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Lula comemora data da votação da PEC do fim da escala 6x1 no Senado

Presidente do Senado marcou para 6 de outubro o início da discussão da PEC que acaba com a jornada 6x1; texto já aprovado pela Câmara ainda precisa de 49 votos em dois turnos para passar pelo Senado

Lula comemora data da votação da PEC do fim da escala 6x1 no Senado
📷 @ricardostuckert
📋 Em resumo ▾
  • O presidente Lula usou as redes sociais para elogiar a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de pautar para terça-feira (6) o início da discussão da PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1
  • A proposta (PEC 221/2019) reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso por semana e mantém o salário, com implementação progressiva
  • Já aprovada pela Câmara (461 a 19 votos) e pela CCJ do Senado, a PEC ainda precisa de pelo menos 49 votos em dois turnos no plenário do Senado para seguir adiante
  • O tema divide opinião: sindicatos e governo defendem a mudança como avanço social; setores empresariais, sobretudo comércio, indústria e transporte, alertam para aumento de custos, possível impacto na inflação e no emprego
  • Por que importa: a tramitação ganhou impulso após uma reaproximação política entre Lula e Alcolumbre, e o calendário — início da discussão dois dias após o 1º turno — projeta a votação final para a semana anterior ao 2º turno, em 25 de outubro
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou, em sua conta no X (antigo Twitter), um elogio ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pela decisão de incluir na pauta do Plenário, a partir de terça-feira (6), o início da discussão da PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1. "Trabalhadores e trabalhadoras não podem viver apenas para trabalhar. Precisam ter tempo para a família, para estudar, descansar e viver", escreveu o presidente.

O que é a PEC da escala 6x1

A PEC 221/2019 altera a Constituição para reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com limite de 8 horas diárias, e garante dois dias de descanso remunerado por semana — um deles, preferencialmente, aos domingos. A mudança não pode resultar em redução salarial e será implementada de forma progressiva: segundo o texto aprovado pela Câmara, a jornada não poderá ultrapassar 42 horas já dois meses após a publicação da emenda, com prazo de transição que chega a 14 meses para alcançar as 40 horas.

A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio, por ampla maioria — 461 votos a 19 no segundo turno — e seguiu para o Senado. Lá, ficou parada por meses: só em agosto Alcolumbre a encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que a aprovou simbolicamente em 2 de setembro, com voto contrário dos senadores Rogério Marinho (PL-RN), Jaime Bagattoli (PL-RO), Tereza Cristina (PP-MS) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O relator no Senado é Omar Aziz (PSD-AM).

O que ainda falta para a PEC passar

A aprovação no Senado exige pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos de votação no plenário — maioria qualificada de três quintos, padrão para emendas constitucionais. Antes da primeira votação, o rito exige cinco sessões de discussão; a expectativa, segundo fontes ouvidas pela imprensa, é concluir essas sessões ao longo da próxima semana e deixar a votação propriamente dita para a semana seguinte — o que projetaria o desfecho para pouco antes do segundo turno das eleições, em 25 de outubro.

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O contexto político por trás do calendário

A decisão de Alcolumbre de pautar a matéria logo após o primeiro turno não é isolada: segundo apuração da imprensa, a tramitação da PEC ganhou impulso depois de uma reunião entre Lula, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta, no Palácio da Alvorada, no fim de agosto, na qual as prioridades do governo no Congresso foram pactuadas. O avanço também ocorre após um período de desgaste entre Lula e Alcolumbre, motivado por divergência sobre uma indicação ao STF — Alcolumbre defendia outro nome e não atuou pela aprovação do indicado do presidente, que acabou rejeitado pelo plenário.

O debate em torno da proposta

O tema divide opinião entre governo e setores empresariais. Para sindicatos e o governo, a mudança representa um avanço social relevante, diante do desgaste físico e mental associado à escala 6x1. Já setores do comércio, da indústria e do transporte — incluindo entidades como a Fiesp — classificam a proposta como arriscada, alegando que a redução da jornada pode elevar custos operacionais, pressionar preços e, em alguns cenários, reduzir contratações, sobretudo entre pequenas e médias empresas.

Estudos sobre o impacto econômico da medida divergem: levantamentos do Ipea e da Unicamp sugerem que parte do aumento de custo pode ser absorvida pela contratação de mais funcionários, diluindo o efeito sobre preços e emprego — cenário contestado por representantes empresariais, que defendem prazos de transição mais longos e avaliação de impacto mais aprofundada antes da aprovação.

Versão em áudio disponível no topo do post.

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