Poder e Bastidores

Lula promete reciprocidade diante de possíveis taxações americanas

Brasil e EUA: da parceria comercial à ameaça de guerra tarifária; presidente falou ainda sobre as deportações de brasileiros

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Em meio a um cenário de crescente tensão comercial internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (5) que o Brasil não hesitará em aplicar o princípio da reciprocidade caso os Estados Unidos imponham novas tarifas aos produtos brasileiros. A declaração vem em um momento crítico das relações comerciais globais, marcado pela nova onda protecionista do presidente Donald Trump.

Números do comércio bilateral

O relacionamento comercial entre Brasil e Estados Unidos atingiu marcas significativas em 2024:

Nova onda protecionista de Trump

Donald Trump iniciou 2025 com medidas protecionistas agressivas:

Posição brasileira

O presidente Lula destacou pontos importantes:

  1. O Brasil está amparado pelas regras da OMC, que permitem taxação de até 35%

  2. Preferência por redução mútua de tarifas

  3. Defesa da diplomacia e diálogo internacional

  4. Abertura de 303 novos mercados para produtos brasileiros em 2024

Impactos e perspectivas

Especialistas apontam que, embora o Brasil mantenha déficit comercial com os EUA - o que teoricamente o colocaria fora do alvo inicial de Trump - o país pode sofrer impactos indiretos:

Contexto histórico

As medidas protecionistas de Trump não são novidade. Durante seu primeiro mandato (2017-2021), ele já havia implementado diversas barreiras comerciais, incluindo:

Questões paralelas

A tensão comercial se soma a outros pontos de atrito nas relações Brasil-EUA:

Perspectivas futuras

Analistas econômicos sugerem que o Brasil pode enfrentar desafios significativos:

O momento exige cautela e habilidade diplomática do Brasil para navegar este cenário complexo, mantendo tanto sua soberania comercial quanto suas importantes relações com os Estados Unidos.

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"O que precisamos é de paz e serenidade nas relações comerciais", afirmou Lula, resumindo o desejo brasileiro de manter o diálogo aberto enquanto se prepara para possíveis cenários adversos.

Bravatas

Na entrevista às rádios Itatiaia, Mundo Melhor e BandNewsFM BH, de Minas Gerais, Lula também alertou que não se deve ter preocupação com as “bravatas” do presidente Donald Trump, já que “ninguém pode viver de bravata a vida inteira”. “É importante que a gente comece a selecionar as coisas sérias para que a gente possa discutir”, afirmou.

Tem um tipo de político que vive de bravata. O presidente Trump fez a campanha dele assim. Agora, ele tomou posse e já anunciou [que pretende] ocupar a Groenlândia, anexar o Canadá, mudar o nome de Golfo do México para Golfo da América. E já anunciou reocupar o Canal do Panamá”, acrescentou Lula.

Deportações

O Brasil concordou com a realização de voos de repatriação, desde 2018, para abreviar o tempo de permanência de seus nacionais em centros de detenção norte-americanos, por imigração irregular e já sem possibilidade de recurso. Ao tomar posse em janeiro deste ano, Donald Trump prometeu intensificar as deportações de cidadãos estrangeiros que estejam irregulares nos Estados Unidos.

Nós tivemos contato com o caso mais grave, que foi o avião que teve problema, na sua pressurização. Esse avião parou em Manaus, e aí as pessoas estavam acorrentadas para descer do avião. E eles queriam levar as pessoas acorrentadas para Minas Gerais”, contou Lula.

Enquanto eles estão dentro do avião no território americano, eles são cidadãos que pertencem à política e à lei dos Estados Unidos, mas, quando eles chegam no território nacional, que o avião abre a porta, eles estão submetidos à legislação brasileira e disso nós vamos cuidar”, afirmou o presidente.