Hildon Chaves propõe telemedicina contra 'ambulancioterapia'
Ex-prefeito de Porto Velho propõe reorganização da rede pública e expansão da telemedicina como alternativa ao deslocamento constante de pacientes
📋 Em resumo ▾
- Hildon Chaves denuncia o modelo de "ambulancioterapia" na gestão da saúde estadual.
- Ex-prefeito cita experiência anterior com telemedicina em parceria com o Hospital Albert Einstein.
- Propõe reorganização da rede pública e gestão presente para resolver problemas na origem, nos municípios.
- Por que isso importa: O debate expõe a ineficiência do transporte de pacientes como política pública e coloca a descentralização do atendimento no centro da disputa eleitoral em Rondônia
O ex-prefeito de Porto Velho e pré-candidato ao governo do Estado, Hildon Chaves (Federação União Progressistas), criticou duramente a atual gestão da saúde em Rondônia. Segundo ele, o modelo vigente se baseia na "ambulancioterapia", um ciclo de deslocamento de pacientes sem a resolução efetiva dos problemas de atendimento nas regiões de origem.
O custo humano do deslocamento constante
Para o pré-candidato, a prática de transportar pacientes de um lado para outro sem oferecer solução definitiva demonstra falta de respeito com a população. A crítica vai além da logística, apontando para a necessidade de uma gestão que priorize a resolução de problemas em vez da mera administração de estatísticas.
"Uma boa gestão não administra números, ela resolve problemas e, o principal, cuida das pessoas. Chega de tanto sofrimento, nosso povo está cansado", afirmou Hildon.
Ele também levantou a necessidade de investigar se há interesses financeiros por trás desse modelo de transporte contínuo, enfatizando que o gestor público tem a obrigação de acompanhar de perto a execução das políticas para evitar distorções.
A proposta de telemedicina e descentralização
Como alternativa, Hildon resgatou uma iniciativa de sua gestão à frente da capital: a implantação de um programa de teleatendimento em parceria com o Hospital Albert Einstein, de São Paulo.
Durante o programa, foram realizados cerca de cinco mil atendimentos em 12 especialidades médicas, levando serviços de cardiologia, pneumologia, pediatria e psiquiatria diretamente para os postos de saúde de bairros e distritos como Maurício Bustani, Areal da Floresta, José Adelino, Nazaré, Extrema e União Bandeirantes.
Agora, a proposta é expandir essa experiência para todo o estado, reorganizando a rede pública de saúde e dando condições reais de atendimento aos municípios, evitando que a população precise percorrer centenas de quilômetros até Porto Velho.
A exigência por uma gestão presente
O discurso de Hildon enfatiza a necessidade de um gestor que conheça os desafios, acompanhe indicadores e participe das decisões. "O prefeito, o governador, têm a obrigação de levantar da cadeira logo cedo e trabalhar", declarou, reforçando que a boa gestão é fruto de competência, preparo e trabalho, e não de sorte.
Diante desse cenário, é preciso indagar: até que ponto o transporte constante de pacientes é uma solução logística ou apenas um paliativo que mascara a ausência de infraestrutura nos municípios de origem? A verdadeira eficiência não está em mover pessoas, mas em levar o cuidado até onde elas estão.
Resta saber se as próximas gestões terão a capacidade de execução e o planejamento necessário para transformar a descentralização do atendimento em uma realidade, ou se o estado continuará refém de um modelo que transfere o problema de lugar, mas não o resolve.
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