Mensagens de Vorcaro reforçam versão de Haddad de que recusou encontros com o banqueiro
Mensagens do celular de Daniel Vorcaro mostram o banqueiro chamando Fernando Haddad de um de seus "maiores opositores"; candidato ao governo de SP usou a revelação para pedir voto nas redes horas antes da eleição
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- Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, mostram o banqueiro classificando Fernando Haddad — então ministro da Fazenda, hoje candidato ao governo de São Paulo pelo PT — como um de seus "maiores opositores"
- A conversa, de 29 de outubro de 2025, foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim, d'O Globo, e confirmada pela Folha; Vorcaro também disse que sequer conhecia Haddad pessoalmente
- As mensagens reforçam a versão que o próprio Haddad já vinha dando publicamente: que nunca recebeu o banqueiro, nunca esteve no mesmo ambiente que ele e recusou "diversas vezes" tentativas de encontro
- Horas após a divulgação, neste sábado (3), Haddad usou o caso como mote de campanha: "Neste domingo, vote em um dos maiores opositores de Vorcaro. Vote 13!", escreveu no X
- Por que importa: é um contraponto direto às reportagens recentes mostrando proximidade de outras autoridades (Ciro Nogueira, Nunes Marques, Toffoli) com Vorcaro — e chega horas antes da eleição em que Haddad concorre
Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, mostram o banqueiro classificando o então ministro da Fazenda Fernando Haddad — hoje candidato do PT ao governo de São Paulo — como um de seus "maiores opositores". A informação foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim, d'O Globo, e confirmada pela Folha de S.Paulo.
A conversa
O diálogo ocorreu em 29 de outubro de 2025 — menos de um mês antes da primeira prisão de Vorcaro, em 17 de novembro — entre o banqueiro e a advogada Vanessa Souza, que atuava nos Estados Unidos e havia defendido o pastor André Valadão. À época, o Banco Central avaliava a tentativa de venda do Master ao BRB (Banco de Brasília); após a prisão de Vorcaro, o BC decretaria a liquidação extrajudicial da instituição.
Na conversa, Vanessa comentou que estava almoçando com "o advogado do Haddad" — sem identificar de quem se tratava — e perguntou a Vorcaro: "Vc abortou o assunto da venda do banco, aquele problema no Banco Central?". É importante notar que as mensagens não esclarecem quem seria esse advogado nem confirmam que ele de fato representava Haddad formalmente — é uma menção da própria Vanessa, não verificada de forma independente nas mensagens divulgadas.
Vorcaro respondeu: "Tema é bem mais profundo, hoje a noite te conto. E Haddad um dos meus maiores opositores. Infelizmente, pq nem conhecer o conheço." Vanessa reagiu: "Vamos mudar isso, então" — mas a conversa, segundo os veículos que a divulgaram, não detalha que tipo de aproximação ela sugeria, nem traz resposta de Vorcaro sobre o assunto.
Separadamente, segundo apuração da Folha (não verificada de forma independente nesta reportagem), outra conversa de agosto de 2024 mostra o consultor Júlio Cezar organizando um jantar entre Vorcaro e o então ministro Alexandre Padilha (à época na Secretaria de Relações Institucionais, hoje na Saúde), e tentando, sem sucesso aparente, uma agenda também com o titular da Fazenda.
O que Haddad já vinha dizendo
As mensagens reforçam a versão que o próprio Haddad apresentou publicamente antes mesmo dessa revelação. Em entrevista ao SP1, em 14 de setembro, e à CNN Brasil, ele afirmou nunca ter recebido Vorcaro, nunca ter estado no mesmo ambiente que o banqueiro nem trocado mensagens ou ligações com ele. Haddad também disse ter recusado "diversas vezes" tentativas de encontro com Vorcaro, após sua equipe alertá-lo sobre a situação do banco.
A resposta de campanha
Horas depois da divulgação, neste sábado (3) — véspera da eleição —, Haddad usou o caso diretamente em sua campanha: "Neste domingo, vote em um dos maiores opositores de Vorcaro. Vote 13!", escreveu em seu perfil no X.
Vale um contraponto de contexto: em 2022, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, doou oficialmente R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio de Freitas (hoje governador de São Paulo, provável adversário de Haddad nesta eleição) e R$ 3 milhões à campanha de Jair Bolsonaro, segundo registros eleitorais — reforçando que o círculo próximo de Vorcaro estava alinhado ao campo político oposto ao de Haddad, não a ele.
Versão em áudio disponível no topo do post.