Milhares vão às ruas em oposição a Trump nos EUA; protestos ‘no kings day’ e parada militar acirram tensões
A política de imigração de Trump, com metas de deportar milhares diariamente, tem sido o principal gatilho dos protestos

Neste sábado, 14 de junho de 2025, os Estados Unidos viveram um dia de contrastes marcantes, com manifestações em todos os 50 estados contra o presidente Donald Trump, no movimento batizado de “No Kings Day” (Dia Sem Reis), e uma grandiosa parada militar em Washington, D.C., que coincide com o 79º aniversário do presidente e o 250º aniversário da criação do Exército americano. O evento, que também celebra o Dia da Bandeira, intensificou a polarização política no país, com críticas à gestão de Trump, especialmente sua política de imigração, e debates sobre o custo e a motivação por trás do desfile militar.
Protestos ‘No Kings Day’ tomam as ruas
O movimento “No Kings Day” surgiu como uma resposta direta às políticas do segundo mandato de Trump, iniciado em janeiro de 2025. Organizado por uma coalizão de mais de 100 grupos de direitos civis, o movimento planejou mais de 1.800 atos em cidades de todos os estados americanos, superando a mobilização de abril chamada “Hands Off!”. Segundo os organizadores, as manifestações criticam o que chamam de “táticas autoritárias” de Trump, incluindo a intensificação das deportações em massa, cortes em programas sociais como Medicaid e Segurança Social, e a militarização da democracia.
Em Los Angeles, epicentro de protestos recentes, a tensão aumentou após o envio de 2.000 soldados da Guarda Nacional e 700 fuzileiros navais por Trump para conter manifestações contra operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). As ações do ICE, que detêm cerca de 2.000 imigrantes irregulares por dia, foram alvo de críticas por desrespeitar processos legais e atingir comunidades latinas, especialmente na Califórnia, onde quase metade da população de Los Angeles é hispânica ou latina. Imagens de agentes mascarados prendendo civis em restaurantes e lojas geraram indignação, com manifestantes exibindo bandeiras mexicanas e cartazes como “Imigrantes são nossa espinha dorsal! Abolir o ICE!”.
Em Miami, os protestos começaram com centenas de pessoas e a expectativa de milhares, conforme relatado por usuários no X. Em Nova York, cartazes com frases como “Nenhum rei na América” e comparações de Trump a líderes autoritários circularam, enquanto em Washington, grupos locais planejaram marchas paralelas ao desfile militar. A coalizão “No Kings” enfatizou o caráter pacífico das mobilizações, com orientações para evitar confrontos, embora Trump tenha ameaçado usar “muita força” contra manifestantes que tentassem interromper o evento em Washington.
Parada militar: celebração ou demonstração de poder?
Enquanto as ruas de diversas cidades eram tomadas por protestos, Washington, D.C., sediou um desfile militar descrito pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, como “o maior e mais belo da história”. Com um custo estimado entre US$ 25 e US$ 45 milhões (R$ 140 a R$ 250 milhões), o evento envolveu 6.600 soldados, 150 veículos (incluindo 24 tanques M1 Abrams), 50 aeronaves e sete bandas marciais. A equipe de paraquedistas Golden Knights entregou uma bandeira americana a Trump, que assistiu à cerimônia de uma tribuna na Constitution Avenue, onde também presidiu o alistamento de 250 civis e soldados. O dia incluiu fogos de artifício, demonstrações militares e apresentações de música country no National Mall.
A parada, oficialmente planejada para comemorar os 250 anos do Exército dos EUA, fundado em 14 de junho de 1775, foi inspirada no desfile do Dia da Bastilha, em Paris, que Trump presenciou em 2017. Durante seu primeiro mandato, planos semelhantes foram descartados devido aos altos custos (estimados em até US$ 92 milhões) e preocupações com danos às ruas da capital. Para mitigar isso, o Exército utilizou placas de aço e almofadas de borracha nos tanques. A prefeita de Washington, Muriel Bowser, expressou preocupação com o impacto do evento, enquanto democratas, como o deputado Steve Cohen, criticaram o gasto como “desperdício” e uma tentativa de glorificação pessoal de Trump.
A Casa Branca nega que o desfile seja uma celebração do aniversário de Trump, destacando a coincidência com o Dia da Bandeira e o marco do Exército. No entanto, a escolha da data e a grandiosidade do evento alimentaram críticas de opositores, que veem a parada como uma demonstração de autoritarismo. O deputado Jason Crow, ex-soldado, destacou a insatisfação de veteranos, apontando cortes em saúde e infraestrutura militar enquanto milhões são gastos no desfile.
Polarização e imigração no centro do debate
A política de imigração de Trump, com metas de deportar milhares diariamente, tem sido o principal gatilho dos protestos. Desde 6 de junho, operações intensificadas do ICE em Los Angeles e outras cidades resultaram em prisões em locais públicos, como escolas e tribunais, gerando acusações de abuso de poder. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, classificou a mobilização da Guarda Nacional sem seu aval como inconstitucional, prometendo ações judiciais. A vice-governadora Eleni Kounalakis reforçou que as autoridades locais poderiam controlar os protestos sem intervenção federal.
A polarização também é amplificada pelo uso de símbolos patrióticos por Trump, como a bandeira americana e o Monte Rushmore, enquanto opositores o acusam de desrespeitar valores democráticos. Pesquisas recentes mostram uma queda na aprovação de Trump, de 47% em janeiro para 43% em abril, com apenas 37% aprovando sua gestão econômica. Manifestantes em cidades como Boston e Chicago também criticaram cortes em programas sociais e a influência de bilionários, como Elon Musk, na administração.
Um país dividido
O sábado de 14 de junho expôs as profundas divisões nos EUA. Enquanto apoiadores de Trump celebravam o desfile como uma demonstração de patriotismo, manifestantes do “No Kings Day” viam o evento como uma tentativa de consolidar uma imagem autoritária. Em Los Angeles, um balão gigante retratando Trump em um uniforme militar russo simbolizou as críticas às suas “tendências ditatoriais”. A mobilização nacional, com apoio de figuras públicas como as atrizes Hilary Duff e Eva Longoria, reflete um crescente ativismo contra as políticas do presidente.
O desfile e os protestos ocorrem em um momento de tensões globais, com Trump prometendo um 250º aniversário dos EUA em 2026 ainda mais grandioso, incluindo um “Jardim dos Heróis Americanos”. Enquanto o país se prepara para essas comemorações, o embate entre visões opostas de patriotismo e democracia deve continuar a moldar o cenário político americano.
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