Poder e Bastidores

Investigação da PF sobre suposta propina em Manaus se intensifica: prefeito David Almeida é alvo

Escutas telefônicas e novas evidências ampliam suspeitas de corrupção na capital amazonense, enquanto autoridades mantêm sigilo sobre o caso

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Em meio à crescente tensão política em Manaus, a Polícia Federal (PF) intensifica sua investigação sobre um suposto esquema de propina envolvendo a administração municipal. O prefeito David Almeida, que lidera as pesquisas para as eleições de 2024, encontra-se no centro de um inquérito que promete abalar as estruturas do poder local.

A investigação, que teve início com escutas telefônicas em março de 2022, ganhou novos contornos recentemente. O alvo inicial era José Antonio, sócio da empresa Tumpex, investigado por sonegação fiscal. No entanto, uma conversa gravada entre ele e outro empresário mencionou supostos pagamentos ilícitos para garantir contratos com a prefeitura, lançando suspeitas sobre a administração municipal.

Um relatório do MPF (Ministério Público Federal), que o site UOL teve acesso, aponta uma suposta propina de R$ 100 mil. O montante teria sido entregue à irmã do prefeito por José Antonio Marques, sócio da Tumpex, empresa que faz a coleta do lixo em Manaus.

Em troca, o empresário teria recebido ajuda para vencer uma licitação de R$ 6 milhões para a Secretaria Municipal de Infraestrutura. Tratava-se de uma compra de sacos de ráfia, usados para transportar pedras, areia, entulho e outros materiais.

A Secretaria de Comunicação de Manaus (Secom) reagiu prontamente às acusações, negando qualquer envolvimento em atividades ilícitas. Em comunicado, a Secom afirmou que a investigação em curso "deverá concluir a inexistência de qualquer crime relacionado à gestão". Além disso, a prefeitura anunciou que tomará medidas legais contra os responsáveis por "falsas afirmações", sugerindo que as acusações possam ter motivações políticas visando prejudicar a campanha eleitoral de Almeida.

O caso ganha complexidade com o envolvimento de figuras próximas ao prefeito. Recentemente, o senador Eduardo Braga, principal aliado de David Almeida, foi indiciado pela PF por corrupção em um desdobramento da operação Lava Jato. Essa nova frente de investigação levanta questões sobre a extensão das supostas práticas ilícitas na esfera política de Manaus.

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A empresa Tumpex, por meio de seu advogado, confirmou a existência da investigação, mas negou qualquer relação com agentes públicos ou seus parentes. A defesa ressaltou que a empresa não participa de licitações há décadas e que o contrato atual com o poder público municipal "remonta a gestões passadas".

O cenário político em Manaus permanece volátil, com David Almeida mantendo a liderança nas pesquisas de intenção de voto para as eleições de 2024, apesar das controvérsias. Com 29,5% das intenções, o prefeito enfrenta a concorrência do Capitão Alberto Neto (PL) e Amom Mandel (Cidadania), que aparecem tecnicamente empatados na segunda posição.

A Polícia Federal mantém o inquérito sob sigilo, uma medida que tem gerado especulações e aumentado a pressão por transparência. Fontes próximas à investigação indicam que novas revelações podem surgir nos próximos meses, potencialmente impactando o cenário eleitoral de 2024.

Em paralelo, outras investigações da PF na região amazônica têm revelado esquemas de corrupção envolvendo servidores públicos. Um caso notável é o do "Rei do Carbono", investigado por supostos pagamentos de propina a funcionários do Incra, Ipaam e Sect, demonstrando a amplitude dos desafios enfrentados pelas autoridades no combate à corrupção na região.

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À medida que a investigação avança, a população de Manaus aguarda ansiosamente por respostas. O desfecho deste caso promete não apenas influenciar o futuro político da cidade, mas também testar a eficácia das instituições de controle e a resiliência da democracia local frente a alegações de corrupção sistêmica.