Eleições 2026

Lula assume liderança sobre Flávio; rejeição ao senador dispara para 52%

Primeira pesquisa pós-vazamento de áudios com Vorcaro mostra inversão no segundo turno e consolida desgaste da pré-candidatura do senador do PL

Lula assume liderança sobre Flávio; rejeição ao senador dispara para 52%
📷 CNN
📋 Em resumo
  • Lula assume 48,9% contra 41,8% de Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno
  • Rejeição ao senador do PL sobe para 52%, superando a do presidente pela primeira vez
  • Eleitores indecisos quase dobram, de 4,7% para 9,3%, em menos de um mês
  • 45,1% avaliam que revelações sobre Banco Master enfraqueceram pré-candidatura bolsonarista
  • Por que isso importa: O cenário redefine estratégias de campanha a menos de cinco meses do primeiro turno e testa a resiliência do antipetismo.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reassumiu a liderança nas intenções de voto para um hipotético segundo turno, segundo pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça-feira (19). O levantamento, primeiro após a revelação de áudios entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, aponta queda de seis pontos do bolsonarista e expansão da vantagem petista para 7,1 pontos percentuais.

Inversão de cenário em menos de 30 dias

A pesquisa, realizada entre 13 e 18 de maio com 5.032 entrevistados pela internet e margem de erro de um ponto percentual, registra mudança significativa em relação ao levantamento anterior. Em abril, Flávio liderava por 47,8% contra 47,5% de Lula. Agora, o petista aparece com 48,9% contra 41,8% do senador. Os indecisos, que somavam 4,7%, quase dobraram para 9,3%.

"A divulgação das conversas enfraqueceu a pré-candidatura de Flávio", avaliam 45,1% dos entrevistados.

O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-06939/2026 e realizado em parceria com a Bloomberg. A mudança de cenário coincide com a publicação, pelo Intercept Brasil, de áudio em que Flávio cobra de Vorcaro o pagamento de parcelas de financiamento para o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Rejeição a Flávio supera a de Lula pela primeira vez

Nesta edição, o senador do PL registra 52% de rejeição, ante 49,8% em abril. Lula, que tinha 51%, oscilou para 50,6%. É a primeira vez que a rejeição ao filho do ex-presidente supera a do chefe do Executivo na série histórica do instituto.

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A inversão se repete na pergunta sobre qual resultado causa "mais medo ou preocupação". Em abril, 47,3% citavam a reeleição de Lula. Em maio, 47,4% apontam a eleição de Flávio como a opção mais preocupante, enquanto a reeleição do petista cai para 40,5%.

"A maioria acha que o filho do ex-presidente deve manter sua pré-candidatura", aponta a pesquisa.

Apesar do desgaste, 84,2% dos eleitores de Jair Bolsonaro acreditam que Flávio deve manter a candidatura, contra 12,6% que defendem sua retirada.

Impacto do caso Master na percepção do eleitor

Para 43,3% dos entrevistados, aliados de Jair Bolsonaro integram o grupo político mais envolvido em supostos esquemas. Outros 32,8% atribuem essa característica a aliados de Lula, e 16,1% avaliam que "todos estão igualmente implicados".

Quanto ao impacto das revelações, 47,1% disseram que já não votariam em Flávio de qualquer forma. Outros 21% afirmaram que o caso não afeta sua disposição em votar no senador, enquanto 13,7% estão "muito mais dispostos". A opção "muito menos disposto" foi escolhida por 9,4%.

Cenários de primeiro turno testam alternativas ao bolsonarismo

No primeiro turno com Flávio na disputa, Lula oscilou de 46,6% para 47%. O senador caiu de 39,7% para 34,3%. Renan Santos (Missão) aparece com 6,9%, seguido por Romeu Zema (Novo), com 5,2%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 2,7%.

O instituto testou cenários sem Flávio. Com Romeu Zema como principal alternativa, Lula soma 46,7% contra 17% do ex-governador mineiro. Quando se inclui Michelle Bolsonaro (PL), pré-candidata ao Senado pelo DF, ela registra 23,4%, mas Lula mantém a liderança com 47%.

Aprovação de Lula segue estável, mas maioria ainda desaprova governo

Na avaliação do governo, a desaprovação ao presidente recuou de 53% para 51,3%. A aprovação oscilou de 47% para 47,4%. Na classificação detalhada, 48,4% consideram o terceiro mandato ruim ou péssimo (ante 51% em abril), enquanto 42,9% avaliam como ótimo ou bom (ante 42%).

O cenário desenhado pela AtlasIntel não apenas inverte uma tendência de crescimento de Flávio Bolsonaro, mas expõe a fragilidade de uma candidatura construída sobre ações judiciais pendentes e alianças sob escrutínio. Se o eleitorado já reage a revelações antes de qualquer decisão judicial, que tipo de campanha resistirá aos próximos meses de apuração? A pergunta que fica não é apenas sobre números, mas sobre a capacidade de um projeto político de se sustentar quando suas fundações são postas à prova em tempo real.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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