Médicos espalham desinformação sobre câncer de mama e são investigados por Conselhos Regionais
Profissionais com mais de 1 milhão de seguidores negam existência da doença e contraindicam mamografia; Sociedade Brasileira de Mastologia e INCA alertam sobre riscos das fake news

Em meio ao Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, dois médicos estão sendo investigados por seus respectivos Conselhos Regionais de Medicina após divulgarem informações falsas sobre a doença. Os profissionais, que somam mais de 1,2 milhão de seguidores nas redes sociais, fizeram declarações que contrariam evidências científicas e podem colocar em risco a saúde de milhares de mulheres.
O médico Lucas Ferreira Mattos, com registro nos estados de São Paulo e Minas Gerais, e a médica Lana Tiani Almeida da Silva, inscrita no CRM do Pará, publicaram vídeos no Instagram com informações consideradas falsas pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA). Nenhum dos dois possui especialidade registrada no Conselho Federal de Medicina.
Em um dos vídeos mais polêmicos, a Dra. Lana Almeida chega a afirmar que "câncer de mama não existe" e sugere que as pessoas "esqueçam a mamografia", além de recomendar tratamentos hormonais sem comprovação científica. O conteúdo viralizou nas redes sociais antes de ser removido.
A gravidade das declarações contrasta com os dados oficiais: segundo as estimativas mais recentes do INCA, o Brasil deve registrar 73.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2023 e 2025, com uma taxa de incidência de 41,89 casos para cada 100 mil mulheres. Em 2022, a doença foi responsável por 19.130 mortes de mulheres no país.
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) manifestou preocupação com a proliferação de notícias falsas sobre o tratamento e prevenção do câncer de mama nas redes sociais. Segundo a entidade, existe um padrão nas publicações enganosas:
Apresentação de informações sem base científica
Oferta de tratamentos ou terapias "milagrosas"
Comercialização de cursos sem fundamentação técnica
O presidente da SBM, Augusto Tufi Hassan, ressalta que "menosprezar esta doença é um desrespeito aos milhares de vítimas e suas famílias, além de poder causar tratamentos inadequados em mulheres que acabaram de descobrir a doença". A entidade reforça que a mamografia continua sendo o principal método de prevenção, podendo reduzir a mortalidade em até 30% quando realizada anualmente em mulheres entre 40 e 75 anos.
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O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA) e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) informaram que estão investigando os casos, que tramitam sob sigilo conforme determina o Código de Processo Ético-profissional.
Especialistas alertam que a disseminação de desinformação sobre saúde pode ter consequências graves. Estudos mostram que o diagnóstico precoce do câncer de mama, através da mamografia, está diretamente relacionado a maiores chances de cura e tratamentos menos agressivos. Além disso, o uso indiscriminado de hormônios, como sugerido em alguns dos vídeos, pode ser extremamente prejudicial para pacientes com câncer de mama, pois estimula o crescimento de células tumorais.
O INCA reforça que o câncer de mama é a neoplasia mais frequente entre as mulheres brasileiras e também a mais incidente em mulheres no mundo, com aproximadamente 2,3 milhões de casos. A instituição enfatiza a importância de buscar informações em fontes confiáveis e seguir as recomendações de profissionais devidamente capacitados e respaldados pela comunidade científica.
