Eleições 2026

Kassio Nunes Marques: urna é "patrimônio da democracia" em ano eleitoral

Presidente do TSE encerra Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação com defesa da confiabilidade das urnas e criação de conselho para monitorar IA e desinformação nas eleições de outubro

Kassio Nunes Marques: urna é "patrimônio da democracia" em ano eleitoral
📷 © Jamile Ferraris/TSE
📋 Em resumo
  • O ministro Kassio Nunes Marques defendeu a confiabilidade da urna eletrônica na abertura da Corrida pela Democracia, em Brasília, encerrando a 1ª Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação
  • O TSE criou o Conselho Consultivo sobre Integridade Informacional para monitorar o uso indevido de inteligência artificial e a difusão de desinformação durante a campanha
  • A Semana Nacional (3 a 9 de agosto) promoveu desmonte público de urnas, simulações de votação e ações de combate à desinformação em todo o país
  • Kassio assumiu a presidência do TSE em maio de 2026 com a missão de conduzir eleições em ano de possível reedição de questionamentos ao sistema eleitoral
  • Por que isso importa: A estratégia do TSE mistura transparência técnica, engajamento cívico e vigilância digital em uma eleição considerada uma das mais complexas desde a redemocratização
Compartilhar: WhatsApp X LinkedIn

O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), voltou a defender a confiabilidade do sistema eletrônico de votação brasileiro neste domingo (9), durante a abertura da Corrida pela Democracia, realizada no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Brasília. O evento marcou o encerramento da 1ª Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, iniciativa que, entre 3 e 9 de agosto, promoveu ações em todo o país para aproximar a sociedade da Justiça Eleitoral.

"Patrimônio da democracia": a defesa de Kassio às urnas

Em seu discurso, Kassio Nunes Marques destacou o esforço conjunto do TSE e dos 27 Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) para demonstrar o funcionamento interno da urna eletrônica. "Durante toda essa semana, não só o TSE, como os 27 TREs, se empenharam, não só no desmonte de urnas, mas também na tentativa de dar transparência de como funciona todo o nosso processo de votação", afirmou.

O ministro citou a realização de votações simuladas em shopping centers, escolas públicas, logradouros e eventos como a Rio Innovation Week, além da abertura de urnas diante da população em diversos estados. A Justiça Eleitoral também promoveu visitas ao Museu do Voto, exposições e ações de acessibilidade e combate à desinformação.

No início da semana passada, com a retomada das sessões presenciais do TSE, Nunes Marques já havia classificado a urna eletrônica brasileira como "patrimônio da democracia" — expressão que sintetiza a estratégia de sua gestão: defender o equipamento não apenas como ferramenta técnica, mas como símbolo institucional.

"A Justiça Eleitoral abriu urnas diante da população de diversos estados para mostrar o que existe por trás do equipamento e explicar o caminho do voto."

📱
Receba as apurações no seu WhatsAppÉ um canal, não um grupo: só o Painel Político publica, ninguém comenta, seu número fica oculto. Saia quando quiser.
Entrar no canalou assine por R$19/mês

— Kassio Nunes Marques, presidente do TSE

O Conselho Consultivo: a nova arma contra deepfakes e fake news

Na última sexta-feira (7), o TSE instituiu o Conselho Consultivo sobre Integridade Informacional, órgão que terá a missão de monitorar o uso indevido da inteligência artificial e a difusão de desinformação durante a campanha eleitoral. O grupo será responsável pelo assessoramento do presidente do tribunal nas ações para manter a normalidade do processo eleitoral.

A criação do conselho ocorre em um contexto de preocupação crescente com o impacto das deepfakes — vídeos, áudios ou imagens manipuladas por IA para simular pessoas ou situações reais. Embora o uso de deepfakes por candidatos seja proibido, há temor sobre a dificuldade de diferenciar material genuíno do fabricado por inteligência artificial, tanto por campanhas quanto por eleitores.

Kassio tem apostado em parcerias com universidades para apoiar a Polícia Federal na perícia de manipulações, mas admite que será um desafio durante o pleito.

A estratégia de Kassio: diferente de Moraes, mas nem menos vigilante

A gestão de Kassio Nunes Marques no TSE se constrói em contraste com a de seu antecessor, Alexandre de Moraes, que presidiu a corte em 2022 e foi alvo de reclamações do clã Bolsonaro devido à remoção de conteúdos considerados falsos. Kassio, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, tem afirmado internamente que deseja uma presidência de "mínima intervenção do Judiciário em disputas políticas", com preferência pelo direito de resposta em vez de ordens de remoção de conteúdos.

A mudança de estilo, contudo, não significa relaxamento. Desde que assumiu em 12 de maio de 2026, Kassio promoveu um pente-fino nas urnas à disposição das eleições, conduziu testes públicos do equipamento e firmou convênios de cibersegurança com empresas e universidades. Também fixou a possibilidade de a OAB fiscalizar todo o processo eleitoral diretamente — uma novidade para o pleito de 2026.

Além disso, o TSE aprovou em junho uma nova Política de Segurança da Informação, que unifica diretrizes de cibersegurança e amplia a capacidade de prevenção e resposta a incidentes em todos os tribunais eleitorais.

O calendário eleitoral e o que está em jogo

O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 será realizado no dia 4 de outubro, quando serão eleitos deputados federais, estaduais, distritais, governadores, senadores e o presidente da República. O segundo turno está marcado para 25 de outubro e pode ocorrer nas disputas para governador e presidente, caso nenhum candidato obtenha mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno.

A eleição é considerada por analistas uma das mais complexas desde a redemocratização. O cenário pode colocar o presidente Lula (PT) frente a frente com um integrante da família Bolsonaro — Flávio Bolsonaro (PL) é pré-candidato ao Planalto.

Nesse contexto, a estratégia do TSE de misturar transparência técnica (desmonte de urnas, simulações de voto), engajamento cívico (Corrida pela Democracia, ações em escolas) e vigilância digital (Conselho de Integridade Informacional, parcerias com PF e universidades) busca criar uma cortina de proteção institucional contra a desinformação que marcou o pleito de 2022.

A pergunta que fica no ar

A urna eletrônica brasileira está em uso desde 1996, e nunca houve registro de fraude. Mas a ausência de provas de irregularidades não impediu que, em 2022, milhões de brasileiros passassem a desconfiar do equipamento — graças a uma campanha sistemática de desinformação liderada por Jair Bolsonaro.

A pergunta que a estratégia do TSE deixa no ar é: se a urna é tão segura quanto a Justiça Eleitoral diz, por que é preciso tanta campanha para convencer o eleitor? E se o eleitor não for convencido — se as deepfakes, as fake news e as narrativas conspiratórias forem mais rápidas que os testes públicos e as corridas pela democracia —, o TSE terá ferramentas suficientes para garantir a legitimidade do resultado sem reeditar a polarização de 2022?

A resposta, como sempre, estará nas urnas. Mas desta vez, também estará na capacidade do TSE de mostrar que, por trás da máquina, há gente disposta a defender a democracia não apenas com leis, mas com passos de corrida.


Versão em áudio disponível no topo do post.

💬 Comentários

Carregando comentários…

#painelpolitico #TSE #JustificaEleitoral #Eleicoes2026 #desinformacao