Hildon Chaves reage a falhas na saúde apontadas pelo TCE-RO
Relatório do TCE-RO sobre as contas de 2025 aponta Rondônia com a segunda pior taxa de mortalidade infantil do país, cobertura precária de pré-natal e ausência de UTI neonatal, enquanto pré-candidato ao governo acusa gestores de incompetência
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- O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) detectou graves irregularidades na gestão da saúde do Governo do Estado ao analisar a prestação de contas do exercício de 2025
- O relatório aponta falhas na coordenação da política materno-infantil, com aumento da mortalidade materna e neonatal
- Hildon Chaves (Progressistas), ex-prefeito de Porto Velho e candidato ao governo, classificou a situação como "inaceitável" e prometeu investir em novos hospitais
- Rondônia tem a segunda pior taxa de mortalidade infantil do Brasil, atrás apenas do Amapá, com 9 óbitos por mil nascimentos — quase o dobro da meta nacional
- 74% dos óbitos de bebês e mais de um terço dos óbitos maternos poderiam ter sido evitados
- Por que isso importa: A convergência entre um relatório técnico contundente e a reação de um dos principais candidatos ao governo eleva a saúde materno-infantil ao centro da disputa eleitoral em Rondônia
O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) detectou uma série de irregularidades na gestão da saúde do Governo do Estado ao analisar a prestação de contas do exercício de 2025, com destaque para graves falhas na coordenação da política materno-infantil. Para o ex-prefeito de Porto Velho e candidato ao governo pela Federação União Progressistas, Hildon Chaves, a situação é "inaceitável". "Na vida pública não há espaço para achismos", disparou o pré-candidato, prometendo um diagnóstico completo da saúde e investimentos em novos hospitais e centros de atendimento.
O relatório do TCE-RO posiciona Rondônia com a segunda pior taxa de mortalidade infantil do Brasil, atrás apenas do Amapá. Foram registrados 9 óbitos por mil nascimentos no estado, enquanto a meta nacional é de 5. A mortalidade materna também preocupa: são 62 casos por 100 mil nascimentos, mais que o dobro da meta brasileira, que não passa de 30. A taxa é a pior registrada em Rondônia desde 2006.
Como o TCE-RO mapeou o colapso da política materno-infantil
A análise do tribunal apontou três eixos críticos de falha: cobertura insuficiente de exames essenciais, concentração excessiva de serviços especializados na capital e dificuldades de acesso em várias regiões do estado. O diagnóstico é contundente: mais de um terço das mortes de recém-nascidos foram causadas por cuidados inadequados, e cerca de 74% dos óbitos de bebês poderiam ter sido evitados. No caso das mães, mais de um terço dos óbitos maternos tiveram causas evitáveis, como infecção urinária, diabetes e hipertensão.
O padrão ideal de assistência pré-natal prevê sete consultas durante a gestação, com início antes da 12ª semana. Os números rondonienses, porém, estão longe desse parâmetro. 2.880 gestantes tiveram início tardio no acompanhamento, e 1.250 grávidas não realizaram nenhuma consulta pré-natal. Esse défice assistencial resultou em mais de 30% das mortes de recém-nascidos no estado.
"Inaceitável que a incompetência administrativa dos gestores seja a causa da perda de vidas de mães e recém-nascidos rondonienses."
A ausência de UTI neonatal no interior do estado é outra deficiência estrutural apontada no relatório. A concentração de unidades de terapia intensiva em Porto Velho obriga mães e bebês a percorrer distâncias que chegam a mais de 800 quilômetros em busca de atendimento especializado. A precariedade se estende ao diagnóstico: menos de 10% das grávidas têm acesso a ultrassonografia pelo sistema público, e quase 60% delas tiveram que recorrer a atendimentos particulares.
Hildon Chaves e a aposta no diagnóstico como bandeira eleitoral
A reação de Hildon Chaves não se limitou à indignação. O pré-candidato assumiu compromissos concretos: "Faremos um diagnóstico da saúde com o compromisso de investir na construção de novos hospitais e centros de atendimento nos locais certos, provendo um atendimento digno para a nossa população", afirmou. A declaração posiciona a saúde como eixo central de sua campanha ao governo de Rondônia.
Chaves também direcionou críticas à política de remoção de pacientes do interior para os grandes centros. "Houve um crescimento recorde no número de veículos que transportam médicos, enfermeiros e pacientes do interior para atendimento hospitalar nos maiores centros do Estado. É uma política fadada ao fracasso, que representa basicamente duas coisas: um enorme desperdício de dinheiro público e a perda de vidas e o sofrimento de muitas famílias rondonienses", denunciou. E acrescentou, em tom provocativo: "Fico imaginando que alguém pode estar lucrando com esse caos".
"Fico imaginando que alguém pode estar lucrando com esse caos", provocou Hildon Chaves sobre a política de transporte de pacientes no interior.
O contexto: saúde como variável eleitoral em Rondônia
A publicação do relatório do TCE-RO em ano eleitoral muda a temperatura do debate. A saúde materno-infantil, tradicionalmente tratada como indicador técnico, ganha dimensão política quando um dos principados candidatos ao governo do estado a transforma em bandeira de campanha. Hildon Chaves, que deixou a prefeitura de Porto Velho com avaliação positiva na gestão municipal, tenta transpor para o plano estadual a imagem de gestor eficiente — e o relatório do tribunal lhe fornece munição.
A convergência entre o diagnóstico técnico do TCE e a narrativa do candidato cria um cenário em que a gestão atual da saúde será intensamente questionada ao longo da campanha. Os números são implacáveis: Rondônia não apenas está distante das metas nacionais, mas registra índices que lembram os piores momentos históricos do estado. A falta de UTI neonatal no interior, a centralização de recursos na capital e a dependência de atendimento particular para exames básicos compõem um quadro de desassistência que é, ao mesmo tempo, técnico e político.
O que vem por aí
O TCE-RO deve aprofundar as análises nas próximas sessões de julgamento das contas de 2025, e a expectativa é que as irregularidades na saúde gerem recomendações com prazo para correção — ou até mesmo representações ao Ministério Público. Do lado político, Hildon Chaves já sinalizou que a saúde será o eixo prioritário de seu plano de governo. A pergunta que o eleitor rondoniense terá de responder nas urnas é se a promessa de novos hospitais e centros de atendimento será suficiente para reverter um colapso estrutural que matou mais mães e bebês em 2025 do que deveria.
Se o diagnóstico do tribunal é preciso, a solução exigirá mais do que promessas de campanha: exigirá dinheiro, planejamento e, acima de tudo, a convicção de que a vida de uma gestante no interior de Rondônia vale o mesmo investimento que a de uma gestante em Porto Velho. O relatório do TCE-RO deixou claro que, até agora, essa equação não fechou.
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