Morte de petista: Julgamento de Jorge Guaranho marca capítulo final de crime que chocou o Brasil
Ex-policial penal acusado de assassinar tesoureiro do PT durante festa de aniversário vai a júri popular em Curitiba; caso expôs tensão política às vésperas das eleições de 2022

Em um dos casos mais emblemáticos da violência política no Brasil recente, inicia-se nesta terça-feira (11) em Curitiba o julgamento de Jorge José da Rocha Guaranho, acusado do assassinato do guarda municipal e tesoureiro do PT, Marcelo Arruda. O crime, que ocorreu em julho de 2022 em Foz do Iguaçu, ganhou repercussão nacional por suas motivações políticas e pelo contexto pré-eleitoral em que aconteceu.
Linha do tempo do caso
9 de julho de 2022
Por volta das 23h, Marcelo Arruda celebrava seu aniversário de 50 anos em um clube da Associação Esportiva e Recreativa Saúde, em Foz do Iguaçu
A festa tinha decoração temática do PT e do então candidato Lula
Jorge Guaranho passou de carro pelo local, fazendo provocações políticas
Após uma primeira discussão, Guaranho retornou ao local armado
Houve troca de tiros entre Guaranho e Arruda
Marcelo Arruda foi atingido e morreu no local
Guaranho também foi baleado e ficou gravemente ferido
10-11 de julho de 2022
Polícia Civil inicia as investigações
O caso ganha repercussão nacional e internacional
Família de Arruda e movimentos sociais realizam protestos
Autoridades políticas manifestam repúdio ao crime
Agosto de 2022
Ministério Público do Paraná denuncia Guaranho por homicídio duplamente qualificado
Réu é transferido para o Complexo Médico Penal após alta hospitalar
Setembro de 2023
Justiça autoriza prisão domiciliar de Guaranho devido às suas condições de saúde
Defesa consegue transferência do julgamento de Foz do Iguaçu para Curitiba
11 de fevereiro de 2025
Início do julgamento em Curitiba
Previsão de dois dias de júri popular
Caso será presidido pela juíza Mychelle Pacheco Cintra Stadler
Detalhes do crime e investigação
Segundo as investigações e laudos técnicos, Jorge Guaranho invadiu a festa gritando frases como "aqui é Bolsonaro" e "petistas vão morrer". Um laudo de leitura labial confirmou as expressões utilizadas pelo acusado, reforçando a tese da motivação política do crime.
A acusação, representada pelas promotoras Roberta Franco Massa e Ticiane Louise Santana Pereira, sustenta que o crime foi motivado por intolerância política. A equipe de assistência de acusação inclui os advogados Andrea Pacheco Godoy, Daniel Godoy, Alessandra Raffaeli Boito e Rogério Oscar Botelho.
A defesa de Guaranho, por sua vez, nega a motivação política e argumenta que o crime resultou de uma discussão banal. O réu responde por homicídio duplamente qualificado e aguarda o julgamento em prisão domiciliar.
Impacto social e político
O assassinato de Marcelo Arruda deixou marcas profundas não apenas em sua família - ele era pai de quatro filhos - mas também evidenciou o crescente problema da violência política no Brasil. Sua viúva, Pamela Silva, expressa a dor da perda e a expectativa por justiça: "Ele matou uma pessoa boa, pai de quatro filhos, que vão sofrer para sempre a ausência do Marcelo."
O caso se tornou um símbolo da polarização política no país, especialmente por ter ocorrido durante o período pré-eleitoral de 2022, uma das eleições mais tensas da história recente do Brasil. O julgamento, que começa nesta terça-feira, é aguardado como um possível precedente para casos de violência política no país.
