Sete brasileiros são eleitos para câmaras estaduais nos EUA; veja quem são
Sete pessoas nascidas no Brasil conquistaram vagas em câmaras estaduais dos EUA nas eleições de meio de mandato de terça-feira (3/11); todas pelo Partido Democrata
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- Sete brasileiros natos foram eleitos para legislativas estaduais americanas, todos pelo Partido Democrata — quatro em Massachusetts, além de Flórida, Connecticut e Nevada
- As eleições fazem parte das midterms, o pleito de meio de mandato que renova toda a Câmara dos Representantes e parte do Senado dos EUA
- O resultado nacional confirmou avanço democrata, com a sigla retomando força no Congresso e em disputas estaduais, em revés à administração Trump
- Conheça a trajetória de cada um dos sete eleitos, de imigrantes sem documentos a advogadas e ex-assessoras parlamentares
- Por que isso importa: o resultado mostra o peso eleitoral crescente da comunidade brasileira nos EUA e se insere num cenário mais amplo de desgaste político do Partido Republicano, que historicamente perde terreno em eleições de meio de mandato — e, segundo analistas, voltou a perder nesta.
As eleições de meio de mandato — as midterms — ocorrem a cada dois anos nos Estados Unidos, exatamente na metade do mandato presidencial de quatro anos. Diferentemente do Brasil, onde presidente e Congresso são eleitos juntos, o sistema americano renova o Legislativo em um ciclo próprio: a cada midterm, toda a Câmara dos Representantes (435 cadeiras) é disputada, junto com cerca de um terço do Senado e dezenas de governos e legislativas estaduais.
A Presidência não está em jogo, mas o resultado determina se o presidente mantém ou perde apoio parlamentar para aprovar sua agenda. Historicamente, o partido que ocupa a Casa Branca tende a perder cadeiras nessas eleições: entre 1946 e 2022, isso aconteceu em 18 das 20 midterms realizadas, segundo levantamento do American Presidency Project — um padrão que análises de mercado, como a do BTG Pactual, já apontavam como favorável à oposição também em 2026.
Avanço democrata e revés republicano
O pleito desta terça-feira (3/11) confirmou a tendência histórica: o Partido Democrata avançou e o Partido Republicano, de Donald Trump, perdeu força em disputas importantes pelo país, inclusive em governos estaduais e no Senado — onde o número de cadeiras em poder democrata chegou a cerca de 54, um ganho líquido de sete estados em relação ao pleito anterior. A votação antecipada bateu recorde histórico para uma midterm, superando os 45,9 milhões de eleitores registrados em 2022, com os democratas representando a maior parte desse contingente nos estados que divulgam filiação partidária dos votantes.
É dentro desse cenário nacional de avanço democrata que se inserem as vitórias dos sete brasileiros natos — todos filiados à sigla.
Os sete brasileiros eleitos
Felipe Sousa-Lazaballet, 40 anos, nascido em Duque de Caxias (RJ), venceu a disputa pelo Distrito 42 da Câmara Estadual da Flórida — o estado americano com a maior presença brasileira. Ativista comunitário e defensor dos direitos de imigrantes e da comunidade LGBTQ+, ele chegou aos Estados Unidos aos 14 anos, viveu 15 anos em situação migratória irregular e se naturalizou americano em 2021. Esta é sua primeira eleição para o cargo, e ele vai representar o distrito na Câmara Estadual, em Tallahassee.
Massachusetts é o segundo estado com mais brasileiros — e, nesta eleição, elegeu não três, mas quatro pessoas nascidas no Brasil, mais do que chegou a circular:
- Danillo Sena, nascido em Timbaúba (PE), foi o primeiro imigrante brasileiro eleito para a legislatura de Massachusetts, em 2020, e foi reeleito pelo 37º Distrito de Middlesex, que abrange Boxborough, Harvard, Ayer, Shirley e partes de Acton e Groton.
- Priscila Sousa, nascida em Ipatinga (MG), também foi reeleita, representando o 6º Distrito de Middlesex, na região de Framingham, cidade para onde se mudou aos sete anos de idade.
- Rita Mendes, nascida em Conselheiro Pena (MG), foi reeleita pelo 11º Distrito de Plymouth, que inclui Brockton — cidade com forte presença brasileira — e chegou aos EUA com os pais em 2022, sem saber inglês.
- Lorena Betts, nascida no Mato Grosso, é a novidade do grupo: venceu a vaga aberta pela aposentadoria do deputado Rodney Elliott no 16º Distrito de Middlesex. Betts foi assessora legislativa do próprio Danillo Sena antes de se candidatar.
Em Connecticut, Farley Santos, nascido em Minas Gerais, foi reeleito pelo 109º Distrito, que cobre parte de Danbury, cidade de cerca de 86 mil habitantes. No cargo desde 2022, ele já ajudou a destinar mais de US$ 26 milhões a escolas públicas e organizações comunitárias de Danbury em sua primeira legislatura.
Em Nevada, Elaine Marzola, nascida no Rio de Janeiro e radicada em Las Vegas desde os 10 anos de idade, foi reeleita pelo 21º Distrito da Assembleia estadual, cargo que ocupa desde 2020. Advogada, ela hoje também exerce a função de Speaker Pro Tempore (vice-presidente da Mesa) da Casa — uma das posições de maior destaque entre os brasileiros eleitos nos EUA.
Além dos sete, outras duas pessoas nascidas no Brasil concorreram a cargos legislativos estaduais e aguardavam o resultado final até a publicação desta reportagem; seus nomes e distritos não foram divulgados pela imprensa até o momento.
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