Itaú lucra R$ 12,4 bi no 2º tri e mantém ROE acima de 24%
Maior banco privado do país registra lucro gerencial de R$ 12,4 bilhões entre abril e junho, com alta de 7,8% na comparação anual; margem financeira chega a R$ 33 bi e inadimplência segue estável em 1,9%, enquanto Santander e Banco do Brasil enfrentam pressão
📋 Em resumo ▾
- Itaú Unibanco registrou lucro líquido gerencial de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 7,8% na comparação anual e de 1% frente ao primeiro trimestre; lucro contábil ficou em R$ 12,1 bilhões
- O ROE (retorno sobre patrimônio líquido) encerrou o trimestre em 24,3% — acima dos 23,3% de um ano antes, embora abaixo dos 26,4% do trimestre imediatamente anterior; no Brasil, o indicador chegou a 25,7%
- A margem financeira gerencial alcançou R$ 33 bilhões (+5,2% a/a), impulsionada por operações com clientes (R$ 32,6 bi, +5,1%) e mercado (R$ 900 mi, +8,6%); carteira de crédito totaliza R$ 1,5 trilhão
- A inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 1,9%, patamar considerado robusto em cenário de juros elevados e endividamento familiar recorde
- Por que isso importa: O resultado consolida o Itaú como o banco mais resiliente do sistema financeiro brasileiro, com rentabilidade quase o dobro do Bradesco e quatro vezes superior à do Banco do Brasil, enquanto o setor enfrenta desaceleração do crédito e pressão da inadimplência
O Itaú Unibanco registrou lucro líquido gerencial de R$ 12,407 bilhões no segundo trimestre de 2026, resultado divulgado nesta terça-feira (4) que representa alta de 7,8% na comparação com o mesmo período do ano passado e de 1% frente aos três meses imediatamente anteriores. O lucro líquido contábil ficou em R$ 12,1 bilhões. O desempenho manteve o banco no topo da rentabilidade do sistema financeiro brasileiro, com ROE de 24,3% — patamar que, embora ligeiramente inferior aos 24,8% do primeiro trimestre, supera em quase um ponto percentual os 23,3% registrados no segundo trimestre de 2025.
O motor do resultado: margem financeira de R$ 33 bi e carteira de R$ 1,5 tri
A evolução dos números foi sustentada principalmente pelo crescimento da margem financeira gerencial, que alcançou R$ 33 bilhões no período — alta de 5,2% na comparação anual e avanço de 3,6% frente ao primeiro trimestre. A maior contribuição continuou vindo das operações com clientes, cuja margem somou R$ 32,6 bilhões (+5,1% em um ano). Já a margem com o mercado atingiu R$ 900 milhões, avanço de 8,6% na mesma base de comparação.
A carteira de crédito do banco totalizou R$ 1,5 trilhão ao final de junho, patamar próximo ao registrado no primeiro trimestre. O crescimento anual da carteira foi de 9% (excluindo variação cambial), impulsionado por linhas de programas governamentais no segmento empresas e, no varejo, pelo crédito imobiliário (+11,2%), cartão de crédito (+8,2%) e consignado (+6,1%).
"A consistência dos nossos resultados reflete a clareza de uma estratégia orientada ao longo prazo. Crescer com rentabilidade e qualidade de carteira exige disciplina analítica, concessão responsável de crédito e uso prático da tecnologia", afirmou Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú Unibanco.
Inadimplência estável em 1,9%: o diferencial que o mercado observa
Em um cenário de endividamento familiar recorde e juros ainda elevados, o índice de inadimplência do Itaú acima de 90 dias permaneceu estável em 1,9% — o mesmo patamar desde o primeiro trimestre de 2025. A estabilidade é atribuída pela instituição a uma política de "qualidade de originação" que prioriza clientes de maior renda e operações garantidas, reduzindo a exposição a ciclos de estresse.
Considerando apenas a operação no Brasil, o índice de atrasos ficou em 2,1%, levemente acima do consolidado global. Nos segmentos de maior risco — crédito pessoal e cartão de crédito, excluindo imobiliário —, a inadimplência do Itaú ficou em 5,1% da carteira, bem abaixo dos 9,3% e 10,2% do mercado, respectivamente.
A provisão para perdas esperadas somou R$ 56 bilhões, com queda anual de 4% e estabilidade em relação ao fim de 2025 — sinal de que o banco não precisou reforçar o colchão de segurança diante de uma carteira que se mostra menos vulnerável que a dos concorrentes.
O mapa da rentabilidade: Itaú quase dobra o Bradesco e quadruplica o BB
O resultado do Itaú ganha dimensão quando comparado aos dos demais grandes bancos brasileiros. A temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 revela uma cisão acentuada no setor:
Tabela comparativa
O Santander Brasil, que divulgou resultado em 29 de julho, registrou lucro de R$ 3,3 bilhões — queda de 17,6% na comparação anual e de 20,4% frente ao primeiro trimestre, pressionado pelo aumento das provisões e por ajuste na metodologia de write-off.
O Banco do Brasil, que divulga em 12 de agosto, é projetado com lucro de apenas R$ 2,9 bilhões (-25% a/a) e ROE de 5,8% a 7,4%, arrastado pela deterioração da carteira de agronegócio e pelo consumo acelerado das provisões.
O Bradesco, que divulga nesta quarta-feira (5), é apontado como o destaque positivo do trimestre, com lucro projetado em R$ 7 bilhões (+15% a/a) e ROE em recuperação para a casa dos 16%. Mesmo assim, a rentabilidade do Bradesco é quase 8 pontos percentuais inferior à do Itaú.
O BTG Pactual, com lucro projetado de R$ 4,9 bilhões e ROE de 25,6%, é o único que supera o Itaú em rentabilidade — mas opera em nicho distinto, menos exposto ao crédito tradicional e mais concentrado em investment banking e gestão de patrimônio.
"O Itaú segue sendo visto como a instituição mais resiliente do grupo, sustentando retornos superiores aos dos pares mesmo em um ambiente de crescimento mais moderado", apontou análise do InfoMoney antes da divulgação.
Tecnologia, eficiência e a aposta no "banco do futuro"
As despesas não decorrentes de juros do Itaú totalizaram R$ 16,2 bilhões no trimestre, alta de 4,8% na comparação anual. O aumento, segundo o banco, reflete maiores gastos com tecnologia — especialmente processamento em nuvem e desenvolvimento de sistemas — e efeitos de pessoal.
As receitas com serviços e seguros avançaram 5,3% na comparação anual, impulsionadas por administração de recursos e volume em bancos de investimento e corretagem. No segmento de seguros, o avanço foi de 17,2%, relacionado a maiores prêmios ganhos.
O Itaú encerrou junho com 70 milhões de clientes, 2.367 agências e pontos de atendimento e 81.659 funcionários. Maluhy tem priorizado a transformação digital como pilar da estratégia de longo prazo, com reorganização da presença física para segmentos em que o atendimento presencial ainda agrega valor.
"Entregamos resultados positivos hoje enquanto consolidamos a infraestrutura e a cultura do banco do futuro", concluiu Maluhy.
O setor bancário em desaceleração
O resultado do Itaú ocorre em um momento de desaceleração do crédito no Brasil. O Banco Central registrou crescimento moderado da carteira de empréstimos no primeiro semestre de 2026, com famílias brasileiras operando no limite da capacidade de endividamento. A inadimplência no sistema financeiro como um todo tem mostrado sinais de pressão, especialmente nos segmentos de crédito pessoal, cartão e financiamento de veículos.
Para o Itaú, porém, a combinação de carteira mais equilibrada, foco em clientes de maior renda e disciplina na concessão tem funcionado como escudo. O banco projeta crescimento de lucro de 9% em 2026, o que levaria o resultado anual a um novo recorde próximo de R$ 51 bilhões. A Genial Investimentos acredita que o Itaú tem potencial para superar essa projeção, com avanço em patamar de dois dígitos.
A distribuição de dividendos também é um atrativo: a Genial espera que o banco repasse aos acionistas cerca de 70% do lucro, além de uma possível expansão adicional da rentabilidade, com ROE em 25% ao final do ano.
O Itaú Unibanco não surpreendeu o mercado nesta terça-feira — e essa é, talvez, a maior prova de sua força. Em um trimestre em que o Santander viu o lucro despencar quase 18%, o Banco do Brasil caminha para uma queda de 25% e até o Bradesco, em recuperação, opera com rentabilidade 8 pontos percentuais inferior, o Itaú entregou exatamente o que prometeu: consistência, crescimento de dois dígitos na margem financeira, inadimplência estável e ROE acima de 24%.
A pergunta que o resultado deixa não é se o Itaú é o banco mais rentável do Brasil — isso já está respondido. A questão é se essa vantagem é sustentável em um cenário de juros em queda, concorrência crescente do Nubank e Pix, e um consumidor brasileiro que, segundo os próprios dados do BC, está mais endividado do que nunca. Milton Maluhy aposta que a resposta está na tecnologia, na "cultura do banco do futuro" e na disciplina de não crescer a qualquer custo.
O mercado, por ora, compra essa narrativa. Resta saber se o "banco do futuro" será tão lucrativo quanto o banco do presente.
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