Mariana perdeu a eleição, mas tem capital político e deve ressurgir em 2026
Ex-deputada consolida grupo político e junto com irmão, Maurício, serão decisivos na próxima eleição

Passada a ressaca das eleições municipais, onde sofreu uma derrota para Léo Moraes (Podemos), a ex-deputada federal Mariana Carvalho (UB), perdeu a eleição, mas consolidou um importante capital político. Prestes a completar 38 anos, no próximo dia 26, Mariana acumula bagagem como vereadora, deputada federal e disputou a prefeitura duas vezes, e Senado uma.
As duas últimas derrotas (senado e prefeitura) lhe deram algumas lições importantes, que, se ela souber assimilar, pode sair vitoriosa em suas próximas empreitas. Uma das lições é que ela precisa ter controle sobre suas campanhas, ser ela a protagonista e não apenas uma coadjuvante. A Mariana do último debate para prefeitura é a que mais se aproxima de quem ela deve ser. Sua última performance mostrou que ela tem potencial, porém, quando isso aconteceu já era tarde.
O ano de 2025 será importante, tanto para ela, quanto para seu irmão, o deputado federal Maurício Carvalho. Ambos, bem relacionados no primeiro escalão da política nacional, devem trabalhar pesado para reduzir os danos provocados pela derrota recente. É um novo grupo político que surgiu com força este ano, que precisa de uma reestruturação para disputar as próximas eleições.
Mariana pode tentar o Senado novamente, e seria uma boa representante.
A cena política rondoniense mudou consideravelmente nos últimos anos, com novos atores e lideranças que estão conseguindo se consolidar. Maurício e Mariana fazem parte desse novo cenário e terão um importante papel nos próximos pleitos.
Apesar dos balões de ensaio de nomes que são postos (ou impostos) por parte da imprensa regional, Mariana tem bagagem, capital político e uma longa ficha de serviços prestados ao Estado. Além disso, conforme ela mesma prometeu, estará atenta a gestão de Léo Moraes, fortalecendo a oposição, buscando ampliar uma base para suas futuras empreitas.
Quem está no poder é sempre vitrine, e uma oposição responsável e bem articulada consegue garantir espaço junto ao eleitorado.
É importante observar que o governador Marcos Rocha, apesar de ser candidato natural ao Senado, terá muito trabalho para convencer os rondonienses que ele fará alguma diferença na Casa Alta, coisa que não conseguiu mostrar como governador. Rocha faz o básico, tudo que vem acontecendo em Rondônia em termos de investimentos, está sendo feito pelo governo federal e o que dependeu dele, fracassou, como a construção do pronto socorro estadual, cuja obra que não passou da fundação, esfrega na cara dos rondonienses a incompetência goveramental.
Está na hora de separar o joio do trigo, organizar, reestruturar e partir para a próxima. Mariana tem potencial para fazer a diferença, mas ela precisa assumir o controle, ou pelo menos trabalhar lado a lado com seu irmão, com projeto claro e bem definido.
O mesmo vale para Léo Moraes, que vinha carregando a pecha de ‘não ter grupo', desde sempre. O prefeito eleito de Porto Velho terá pela frente o desafio de superar dificuldades crônicas da cidade, cumprir suas promessas de campanha e realmente mostrar a que veio. Moraes, assim como Mariana, sofreu derrotas consecutivas, perserverou e conseguiu a vitória que tanto buscava. Se não mostrar que realmente sabe o que faz, corre o risco de virar um Mauro Nazif, que muito prometeu mas nada consegiu realizar de fato.
A diferença entre o executivo e o legislativo é que no primeiro caso o feedback tem que ser imediato, enquanto no segundo, basta falar sem precisar realmente fazer.
Mariana, durante a campanha, mostrou que tinha uma ampla base para governar a cidade, diferente de Moraes que ‘coligou com o povo'. Esta ujnião, por si, não é sinal de sucesso no intrincado sistema burocrático que amarra prefeitos por todo o país. É preciso ter apoio amplo também da classe política. Até onde se sabe, Porto Velho tem recursos em caixa para construir um hospital de urgências, dinheiro garantido por Mariana em recursos de emendas. Cabe a Moraes ter a grandeza de se despir das mágoas que ficaram da campanha eleitoral, e unir-se em prol de melhorias para a cidade. Nesta altura do campeonato, toda a ajuda é bem vinda.
A Mariana cabe agora assimilar a derrota, se organizar para 2026 e compreender que política é ultra-dinâmica, e definição mesmo só quando as urnas são abertas.
2026 tá bem ali. O tempo urge e requer atenção.
