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IDH Brasil 2024: educação e políticas públicas lideram avanço histórico

Brasil atinge índice de 0,805 em 2024; educação e inclusão social reduzem desigualdades, mas desafios regionais e raciais permanecem

IDH Brasil 2024: educação e políticas públicas lideram avanço histórico
📷 Agência Brasil
📋 Em resumo
  • Brasil alcança IDH de 0,805, classificando-se como "muito alto" desenvolvimento humano pela primeira vez
  • Educação foi a dimensão que mais cresceu: de 0,679 (2012) para 0,798 (2024)
  • Desigualdade racial: projeção de equiparação caiu de 35 para 26 anos
  • Quando ajustado pela desigualdade, IDH brasileiro recua de 0,805 para 0,641
  • Por que isso importa: o avanço mascara assimetrias regionais e sociais que exigem políticas públicas continuadas
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O Brasil entrou para o seleto grupo de nações com desenvolvimento humano "muito alto". Dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulgados nesta terça-feira (26) mostram Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805 em 2024 — o maior da série histórica. O avanço reflete ganhos em educação e inclusão, mas desigualdades estruturais seguem como desafio.

Educação puxa avanço do IDH em 12 anos

O estudo aponta a educação como a dimensão que mais impulsionou o crescimento do IDHM brasileiro ao longo da série histórica. O índice do setor passou de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024.

Políticas públicas voltadas à inclusão social vêm contribuindo para reduzir desigualdades históricas. Em 2021, estimava-se que a população negra levaria 35 anos para alcançar o mesmo IDH da população branca. Em 2024, essa projeção caiu para 26 anos.

"O programa Bolsa Família retira uma enorme quantidade de crianças do trabalho e oferece a elas condições para permanecerem na escola. Vejo aqui um efeito direto de uma política pública brasileira", afirma Betina Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD Brasil.

De acordo com Barbosa, a melhora nos indicadores educacionais foi mais acentuada entre famílias de menor renda, especialmente entre a população negra. No entanto, apesar do avanço, o relatório aponta que as desigualdades raciais, de gênero e regionais ainda permanecem significativas no país.

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Saúde estabilizada, renda avança em ritmo moderado

Na área da saúde, o desempenho já era considerado de desenvolvimento "muito alto" em 2012, quando o índice atingiu 0,829. O resultado reflete a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) desde sua criação na Constituição de 1988.

Ainda assim, foi o indicador que apresentou crescimento mais lento ao longo do período, chegando a 0,860 em 2024. O indicador de renda também avançou em ritmo moderado, passando de 0,732 em 2012 para 0,760 em 2024, permanecendo na faixa de alto desenvolvimento.

Nordeste metropolitanizado ajuda a reverter histórico de desigualdade

Os dados do PNUD apontam que as regiões metropolitanas têm desempenhado papel importante na elevação do índice nacional. Embora estados das regiões Sul e Sudeste já apresentassem índices elevados, áreas que antes eram consideradas mais periféricas passaram a contribuir de forma significativa.

Um exemplo citado por Betina Barbosa é a Grande Teresina, no Piauí, que alcançou índice de 0,809, considerado de desenvolvimento humano muito alto.

"Territórios que antes puxavam a média brasileira para baixo, por não acompanharem o ritmo de crescimento, agora ajudam o país a alcançar o patamar de desenvolvimento muito alto", afirma Barbosa.

Entre os nove estados do Nordeste, sete regiões metropolitanas já alcançaram a classificação de IDH muito alto — um resultado inédito segundo o PNUD. São elas: Natal (0,822), Aracaju (0,809), Teresina (0,809), Recife (0,806), São Luís (0,806), Salvador (0,803) e João Pessoa (0,803).

Quando a média esconde a desigualdade real

Quando ajustado pela desigualdade, o IDHM brasileiro cai de 0,805 para 0,641. O recuo indica que parte significativa da população ainda vive distante da média nacional.

O levantamento analisa indicadores relacionados à saúde e longevidade, educação e geração de renda, com recortes por raça e gênero. A pesquisa também marca os 30 anos do primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano produzido no país.

Há três décadas, quando o índice começou a ser calculado pelas Nações Unidas, o Brasil era enquadrado na categoria de "baixo desenvolvimento humano", com indicadores inferiores a 0,555. A trajetória de ascensão é inegável. Mas a pergunta que fica é: como garantir que o próximo salto não dependa apenas de médias, mas de inclusão real?


Versão em áudio disponível no topo do post.

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