Infraestrutura como arma: a ascensão de Hildon Chaves em RO
Ex-prefeito de Porto Velho consolida pré-candidatura ao governo com foco em logística, prometendo pavimentar a RO-205 e ameaçando a hegemonia dos favoritos nas pesquisas eleitorais
📋 Em resumo ▾
- Hildon Chaves consolida sua pré-candidatura ao governo de Rondônia, ganhando espaço em pesquisas recentes e ameaçando os nomes tradicionalmente favoritos.
- A estratégia central da campanha é a promessa de pavimentação dos 80 quilômetros da RO-205, entre Cujubim e Machadinho do Oeste.
- A obra visa destravar um corredor logístico que movimenta cerca de R$ 1 bilhão por ano em mercadorias, beneficiando mais de 60 mil pessoas.
- O plano inclui a construção de pontes de concreto e a integração logística estadual, contrastando com promessas genéricas de adversários.
- A aposta é clara: transformar a experiência administrativa de oito anos na capital em capital político para vencer no interior do estado.
O cenário eleitoral para o governo de Rondônia em 2026 começa a desenhar contornos mais definidos, e uma movimentação em particular tem chamado a atenção dos bastidores políticos e do eleitorado. O ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, vem organizando sua campanha com uma estratégia que foge do ruído ideológico e aposta em uma moeda de alto valor no estado: a infraestrutura logística. Os efeitos dessa abordagem já começam a aparecer, com o pré-candidato da Federação União Progressistas ganhando corpo nas pesquisas e se posicionando como uma ameaça real aos nomes que até então dividiam a condição de favoritos.
A visita recente a municípios como Cujubim e Machadinho do Oeste não foi um mero ato protocolar de campanha. Foi a apresentação de um plano de governo tangível, centrado na promessa de priorizar o asfaltamento de um dos gargalos mais críticos da produção rondoniense: o trecho de 80 quilômetros da RO-205 que separa os dois municípios.
A RO-205 como vitrine de gestão
Pavimentar esse trecho é uma antiga e dolorosa reivindicação da população local. Atualmente, a estrada de terra representa um desafio diário que sufoca a economia regional. Na estação chuvosa, caminhões atolados geram prejuízos diretos na produção, que se perde pelo caminho ou chega mais cara ao consumidor final devido aos custos logísticos exorbitantes. No verão, a intensa poeira prejudica a visibilidade, enquanto as "costelas de vaca" tornam o trânsito lento e perigoso.
"Estradas melhores aproximam pessoas e oportunidades. Pavimentei mais de 800 quilômetros de ruas e avenidas em Porto Velho durante os meus oito anos de mandato, então não vejo dificuldade em realizar essa obra tão importante para o Vale do Jamari."
A promessa de Hildon vai além do asfalto. O projeto contempla a construção de pontes de concreto e a priorização da logística de integração em todas as regiões do estado, com o objetivo de concluir obras paralisadas e incentivar novas alternativas para o escoamento da produção.
O impacto econômico de um gargalo destravado
Os números que sustentam essa proposta são robustos e demonstram por que a RO-205 é um corredor logístico vital. Estima-se que circulem cerca de R$ 1 bilhão por ano em mercadorias pelo trecho de chão entre Cujubim e Machadinho. Esse valor está atrelado à produção local de gado em pé e leite resfriado.
O impacto da falta de infraestrutura é visível e imediato. Por falta de asfalto em um trecho de pouco mais de três quilômetros, um laticínio de Cujubim encontra-se hoje com boa parte de sua produção paralisada, impossibilitando o tráfego frequente de veículos pesados. A pavimentação encurtaria a viagem de ida e volta entre Machadinho do Oeste e Porto Velho em 100 quilômetros, eliminando o isolamento que hoje inviabiliza até mesmo o tráfego de ambulâncias com pacientes em urgência.
Além disso, a obra beneficiará uma população estimada em mais de 60 mil pessoas, incluindo os dez mil habitantes do Vale do Anari e diversas comunidades e assentamentos rurais ao longo do eixo. Centenas de alunos da zona rural, que hoje sofrem com atrasos e atolamentos no transporte escolar, terão sua rotina transformada, assim como milhares de pequenos produtores de leite, pecuaristas e motoristas de caminhão.
Ameaça aos favoritos e a disputa nas pesquisas
A ascensão de Hildon Chaves não passa despercebida nos levantamentos de opinião pública recentes. Pesquisas de institutos como o IHPEC e o Novo Perfil têm mostrado uma disputa acirrada, onde nomes como Marcos Rogério e Adailton Fúria dividem a liderança, mas Hildon aparece consolidado na faixa dos dois dígitos, em alguns cenários ultrapassando a marca de 16% das intenções de voto e pressionando o segundo lugar.
Essa tração eleitoral é um sintoma claro de que o eleitorado rondoniense está receptivo a uma narrativa de competência administrativa. Ao deixar a presidência da Associação dos Municípios de Rondônia (Arom) para se dedicar integralmente à campanha, Hildon sinalizou que sua aposta é transformar sua experiência de dois mandatos na capital em capital político para conquistar o interior.
"Em um estado onde a logística é o gargalo do agronegócio, prometer a solução de um problema específico e doloroso é muito mais eficaz do que discursos genéricos sobre desenvolvimento."
O que vem pela frente
A campanha de Hildon Chaves entra em uma fase decisiva. A estratégia de focar em obras emblemáticas, como a RO-205, serve como um microcosmo de seu plano de governo: identificar gargalos, apresentar soluções técnicas e usar o histórico de execução como prova de capacidade.
No entanto, o caminho até outubro será pavimentado de desafios. Os favoritos da disputa possuem máquinas partidárias robustas e grande capilaridade no interior. A pergunta que fica para os próximos meses não é se a proposta de Hildon é boa — os números econômicos falam por si. A questão é se a narrativa de competência técnica e execução de obras será suficiente para furar a bolha do marketing político tradicional e convencer o eleitor de que a mudança na gestão do estado é não apenas desejável, mas viável.
Em Rondônia, onde o barro da estrada muitas vezes define o ritmo da economia, quem prometer o asfalto com credibilidade pode ser quem, de fato, pavimentará seu caminho para o Palácio Rio Madeira.
Versão em áudio disponível no topo do post.