Cade aprova compra da Avibras pela Globe, dos irmãos Batista
Superintendência do órgão liberou a aquisição da controladora da fabricante de mísseis e foguetes. A compradora é o family office pessoal dos Batista — não a holding J&F
📋 Em resumo ▾
- A Superintendência-Geral do Cade aprovou nesta segunda (14) a compra da Nova AVB, controladora da Avibras, fabricante de armamentos de defesa.
- A compradora é a Globe Investimentos, veículo de investimentos pessoais dos empresários Joesley e Wesley Batista — e não a holding J&F, como se noticiou inicialmente.
- O Cade classificou o negócio como "substituição de agente econômico", já que os Batista não atuavam no setor de defesa.
- A Avibras, que fabrica o sistema de artilharia Astros, mísseis e foguetes, tenta se reerguer após anos de crise e recuperação judicial.
- Por que isso importa: a operação define quem controlará uma das empresas mais estratégicas da indústria de defesa nacional.
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta segunda-feira (14) a compra da Nova AVB, estrutura que controla a Avibras, uma das principais empresas da indústria de defesa brasileira. A aquisição foi feita pela Globe Investimentos, e um esclarecimento é essencial desde o início: a Globe é o family office — o escritório de investimentos pessoais — dos empresários Joesley e Wesley Batista, e não a J&F Investimentos, a holding empresarial da família, dona da JBS e do Banco Original. Os valores da transação seguem sob sigilo.
Por que a distinção importa (e por que muita gente errou)
A confusão entre a Globe e a J&F não foi aleatória, e vale explicá-la. No próprio pedido protocolado no Cade, os advogados chegaram a relacionar a Globe ao "Grupo J&F". Além disso, as duas estruturas compartilham nomes na gestão: o presidente da Globe, Aguinaldo Gomes Ramos Filho, sobrinho dos Batista, já comandou a própria holding J&F.
Mas a distinção é real e foi feita pela própria empresa, em nota. A compra da Avibras integra um portfólio de investimentos pessoais dos irmãos, fora dos negócios da J&F — e a JBS, a gigante de alimentos do grupo, não tem qualquer participação na operação. Não é um detalhe menor: separa o patrimônio pessoal dos controladores das empresas do conglomerado, com implicações societárias e de responsabilidade distintas.
O que o Cade decidiu
Ao analisar o negócio, a área técnica do Cade concluiu que a operação representa uma "substituição de agente econômico". A razão é que a Globe não atuava antes no mercado de defesa nem em segmentos relacionados às atividades da Avibras. Na prática, isso significa que a compra não junta duas empresas que já disputavam o mesmo mercado, nem coloca sob o mesmo comando etapas diferentes de uma mesma cadeia produtiva — não há, no jargão do órgão, sobreposição horizontal nem integração vertical.
Por isso a aprovação foi direta, sem imposição de condições. Ainda há um prazo para eventuais contestações; sem recurso, a decisão se torna definitiva e a compra pode ser concluída.
O que é a Avibras — e a crise que ela tenta superar
A relevância do negócio está no ativo. A Avibras fabrica sistemas de artilharia, mísseis, foguetes e soluções antiaéreas, entre outros equipamentos de defesa e do setor espacial. Seu produto mais conhecido é o sistema de artilharia Astros, uma das plataformas brasileiras de defesa com maior projeção internacional. É uma empresa que domina tecnologias consideradas críticas, o que a torna estratégica para a soberania do país.
Esse patrimônio tecnológico, porém, quase se perdeu. A Avibras entrou em recuperação judicial em março de 2022 e passou cerca de três anos paralisada, depois que funcionários iniciaram uma greve por falta de pagamento. A reestruturação começou a andar em 2025, quando o Brasil Crédito se tornou controlador ao comprar a dívida de um antigo acionista indonésio, em acordo com João Brasil Carvalho Leite, filho do fundador da empresa.
Foi nesse processo que os ativos industriais e tecnológicos foram concentrados na Nova AVB — agora adquirida pelos Batista —, enquanto a empresa original permaneceu com os passivos submetidos à recuperação judicial. A fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí, no Vale do Paraíba, voltou a operar em maio de 2026. A entrada dos irmãos, segundo a Globe, tem como objetivo dar sustentação a essa retomada e preservar "o controle nacional de uma companhia estratégica para a defesa do país".'
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