presidentes que, à exceção do caso específico de cada um, enfrentaram desgaste. Ainda assim, há um detalhe que trabalha a favor do petista: em 2022, Bolsonaro tinha avaliação pior (31% positiva, 43% negativa) e mesmo assim levou a eleição ao segundo turno com votação expressiva. Avaliação fraca de governo, no Brasil recente, não tem sido sentença de derrota — mas é um peso que o candidato à reeleição carrega.

O que dizem as outras pesquisas — e por que a CNT chama atenção

Nenhuma leitura séria se apoia num único instituto, e o conjunto de setembro ajuda a calibrar. No mesmo período, o Datafolha mediu o 2º turno Lula x Flávio em 46% a 44%; o BTG/Nexus, em 47% a 46%; a Genial/Quaest, 36% a 31% no primeiro turno; e a Veritá chegou a apontar leve vantagem de Flávio (45,4% a 45%). Nesse panorama, a CNT/MDA é a que atribui a maior vantagem a Lula no segundo turno — os 7 pontos de diferença destoam do empate técnico que a maioria dos institutos registra.

Isso não desqualifica a CNT, mas convém ao leitor saber: metodologias diferem, e há dispersão real entre os levantamentos. O que todos concordam é no essencial — Lula lidera, Flávio é o segundo com folga sobre os demais, e a eleição, embora favorável ao presidente, não está decidida.

O retrato de setembro, em uma frase

A pesquisa CNT entrega, no fundo, uma síntese incômoda para o Planalto e desafiadora para a oposição. Lula chega à reta pré-eleitoral na frente, mas mais fraco do que já foi e mais reprovado do que aprovado; Flávio cresce, mas herda uma rejeição que limita seu teto. É a eleição de dois favoritos que assustam, decidida menos pelo entusiasmo e mais pela pergunta de quem o eleitor teme menos. E, se a história recente serve de guia, o dado que a CNT desenterrou dos arquivos guarda um aviso para os dois lados: nem a avaliação alta garantiu vitórias tranquilas, nem a baixa impediu boas votações. A um mês do voto, o que a série histórica sugere é que 2026 ainda tem margem para surpreender.

Versão em áudio disponível no topo do post.

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