Impasse bilionário: Propostas de recapitalização da Raízen opõem acionistas e bancos
Com dívidas de R$ 55 bi, a maior produtora de etanol do mundo enfrenta queda nas ações e divergências estratégicas entre seus principais controladores sobre a reestruturação do negócio

A Raízen, maior produtora mundial de etanol de cana-de-açúcar e peça-chave na estratégia de transição energética do Brasil, atravessa um momento decisivo. Com uma dívida acumulada superior a R$ 55 bilhões, a companhia busca desesperadamente evitar um processo de recuperação judicial. No entanto, o caminho para a estabilidade financeira tornou-se o centro de uma disputa estratégica entre seus principais acionistas: a anglo-holandesa Shell e a brasileira Cosan, controlada pelo empresário Rubens Ometto.
Ambas as empresas detêm 44% de participação cada na joint venture, mas apresentam visões distintas sobre como salvar a operação. Enquanto a semana inicia com rodadas de negociações intensas em São Paulo e Londres, o mercado observa com cautela a desvalorização dos ativos; as ações da Raízen na B3 recuaram 62% nos últimos 12 meses.
As propostas em jogo: Unidade vs. cisão
A Shell defende a manutenção do modelo atual, integrando a produção de etanol e a distribuição de combustíveis sob o mesmo guarda-chuva. Para os executivos da petroleira estrangeira, a Raízen é o pilar fundamental de sua aposta em energia limpa. A proposta da Shell inclui uma injeção de capital novo na ordem de US$ 3,5 bilhões (aproximadamente R$ 17,5 bilhões), visando preservar a rede de cerca de 9 mil postos que levam sua marca na América Latina.
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