Lula abre 7 pontos sobre Flávio em pesquisa de maio
Levantamento mostra recuo do senador em grupos estratégicos; crise do áudio com Vorcaro pesa na disputa pelo segundo turno
📋 Em resumo ▾
- Lula registra 38,5% no primeiro turno estimulado, sete pontos à frente de Flávio Bolsonaro, com 31,5%
- No segundo turno, petista inverte cenário e lidera por 46,5% a 41,4% contra o senador do PL
- Flávio recuou 18,9 pontos entre eleitores de alta renda e 15,7 pontos entre jovens de 16 a 24 anos
- Caiado e Michelle Bolsonaro são os nomes mais competitivos da direita em cenários alternativos de segundo turno
- Por que isso importa: a três meses do pleito, a instabilidade na oposição redefine estratégias de campanha e alianças.
A Pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quinta-feira (26), posiciona o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança em todos os cenários projetados para a eleição presidencial de 2026. O levantamento, realizado entre 23 e 27 de maio com 1.500 entrevistas e margem de erro de 2,5 pontos percentuais, indica uma inflexão na corrida após a exposição pública do áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Primeiro turno: Lula consolida vantagem numérica
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 38,5% das intenções de voto, recuo de 1,5 ponto em relação à medição anterior, de 6 de maio. Flávio Bolsonaro, por sua vez, oscilou de 36% para 31,5%, ampliando o hiato para sete pontos percentuais.
"A queda de Flávio foi grande em três grupos onde não pode perder. Entre os jovens, na centro-direita e nos que ganham mais de cinco salários mínimos". — Pedro Doria, diretor de Jornalismo do Meio
O restante do campo se fragmenta: Ronaldo Caiado (PSD) soma 5,5%; Romeu Zema (Novo), 2,4%; e Renan Santos (Missão), 2,1%. Brancos, nulos e indecisos compõem o saldo, indicando que a disputa ainda comporta movimentações significativas até outubro.
Primeiro turno
Segundo turno: inversão de cenário após crise do áudio
A mudança mais relevante ocorre no confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro. No início de maio, o senador liderava por 45,3% a 44,7%. Três semanas depois, o placar se inverte: Lula alcança 46,5%, enquanto Flávio recua para 41,4%.
A erosão do senador é mais intensa em segmentos decisivos para uma eleição apertada. Entre eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, Flávio perdeu 18,9 pontos percentuais. Na centro-direita, o recuo foi de 18 pontos. E entre jovens de 16 a 24 anos, a queda atingiu 15,7 pontos.
"Os jovens e os moderados de direita são fundamentais num segundo turno apertado".
Segundo turno
Outros nomes da direita: quem resiste ao confronto com Lula?
Em cenários alternativos de segundo turno, Ronaldo Caiado e Michelle Bolsonaro emergem como os nomes mais competitivos da oposição, ambos empatados tecnicamente com Lula em 40% das intenções de voto, ante 46% do petista.
Os demais nomes testados apresentam desempenho mais distante: Romeu Zema (37%), Renan Santos (31%), Tereza Cristina (27%), Joaquim Barbosa (26%) e Aécio Neves (PSDB) (25%). O padrão sugere que, sem Flávio, o campo conservador ainda não consolidou um nome capaz de neutralizar a vantagem estrutural de Lula no eleitorado de centro.
Metodologia e confiabilidade dos dados
A pesquisa Meio/Ideia foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-02918/2026-BRASIL. A amostra de 1.500 entrevistas é representativa do eleitorado nacional, com estratificação por sexo, idade, escolaridade e renda, com base em dados da PNAD 2025 e do Censo 2022/IBGE. O nível de confiança é de 95%, e a margem de erro máxima é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos.
O que esperar até outubro
Com a campanha entrando em sua reta final, dois movimentos tendem a definir o ritmo da disputa: a capacidade da oposição de recompor sua narrativa após o episódio do áudio com Vorcaro, e a habilidade do governo em converter aprovação em voto útil sem depender exclusivamente do antipetismo.
A pesquisa não encerra a corrida, mas sinaliza que o tempo joga a favor de quem mantém coerência e evita ruídos. Para Flávio, o desafio é estancar a sangria em grupos estratégicos. Para Lula, a missão é transformar liderança numérica em vitória no dia da votação.
Versão em áudio disponível no topo do post.