Labirinto de Bronze: nova fase do MPRO tem 3 prisões em RO
Desdobramento da operação de maio, a nova fase do Gaeco cumpre prisões preventivas e amplia o sequestro de bens de grupo suspeito de milícia em conflitos fundiários
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- O MPRO, por meio do Gaeco, deflagrou nesta terça (21/9) a segunda fase da Operação "Labirinto de Bronze", que apura, em tese, lavagem de dinheiro e milícia privada ligadas a conflitos fundiários.
- A nova fase cumpre três mandados de prisão preventiva, um de busca e apreensão (Ariquemes) e medidas cautelares contra uma investigada, autorizados pela 1ª Vara de Garantias de Porto Velho.
- A primeira fase, em 26 de maio de 2026, atingiu Ariquemes, Cujubim e Porto Velho, com buscas e medidas patrimoniais que superaram R$ 48 milhões — incluindo o bloqueio de 1.611 cabeças de gado.
- A Justiça determinou ainda o sequestro de 50% das quotas de uma empresa em Aparecida de Goiânia (GO), ligada a um investigado por interposta pessoa, para completar o teto de R$ 48 milhões.
- Por que isso importa: a operação mira uma suposta estrutura armada atuando em disputas por terra em Rondônia — tema histórico e sensível no estado —, com um sofisticado esquema de ocultação de bens. Todos os citados respondem como investigados, sem condenação
O Ministério Público de Rondônia (MPRO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta terça-feira (21/9) a segunda fase da Operação "Labirinto de Bronze", que investiga, em tese, os crimes de lavagem de dinheiro e constituição e manutenção de milícia privada ligados a conflitos fundiários. A nova etapa cumpre três mandados de prisão preventiva, uma busca e apreensão em Ariquemes e medidas cautelares diversas da prisão contra uma investigada — todos autorizados pela 1ª Vara de Garantias de Porto Velho. Trata-se de um desdobramento da operação aberta em 26 de maio.
Onde e quando começou: a primeira fase, em maio
A Operação "Labirinto de Bronze" nasceu de um Procedimento Investigatório Criminal do Gaeco e teve sua primeira fase deflagrada em 26 de maio de 2026, nas cidades de Ariquemes, Cujubim e Porto Velho. Naquela etapa, o objetivo foi cumprir mandados de busca e apreensão e medidas assecuratórias patrimoniais — a imprensa local noticiou sete mandados de busca. As constrições alcançaram valores superiores a R$ 48 milhões, com bloqueios financeiros, indisponibilidade de imóveis, apreensão de veículos e a constrição de 1.611 cabeças de gado bovino.
O que muda na segunda fase
Segundo o MPRO, a nova fase decorre do avanço das investigações e, sobretudo, da análise dos aparelhos eletrônicos e documentos apreendidos em maio. Esse material teria reforçado os indícios de uma estrutura armada e hierarquizada, com divisão de tarefas, voltada à atuação em conflitos fundiários, além de um esquema de ocultação e dissimulação de patrimônio. As diligências também teriam permitido individualizar a participação de outros integrantes que, na primeira fase, ainda não estava suficientemente delimitada — o que embasou os três novos pedidos de prisão.
R$ 48 milhões, 1.611 cabeças de gado e um sequestro em Goiás
A segunda fase também ampliou o cerco ao patrimônio. O MPRO obteve uma medida assecuratória complementar após identificar a participação econômica de um dos investigados em uma empresa formalmente registrada em nome de terceiro, sediada em Aparecida de Goiânia (GO). Como os bloqueios da primeira fase não haviam atingido o teto de cerca de R$ 48 milhões fixado pela Justiça, foi determinado o sequestro de 50% das quotas, direitos societários e econômicos ligados a essa empresa.
O que significa o nome "Labirinto de Bronze"
O nome faz referência ao histórico de fuga e evasão do principal investigado e à complexa estrutura de ocultação patrimonial identificada nas investigações. — MPRO
Segundo o Ministério Público, essa estrutura seria marcada pelo uso de empresas, movimentações financeiras fracionadas, interpostas pessoas e patrimônio rural, com o objetivo de dificultar o rastreamento da origem e da titularidade de bens e valores supostamente ilícitos.
O pano de fundo: milícia e conflitos por terra em Rondônia
O caso se insere em um tema sensível e recorrente no estado: a disputa por terras na fronteira amazônica, historicamente associada à grilagem, à ocupação irregular de áreas públicas e à violência no campo. A hipótese investigada — de um grupo armado e organizado atuando nesses conflitos e reciclando recursos por meio do agronegócio e de empresas — conecta segurança pública, questão fundiária e crime financeiro. A fase ostensiva contou com apoio da Polícia Civil, da Politec/RO e da Força-Tarefa Integrada de Combate ao Crime Organizado (Fticco).
O apelido da operação resume o desafio: seguir o dinheiro por um labirinto de empresas, gado e nomes emprestados. O teste que se abre agora é duplo — se as prisões e o bloqueio de bens rumo aos R$ 48 milhões se sustentarão ao longo do processo, e se atingir a engrenagem financeira será suficiente para desarticular a atuação armada no campo. Por ora, trata-se de investigação em curso, e todos os citados respondem sem condenação, sob a presunção de inocência.
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