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Maceió Previdência em xeque: Reunião sem quórum libera R$ 97 milhões para Banco Master, agora em liquidação

Descubra como uma decisão tomada às vésperas do Ano Novo, sem o número mínimo de conselheiros, expôs o patrimônio de aposentados e pensionistas a riscos bilionários no colapso do Banco Master

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Em meio à liquidação extrajudicial do Banco Master decretada pelo Banco Central do Brasil em 19 de novembro de 2025, o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Maceió Previdência) surge como um dos 18 fundos de previdência pública afetados, com aportes totais de R$ 97 milhões em letras financeiras da instituição sem a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Esses investimentos, realizados em maio de 2024, agora enfrentam o risco de perdas significativas, ampliando um escândalo que envolve quase R$ 2 bilhões de recursos públicos de regimes próprios de previdência social (RPPS) em todo o país.

A polêmica ganhou contornos locais com a revelação de que a política de investimentos para 2024, que viabilizou esses aportes, foi aprovada em uma reunião do Conselho de Administração do Maceió Previdência em 27 de dezembro de 2023 – data atípica, entre Natal e Ano Novo. Conforme atas do instituto, apenas seis conselheiros estiveram presentes, abaixo do quórum mínimo de sete exigido pela legislação municipal. Pior: somente quatro deles assinaram o documento de aprovação. A sessão, conduzida pelo consultor Renan Calamia, da Crédito e Mercado, não discutiu aportes específicos no Banco Master, mas autorizou aplicações em carteiras sem cobertura do FGC, classificadas como de risco moderado para maximizar rentabilidade.

O Maceió Previdência, responsável pela gestão de aposentadorias e pensões de servidores municipais, acumula um patrimônio recorde de R$ 1,4 bilhão, com os títulos do Master representando menos de 10% do total. Em nota oficial, o instituto negou irregularidades e garantiu que os pagamentos aos beneficiários estão assegurados. “O Conselho de Administração do Maceió Previdência não analisa investimentos específicos. Tal atribuição pertence ao Comitê de Investimentos”, afirmou o fundo, destacando que o aporte de R$ 17 milhões em letras financeiras foi aprovado por três representantes do comitê em 9 de maio de 2024, respeitando limites de diversificação da legislação federal e da política interna. O Master estava “plenamente habilitado” pelo Banco Central, CVM e Ministério da Previdência na época, com rating de crédito BBB atribuído por agências classificadoras.

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