Pesquisas de Rondônia subestimaram Marcos Rogério até a véspera da eleição
Das seis pesquisas divulgadas na campanha ao governo de Rondônia, nenhuma projetou os 57,02% que Marcos Rogério obteve; a mais próxima foi a Quaest da véspera, ainda 4 pontos abaixo
📋 Em resumo ▾
- Levantamos as seis pesquisas de intenção de voto divulgadas para o governo de Rondônia ao longo da campanha de 2026, de três institutos diferentes: Real Time Big Data, Quaest e Instituto Phoenix
- Todas subestimaram Marcos Rogério (PL), que terminou com 57,02% dos votos válidos — nenhuma pesquisa projetou mais de 53%
- A pesquisa mais próxima do resultado final foi a Quaest da véspera (2-3 de outubro), que marcou 53% para Rogério — ainda assim, 4 pontos abaixo do resultado real
- Por que isso importa: o padrão de subestimação se repetiu em todas as rodadas e institutos, sugerindo um movimento de consolidação de voto nos dias finais que nenhuma pesquisa captou por completo
Nenhuma das seis pesquisas de intenção de voto divulgadas ao longo da campanha ao governo de Rondônia projetou o resultado que Marcos Rogério (PL) obteve no primeiro turno: 57,02% dos votos válidos, eleição matematicamente definida sem necessidade de segundo turno. Levantamos o histórico completo de pesquisas de três institutos — Real Time Big Data, Quaest e Instituto Phoenix — e comparamos com o resultado oficial.
A trajetória das pesquisas

É importante marcar o que os números mostram: a distância entre pesquisa e resultado para Rogério foi diminuindo ao longo da campanha — de -21 pontos em julho (RTBD) para -4 pontos na véspera (Quaest) —, mas nunca chegou a zero. Mesmo a pesquisa mais recente, feita a menos de 48 horas da votação, ficou abaixo do resultado real.
A pesquisa mais próxima: Quaest da véspera
Entre as seis pesquisas, a que mais se aproximou do resultado final foi a Quaest divulgada no sábado (3), véspera da votação, com 53% para Rogério — uma diferença de 4,02 pontos percentuais para menos em relação ao resultado oficial. É também a única pesquisa que testou o eleitorado depois do fim da propaganda eleitoral gratuita, o que pode explicar a maior proximidade com o resultado real.

O outro lado da história: o colapso de Adailton Fúria
Se a subestimação de Rogério já chama atenção, o caso de Adailton Fúria é ainda mais acentuado. Ao longo da campanha, as pesquisas o colocaram numa faixa relativamente estável — entre 19% e 32% no cenário estimulado, com pico justamente na pesquisa de 25 a 29 de setembro (Real Time Big Data), quando marcou 32%. No resultado oficial, porém, Fúria terminou com 14,66% dos votos válidos — abaixo até da pesquisa mais antiga do levantamento, a Instituto Phoenix de agosto (19,35%).
Ou seja: não foi só que as pesquisas erraram para baixo a força de Rogério — elas também superestimaram consistentemente a de seu principal adversário, em todas as rodadas, de todos os institutos.
Por que isso pode ter acontecido
Há explicações possíveis, mas nenhuma delas pode ser tratada como fato comprovado a partir dos dados que temos — informação insuficiente para verificar uma causa única. Hipóteses levantadas por analistas em situações semelhantes incluem: efeito manada ou consolidação de voto nos últimos dias de campanha (quando o eleitor migra para quem já aparece à frente, fenômeno mais difícil de capturar em pesquisas feitas dias antes da votação); e a possibilidade de que parte do eleitorado indeciso nas pesquisas — a Quaest de setembro registrava 19% de indecisos — tenha se decidido majoritariamente por Rogério no fim da campanha.
O padrão identificado em Rondônia — pesquisas sistematicamente abaixo do resultado final do líder, mesmo na última rodada antes da votação — é um dado relevante para a leitura de pesquisas em eleições futuras no estado, e reforça a prática já recomendada por institutos de pesquisa: tratar qualquer levantamento, por mais recente que seja, como uma fotografia do momento da coleta, não uma previsão do resultado final.
Versão em áudio disponível no topo do post.